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A música digital segundo Neil Young

Para o músico canadense, maior problema da música hoje é a qualidade do som

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

02 de Fevereiro de 2012 11:25

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Peter Kafka e Walt Mossberg entrevistam Neil Young durante a conferência Dive Into Media, realizada esta semana na Califórnia Crédito: All Things Digital

Steve Jobs que me perdoe, mas eu prefiro mil vezes Neil Young a Bob Dylan. Ambos são contemporâneos e marcaram época, mas tenho mais afinidade musical e admiração pelo primeiro. E fiquei feliz ao ver suas colocações nesta semana a respeito da música na era digital. Em entrevista aos jornalistas Walt Mossberg e Peter Kafka, do site All Things Digital na conferência anual Dive Into Media, Young foi enfático ao dizer que hoje o maior problema da música é a qualidade do som. Esse, aliás, é um campo de militância do músico nos últimos anos. “Meu objetivo é tentar resgatar a arte que eu pratiquei ao longo dos últimos 50 anos. Nós vivemos na era digital e, infelizmente, isto está degradando a música e não aprimorando-a”, disse Young.

E completou: “O MP3 tem apenas 5% dos dados presentes numa gravação original. A conveniência da era digital forçou as pessoas a escolherem entre qualidade e conveniência, mas eles não deveriam ter de fazer esta escolha”. A solução, de acordo com Young, é o desenvolvimento de aparelhos capazes de tocar arquivos de áudio cuja qualidade da gravação original seja preservada.

O músico reverenciou na sua entrevista o pioneirismo de Steve Jobs na área da música digital dizendo que seu legado é gigantesco, mas arrematou: “Mas quando ele ia para casa ele ouvia vinil. E você pode acreditar que se ele tivesse vivido mais tempo, ele poderia ter feito o que estou tentando fazer”.

A indústria da música foi uma das primeiras áreas a sofrer o impacto da revolução digital, há cerca de uma década, a ponto de ter sido forçada a se reinventar, pois seu modelo de negócio foi totalmente colocado em xeque. E esse é um processo irreversível. Mas o que poucas pessoas levantam é essa bandeira que Neil Young adotou há algum tempo como sua causa: a qualidade da música que ouvimos em nossos iPods e iPhones. Como amante do bom e velho vinil, acredito que faça todo sentido essa discussão e se não for a Apple a abraçar essa causa, há aí uma enorme oportunidade para alguma outra empresa fazer uma grande diferença no mundo.

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