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06 de Fevereiro de 2012 • 14:01
*Por Renato Pezzotti
"A televisão deveria melhorar bastante", enfatiza Neto Crédito: Arthur Nobre
Meio & Mensagem ›› De que tipo de comercial você não gosta?
Neto ›› Acho ridículo comercial em que aparece mulher gostosa. Até porque quem disse que mulher gostosa bebe cerveja? É um erro gravíssimo.
M&M ›› E de qual você gosta?
Neto ›› Uma das melhores ações dos últimos 20 anos é uma da Coca-Cola, que aconteceu em Portugal e que brinca com a rivalidade entre Benfica e Sporting (veja em http://migre.me/7JBcW). O lance da devolução da carteira mostra que realmente o mundo pode ser melhor. A propaganda é muito mais conteúdo que a marca. Outra propaganda bem legal também é a da Pepsi. Eles foram muito inteligentes em explorar o “Pode ser”. O cara que pensou isso aí é um gênio (comercial da AlmapBBDO, com criação de André Kassu e Marcos Medeiros e direção de criação de Marcello Serpa e Luiz Sanches). Eles se assumiram como segunda marca e deu certo. Eu prefiro ser o segundo melhor comentarista a ser como todos os outros. Só aqui neste país ser segundo é ruim.
M&M ›› E trabalhar na “segunda” emissora que fala de esportes?
Neto ›› Não tem problema. Eu sou o melhor comentarista e não trabalho na Globo. Eu sou muito feliz de trabalhar aqui. Tenho nove anos de casa, as pessoas gostam de mim...
M&M ›› Você já até virou apresentador (do SP Acontece)...
Neto ›› O Datena me ajudou muito nisso. Ele estava indo para Record e o Zé Emílio (José Emílio Ambrósio, diretor executivo de jornalismo e esportes da Band) me chamou na sala e eu aproveitei a oportunidade. Estou me preparando para outras coisas também. Não quero ser só comentarista. O Danilo Gentili não teve chance? Por que eu não posso ter?
M&M ›› Mas você não é muito polêmico?
Neto ›› Não é ser polêmico ou não. Eu só dou a minha opinião. Eu poderia estar aqui fazendo uma média com as cervejas, mas eu não faço. Não estou falando mal da cerveja, estou falando mal do comercial. Até porque não bebo há 11 anos.
M&M ›› Mas você faria comercial de cerveja?
Neto ›› Não, eu não bebo faz 11 anos. Como vou fazer comercial de cerveja sem beber?
M&M ›› Mas a Sandy não bebe e fez sucesso com a Devassa.
Neto ›› Como eu vou fazer um comercial de uma coisa que não uso? Mas, se eles quiserem, eu faço, já que você está insistindo... (risos)
M&M ›› Você já fez algum comercial?
Neto ›› Da Rider e da Rafarillo (marca de sapatos). Acho que só.
M&M ›› O que poderia mudar na publicidade brasileira?
Neto ›› Eu nunca vi um gordo fazendo propaganda de cerveja. Nunca vi um negro ser a estrela de um comercial — sem ser o Lázaro Ramos ou o Seu Jorge, por exemplo. Isso precisa mudar. As pessoas normais deveriam participar mais da publicidade.
M&M ›› Quando você jogava (Neto foi um dos mais importantes jogadores da história do Corinthians e atuou profissionalmente entre 1984 e 1997), o número de jogadores que viravam estrelas publicitárias era bem menor...
Neto ›› Antigamente, o mundo publicitário não queria vincular suas marcas aos jogadores de futebol porque eles não agregavam nada. Agora é diferente. O Neymar pode fazer uma propaganda de um sabonete de espinha ou de cueca (fez para Lupo); o Rogério Ceni pode ser garoto-propaganda de um banco, por causa da credibilidade dele. As marcas que estão atreladas ao futebol também entenderam hoje que estão ganhando muito dinheiro com isso. Agora faço muito evento — já fui contratado para ações do Itaú, por exemplo. Vou lá, falo com as pessoas, bato uma bola. A Suvinil faz muito isso também.
M&M ›› O que acha do Ronaldo ter virado empresário?
Neto ›› O Ronaldo revolucionou a ideia do que é marketing no futebol quando foi para o Corinthians. Daqui a pouco ele vai dar chapéu em todos os empresários por aí. E o Ronaldo não precisa estar sentado na cadeira da agência. Ele tem de estar com o presidente do Bradesco, do Itaú, com o presidente da República. Quem tem de ficar no escritório é quem tem de pensar.
M&M ›› O que achou da escolha dele para fazer parte do COL (Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014)? Quem deveria participar do comitê também?
Neto ›› Achei muito bom. Outros ex-jogadores têm de participar também. Eu convidaria o Washington Olivetto, o Nizan Guanaes, o (Luís Paulo) Rosenberg (diretor de marketing do Corinthians). Mas temos outro problema: as pessoas são muito clubistas, muito bairristas. Se o cara é são-paulino, não pode. Se o cara é corintiano, não pode. Se o cara é do PT, não pode. Se o cara é do Sul, não pode. Isso é muito pequeno.
M&M ›› Você acha que o Brasil vai estar preparado para a Copa em 2014?
Neto ›› Ah, acho que não. Se a Dilma não fizer o que prometeu, vamos passar vergonha com esses aeroportos que temos. E se o País passar vergonha na Copa, a responsabilidade vai ser dela e do Ricardo Teixeira.
M&M ›› Você tem mais de um milhão de seguidores no Twitter. No Facebook, são 40 mil. Qual a responsabilidade de escrever para tanta gente?
Neto ›› No Twitter, 700 mil devem gostar de mim e 300 mil devem me odiar. Mas eles querem saber o que eu acho. Não escrevo nada da minha vida pessoal. Sou informativo, coloco os comentários dos jogos e só isso. Sei que influencia a opinião dos outros, mas a função é essa.
M&M ›› E a briga com o Tiago Leifert (apresentador da Globo, que discutiu com Neto pelo Twitter)? Mudou sua maneira de escrever na rede de microblog?
Neto ›› No caso do Tiago, eu entrei em uma onda errada. Dei uma informação que não foi concretizada (a contratação do meia holandês Seedorf pelo Corinthians). Não me arrependo de ter feito, mas não faço mais isso.
M&M ›› Qual sua opinião em relação às ações de merchandising feitas pelos apresentadores dos programas?
Neto ›› Você acha que é legal a marca que é vinculada ao Big Brother para o pessoal encher a cara de cerveja ou é melhor o Milton Neves falar da Brahma? Para mim é melhor o Milton Neves. Tem gente que reclama, mas trabalha nos programas que têm isso. Assim é fácil reclamar.
M&M ›› Você tem dois filhos pequenos — um de seis e outro de 11 anos. Hoje se discute muito sobre a regulamentação dos comerciais infantis. Você acha que o governo deve entrar nessa briga ou cada pai deve decidir?
Neto ›› Acho que o governo tem de entrar nessa. Meus filhos assistem muito a canais infantis e antigamente tinha muita publicidade. Isso influenciava muito. É um absurdo ter muita propaganda para as crianças. Hoje, um dos melhores canais para as crianças é a Cultura. O governo tem de prestar mais atenção nisso. Têm determinados programas de televisão à tarde que mostram muita baixaria. Eu não assisto novela, acho um lixo. A televisão deveria melhorar bastante.