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12 de Dezembro de 2011 • 08:00
Jorge Kajuru, jornalista da TV Esporte Interativo e da TV Kajuru.com Crédito: Divulgação
Atualmente no comando dos programas Kajuru Sob Controle (diário) e Kajuru Pergunta (semanal) no Esporte Interativo, da TV Kajuru.com (web tv lançada em 2008) e de um boletim diário de cinco minutos transmitido por 268 rádios no Brasil, o jornalista Jorge Kajuru acumula 35 anos de experiência na mídia esportiva. Nesta entrevista, o profissional fala sobre as polêmicas da carreira, a expectativa sobre a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, a experiência como proprietário de uma emissora de rádio e sobre o seu livro que foi impedido de ser comercializado.
Meio & Mensagem ›› Você tem a característica profissional de ir direto ao ponto, o que já gerou várias polêmicas. Isso prejudicou sua atuação na grande imprensa?
Jorge Kajuru ›› Apenas fui prejudicado por ter levado muitos processos, ter gasto uma fortuna com advogados e ainda estar devendo honorários para dois deles. Quanto ao resto, não me queixo, porque só trabalhei onde eu quis e recusei e continuo recusando convites para voltar às grandes redes. É uma prova de que não fui prejudicado, pois elas me querem até hoje. Eu é que não as quero!
M&M ›› O futebol se tornou um negócio. Qual a sua opinião sobre esse movimento?
Kajuru ›› Como negócio, o futebol só fatura menos que o petróleo. Quanto ao investimento das empresas, creio que não há nenhuma dúvida de que nenhum outro produto ou esporte provoca tanta visibilidade e retorno como o futebol, em qualquer segmento de nível, inclusive na internet.
M&M ›› A Copa de 2014 sofre críticas pelo uso de dinheiro público e teremos ainda a Olimpíada de 2016. O que espera dos eventos?
Kajuru ›› Haverá fracassos em muitos quesitos: já está havendo um rombo atrás do outro. As obras estão R$ 2 bilhões mais caras que a previsão inicial. Este roubo, palavra mais apropriada, do dinheiro público chegará aos R$ 10 bilhões e muita gente já esqueceu que o mentiroso compulsivo, Luiz Inácio, garantiu publicamente que não haveria um centavo de gasto público com a Copa. Conclusão: a Copa e a Olimpíada não trarão nenhum benefício, não mudarão a vida do povo em nada, e as prioridades, como educação, saúde, segurança e transportes, não ganharão solução ou melhoria algumas. Se o Brasil investisse nessas prioridades, daríamos um avanço de 20 anos no País.
M&M ›› O que acha da participação de jornalistas em campanhas publicitárias?
Kajuru ›› Acho uma tremenda burrice dos anunciantes pagarem merchan para jornalista esportivo. Primeiro, porque a maioria deles não tem credibilidade para propagar o produto e não tem competência para saber falar. Se as agências de publicidade, que estão entre as mais criativas do mundo, criassem um comercial de 15 segundos, bem inteligente e bem introduzido dentro do programa, seria melhor do que um jornalista demorar dois minutos para anunciar um produto. As pessoas não prestam atenção. Me permitam dar como exemplo o programa Kajuru Sob Controle que apresento na TV Esporte Interativo. O comercial é inserido dentro das notícias sem ter que chamar break. Eu sequer falo o nome, apenas dou um gancho para entrar uma mensagem. O telespectador não desliga, pois sabe que vem algo interessante em conteúdo e informação logo depois.
M&M ›› E da publicidade em geral, você gosta? Tem algum comercial marcante?
Kajuru ›› Nunca deixei de enaltecer o raro talento dos publicitários brasileiros. Tanto que, para citar um comercial, é impossível! É como citar nomes de amigos, ou seja, você vai se esquecer de uns quatro ou cinco, tamanha é a fartura de coisas benfeitas que nos fazem parar e curtir. Aquele dos postos Ipiranga (da agência Talent) é um dos 25 que eu mais gosto.
M&M ›› O marketing em cima de um jogador pesa na hora da convocação para a seleção?
