patrocínio ››
13 de Fevereiro de 2012 • 12:33
Meio & Mensagem ›› Um comercial influencia sua decisão no ato da compra?
Margareth Menezes ›› Acho que o que mais influencia no ato da compra é a qualidade. É fundamental para a decisão de adquirir um produto. Logicamente, quando se trata de um lançamento no mercado, a propaganda acaba sendo um fator importante para chamar a atenção.
M&M ›› E o contrário? Você deixa de comprar porque não gostou da propaganda?
Margareth ›› Deixo de comprar somente se for uma propaganda ofensiva.
M&M ›› Você assiste aos comerciais na TV?
Margareth ›› Costumo assistir. Algumas propagandas têm argumentos bons, são bonitas, benfeitas, com mensagens positivas.
M&M ›› Que tipo de comercial você gosta de assistir?
Margareth ›› Não há um tipo de comercial que eu goste de assistir. Comercial existe para cumprir uma necessidade da indústria, ainda que alguns sejam bons, como eu disse, e até divertidos.
M&M ›› Música faz a diferença na hora do comercial?
Margareth ›› Sim. Prova disso é que grandes comerciais são feitos se utilizando somente dela — sem narrador, sem garoto-propaganda, sem letreiro. Apenas com música. A música já é capaz de passar uma mensagem completa sobre algo. Na companhia de imagens, esse poder é potencializado.
M&M ›› Pode citar um comercial favorito? Pode se lembrar também um de sua época de criança?
Margareth ›› Da minha época de criança, lembro-me de comerciais que tinham jingles marcantes, como as propagandas da Varig; e algumas regionais, como os dos biscoitos Tupi e da TV Aratu, que atualmente é afiliada do SBT aqui em Salvador.
M&M ›› Você já participou de quantas campanhas publicitárias?
Margareth ›› Estou completando 25 anos de carreira. Foram muitas campanhas publicitárias ao longo deste tempo. Nos últimos dois meses, foram quatro: a campanha de um banco federal, de uma rede de farmácias, a de um título de capitalização e uma campanha do Governo Estadual da Bahia contra as drogas. Esta última, inclusive, teve uma grande repercussão na Bahia. A campanha “Viver sem drogas – pacto pela vida” começou com um teaser que foi veiculado em placas de outdoor em diversas cidades do Estado. Minha foto aparecia com os dizeres “Margareth Menezes: viciada”. Depois de uma semana, a segunda etapa da campanha revelava que eu era “viciada em música”. Foi uma publicidade de impacto. As pessoas se surpreenderam e eu espero que a campanha consiga trazer uma mudança efetiva.
M&M ›› O Carlinhos Brown é estrela de várias campanhas. Ivete Sangalo e Claudia Leitte também estão na mídia. Os artistas da Bahia invadiram os comerciais de vez. Você acha que isso acontece por quê? Não estão sujeitos à superexposição?
Margareth ›› Todo artista está sujeito à superexposição, é algo que acompanha nosso trabalho. Os artistas baianos, em especial, são talentosos e têm personalidade. A publicidade parece gostar dessas qualidades.
M&M ›› Você declarou apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. Faria efetivamente propaganda política?
Margareth ›› Acredito em um apoio independentemente de propaganda política. Antes de ser artista, sou cidadã e posso expressar minha opinião. Em relação a Dilma Rousseff, por exemplo, enxerguei nela uma mulher competente, séria e forte por tudo o que ela já passou e realizou.
M&M ›› Você tem um projeto sociocultural em Salvador, a Fábrica Cultural, que forma jovens em produção musical e comunicação. Tem apoio de empresas?
Margareth ›› A Fábrica Cultural atua desde 2008 oferecendo cursos profissionalizantes para jovens e oficinas de arte-educação para crianças. Tudo é feito em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes). O objetivo é potencializar o desenvolvimento deles, para que possam ampliar e fortalecer seus papéis na sociedade. Recentemente, fizemos a formatura da quarta turma de alunos, um grupo de mais de 370 jovens. Foi um dia muito feliz. Minha alegria foi ainda maior ao perceber que, nas inscrições deste semestre, tivemos uma procura recorde de vagas. Atualmente, nosso principal objetivo é adquirir uma sede própria. Por enquanto, contamos com o apoio de instituições como a Igreja Nossa Senhora da Penha, o Clube Cabana do Bogary e o Lions Club.
M&M ›› Por que apenas alguns grandes anunciantes investem em projetos sociais como o seu?
Margareth ›› Ainda que a Fábrica Cultural não receba investimentos desse tipo, acredito que as empresas privadas estão, aos poucos, entendendo como é importante investir em projetos sociais que estejam atentos à educação. Investir na sociedade, na cultura, na formação dos jovens é investir também no futuro da economia, na capacidade de as pessoas melhorarem de renda. Os benefícios voltam para a sociedade como um ciclo.
M&M ›› Muito se discute hoje sobre a restrição da propaganda de bebidas alcoólicas — que são os grandes patrocinadores de blocos e festas. Você acha que essa limitação pode prejudicar os Carnavais fora de época pelo Brasil?
Margareth ›› A propaganda excessiva de bebidas alcoólicas é um problema. As pessoas precisam aprender a beber, se educarem mesmo. Temos no País um alto número de óbitos ligados à ingestão de bebidas alcoólicas, seja no trânsito ou por conta de doenças relacionadas. Então, não se trata apenas de restringir a propaganda e prejudicar as micaretas. A questão é muito maior. São as vidas de pessoas que podem ficar prejudicadas.
M&M ›› Você, que completa 25 anos de carreira em 2012, é considerada um ícone da música africana no Brasil e, às vezes, é mais reconhecida por seus trabalhos fora do País do que por aqui. Mudaria o que para alterar essa história?
Margareth ›› As músicas que eu canto falam da cultura afro-brasileira, resultado da mistura das influências trazidas por povos africanos com os índios brasileiros e com a cultura dos outros povos que nos colonizaram, mais fortemente o português. Isso é a brasilidade. Não tenho conhecimento suficiente para querer representar a cultura africana, que é muito diferente da nossa, com muitas vertentes, já que a África é formada por 54 países. Sobre a minha história, não acredito que tenha de alterar nem modificar nada. Tenho muito orgulho dos meus 25 anos de carreira. Sou respeitada dentro e fora do País pela música que faço, tanto pela mídia como pelo meio artístico. Não tenho lamentos em relação a isso, só tenho agradecimentos a Deus. Amo o Brasil, amo o que faço. Quando canto, estou inteira.
"Maga" completa 25 anos de carreira em 2012: "Quando canto, estou inteira" Crédito: Divulgação/Estúdio Gato Louco
*Por Renato Pezzotti