É uma coisa curiosa que a guitarra elétrica tenha nos ensinado a gostar de barulho. E o que é que a distorção e o feedback das guitarras disse pra nos seduzir? Que o rock era vivo, cru e fora de controle. Que o rock era como a vida. Que o rock era de verdade.
E a distorção e o feedback foram aumentando conforme os jovens se sentiam cada vez mais cercados de mentiras, num crescendo partindo dos Stooges, Jimi Hendrix e Led Zeppelin, passando pelo Black Sabbath, acelerando com The Clash, Sex Pistols e Ramones até chegar no Sepultura, que baixou um tom inteiro a afinação da guitarra e do baixo de Mi pra Ré pra criar uma música tão suja, agressiva e doente quanto o mundo que queriam refletir nela. A verdade não é fofinha, limpinha ou organizada.
Como se fosse um distintivo do apego à verdade, ou um desdém pela ideia de que música pop é...