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Embalo antes do Carnaval

Se o ano é incerto, trabalhar muito já na largada vai significar alguma vantagem lá na frente, quando as grandes definições forem sendo tomadas no decorrer dos meses

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

22 de Fevereiro de 2012 13:40

Há duas semanas, o craque da conquista da Copa de 1994 e agora deputado federal Romário (PSB-RJ) disparou em seu perfil no Twitter: “Têm três semanas que venho a Brasília para trabalhar e nada acontece. E olha que estamos em ano de eleição”, reclamou. “Espero que na minha próxima vinda a Brasília tenha alguma porra pra fazer. Ou será que o ano só vai começar depois do Carnaval?”, questionou.

Infelizmente, algumas mudanças em Brasília acontecem com um ritmo muito mais lento do que na sociedade. No entanto, essa sensação de Romário de que o ano só começa depois do Carnaval, se ainda não é realidade entre nossos ilustres parlamentares, ficou para trás pelo menos no mercado publicitário. Estamos passando por uma profunda mudança de mentalidade e postura, fazendo com que planos e projetos sejam tocados com mais antecedência ou, ao menos, não sejam paralisados nos primeiros meses do ano. A virada de 2011 para 2012 consolidou esse processo.

Grandes anunciantes do mercado, especialmente das áreas de telecomunicações, automóveis, varejo e bancária, continuaram ativos na mídia desde os primeiros dias de janeiro. Pelo menos quatro concorrências fizeram com que agências entrassem em 2012 com muita atividade: Sony, Petrópolis, Vale e Yamaha. Na semana passada, foi anunciado que a Loducca venceu essa última disputa. E, por conta disso, uma boa parte da equipe da agência está passando o Carnaval submersa em um trabalho intenso para que a primeira campanha para o novo cliente entre no ar já nos próximos dias.

Até a expectativa bastante preocupante sobre o desempenho de 2012, que se vislumbrava mais forte no final do ano passado, quando boa parte das empresas e executivos estava debruçada sobre seus planejamentos para o exercício seguinte, está um pouco mais positiva desde que adentramos o segundo mês do ano. Exatamente porque não houve nenhuma paradeira geral do mercado em janeiro. Pelo contrário, agências estão se reposicionando e contratando novos talentos, veículos estão fazendo ajustes em suas estruturas e antecipando movimentos em suas grades ao mesmo tempo que colocam no mercado novos projetos para o ano.

Até porque se o ano é incerto, trabalhar muito já na largada vai significar alguma vantagem lá na frente, quando as grandes definições do ano forem sendo tomadas no decorrer dos meses. Tudo isso não deixa de ser uma boa notícia até porque a expectativa é de que a partir do segundo semestre as coisas melhorem, salvo alguma notícia catastrófica vinda da Europa.

Não se sabe se, como efeito direto ou indireto desse processo de começo de ano mais agitado, o que se experimentou nos últimos tempos foi uma parada mais intensa, porém mais curta, do mercado nas férias escolares de julho. Um processo muito comum no Hemisfério Norte por causa do verão no meio do ano e algo positivo para equilibrar melhor nosso planejamento ao longo do ano.

O que percebemos é que esse movimento reflete um amadurecimento do nosso País, de uma forma geral — com exceção dos homens que costumam habitar Brasília de terça a quinta-feira e de março a novembro —, pois passamos definitivamente a estar inseridos cada vez mais em uma agenda global. 

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