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“Eu como no McDonald’s com meus filhos”

O chefe de cozinha e sushiman Jun Sakamoto comenta o cerco à propaganda de alimentos

05 de Dezembro de 2011 08:00

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Jun Sakamoto é presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) Crédito: Arthur Nobre

Chef de cozinha e sushiman mais premiado do Brasil, Jun Sakamoto tem novos desafios como presidente da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), entidade que reúne mais de 4.200 pontos no País — dos sofisticados Fasano, Le Vin e Eco a grandes redes como McDonald’s, Bob’s e Giraffas. O profissional, reservado e avesso à vida de celebridade, fala sobre o cerco à propaganda de alimentos e as campanhas infantis e comenta a projeção que a carreira de chef ganhou na mídia

Meio & Mensagem ›› Você assumiu a presidência da ANR em junho, numa fase em que os restaurantes estavam no “olho do furacão” em termos de mídia: arrastões em Pinheiros e Vila Madalena, a lei do couvert, ou seja, a cada semana uma nova discussão em cima do tema. É difícil ter de lidar com a mídia?

Jun Sakamoto ›› Acho natural e vejo de maneira positiva, porque isto significa que o setor está crescendo. Há 20 anos, por exemplo, chef de cozinha não tinha destaque. (Hoje) ser um chef se tornou glamouroso, mas acredito que isso vai passar, todas as grandes profissões tiveram isso. Teve a época dos grandes publicitários, fotógrafos, arquitetos... Hoje o chef é a bola da vez. Isso também ajuda a ter um setor mais em evidência. E não é de hoje que restaurante é assaltado.

Meio & Mensagem ›› Qual é sua opinião, como chef de cozinha e presidente da ANR, sobre as discussões em relação à restrição das propagandas de alimentos, sejam eles gordurosos, calóricos ou com gordura trans?

Jun Sakamoto ›› Toda restrição é uma forma de censura. Devia ser o contrário: deviam obrigar a colocar a informação correta. É função dos pais educar o filho, dizer o que comer, o que não comer e com que frequência. Eu deixo meus filhos comerem no McDonald’s. Sou um ícone da comida saudável, do sushi, mas eu como no McDonald’s com meu filhos, só não quero que eles comam todo dia. Mas de vez em quando, não vejo problema nenhum: é divertido, gostoso, é um momento de sair com meus filhos. Creio que simplesmente proibir por proibir, não é correto. A associação não vê isso de maneira eficiente e produtiva. Acho uma restrição de mercado apenas.
 

Meio & Mensagem ›› Você citou os chefs como profissionais muito valorizados. O que você acha da associação deles com marcas, grifes e campanhas?

Jun Sakamoto ›› Acho que a vaidade é de cada um. Há o oferta financeira quando as marcas chegam... Tenho visto o Alex (Atala) direto em propaganda, Nextel, Citibank. Ele é um profissional, conseguiu uma imagem. Se isso pode se reverter financeiramente sem estragar a imagem dele, sem interferir no produto principal dele que é a gastronomia, não vejo por que não fazer. Eu não sei se faria uma propaganda direta de alguma coisa não, mas já tive ações com cartões de crédito e patrocínios que fizemos no restaurante, eventos...
 

Meio & Mensagem ›› Mas já teve convites para propaganda?

Jun Sakamoto ›› Nunca. O Alex (Atala) tem uma repercussão nacional. Ele vai para Belém e as pessoas sabem quem é. O trabalho dele envolve a gastronomia brasileira. Ele hoje é o chef que representa o Brasil perante o mundo. Não tem como um restaurante japonês representar o País.­ Então, não tem como ter uma divulgação muito grande, é muito difícil um produto querer se associar a mim, a não ser que tenha um produto muito específico. Mas até a Mundial, que faz uma coleção de facas japonesas, nunca me procurou.

Meio & Mensagem ›› Em relação à publicidade infantil, em sua opinião como pai, deve haver restrição de horário ou de produto? Você acha que a criança é mais suscetível à propaganda ou deve receber informações?

Jun Sakamoto ›› Deve receber informação. Neste mundo moderno, os pais estão mais ausentes de casa e quem cuida da criança é a babá. A criança conquista certo poder e o pai, por culpa, faz tudo que ela quer. A falha está na maneira de educar e não no que passa na televisão. Se o que passa não destrói os valores morais e éticos da pessoa, não vejo problema nenhum. Propaganda é uma liberdade de comunicação.

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