Kajuru ›› Em relação à seleção eu falo e provo que muitos bons jogadores não são convocados porque seus patrocinadores, principalmente de material esportivo, não são os mesmos que bancam a seleção de Ricardo Teixeira. Quanto aos clubes, a influência e a interferência são menores.
M&M ›› Você escreveu o livro Dossiê K, com denúncias de corrupção no governo do Estado de Goiás. O que ocorreu?
Kajuru ›› O livro foi escrito contando a história política de Goiás, sua truculência e corrupção dos dois governos, PMDB e PSDB, que coronelizam o estado desde 1986. Quanto à publicação, ela existiu em 2002, durante as eleições, mas foi proibida e presa 15 dias após o lançamento. Jovens estudantes eram agredidos na UFG quando pegos com o livro nas mãos pela polícia goiana, a mando do Governador (Marconi) Perillo, que buscava sua reeleição. Conforme a Folha de S. Paulo publicou em reportagem em setembro de 2002, aconteceu de tudo, até cavalaria da polícia agredindo ouvintes da Rádio K, que faziam plantão em frente à emissora com o livro em mãos, protestando contra o pedido de cassação da rádio, e por ela estar fechada e fora do ar naquele momento através de uma liminar do governo goiano junto ao Ministério das Comunicações, de Pimenta da Veiga. Tudo por causa do livro.
M&M ›› Como foi ser proprietário de veículo? Foi difícil conseguir a concessão?
Kajuru ›› Eu não tinha como conseguir concessão, já que a bancada política de Goiás, no Congresso, impedia todas as minhas tentativas. Precisei do meu ex-cunhado, em 1998, para comprar uma rádio que estava falida e só possuía um microfone. Foi uma experiência inesquecível! A rádio era a única brasileira que recusava mídias de governo municipal, estadual e federal. Sobrevivia dignamente só com patrocínio privado. Tinha mais de 90% de audiência e praticava jornalismo investigativo, 24 horas de esporte e política. Em 1998, a emissora fez a maior cobertura da história do rádio brasileiro numa Copa do Mundo. Levou 18 pessoas para a França. Foi motivo de manchete na mídia mundial. Ela foi cassada em 2003 em pleno governo Lula. Mas devo lembrar que, no governo FHC, ela foi fechada e suspensa12 vezes. Se não fosse o Datena, além de ter saído de Goiás sem rádio, eu sairia falido e desmoralizado. A rádio foi um filho abençoado, que morreu aos quatro anos de vida. Provei que pode existir imprensa livre. Porém, tem prazo de validade.
M&M ›› Qual a proposta da TV Kajuru.com?
Kajuru ›› A TV Kajuru.com veio para ser o meu segundo filho. Só que ainda levará tempo para ela ser uma TV de verdade, tendo faturamento decente e programação com mais conteúdo. Estou perto disso. O investimento custa R$ 100 mil. Hoje, ela vive de vídeos inéditos, minhas entrevistas factuais e programas diários que apresento e gozam de um respeitável público, superior a 32 milhões de acessos, com média de 140 mil visitas diárias. Na TV Kajuru.com você também tem acesso ao meu blog, Twitter e Facebook, ferramentas que me causam muito prazer, além de patrocínio ainda discreto. Entretanto, é o pouco que preciso para viver.
M&M ›› Quais os planos para o site e a TV?
Kajuru ›› A TV Kajuru.com terá mais dois programas diários em 2012 e passará a entrar, ao vivo, no segundo semestre. No Esporte Interativo faço dois programas: o diário Kajuru Sob Controle e o semanal Kajuru Pergunta, também transmitido ao vivo pelo UOL Esporte. Em 35 anos de carreira, é o Esporte Interativo quem melhor sabe lidar com meu temperamento e o que mais se aproxima de me manter livre, mas com um pouquinho de equilíbrio nos adjetivos. Tive nos últimos 60 dias propostas tentadoras do SBT e da Record. Não fiz leilão e respondi com um orgulhoso não, optando pela juventude e ousadia do canal.