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Um recado para Nizan Guanaes

Estava na hora de você do alto do seu poder colocar em pauta um assunto de interesse comum ao mercado

Regina Augusto| » ENVIAR E-MAIL »

09 de Fevereiro de 2012 12:28

Fiquei muito feliz em ler o seu artigo dessa semana na Folha de S. Paulo por dois motivos, em especial. O primeiro é que percebi que você voltou a se assumir como redator. Que bom! Acho que este é o melhor lado da sua personalidade plural, por meio do qual você deu contribuições geniais a este mercado. Essa é a sua essência e ela não pode sucumbir ao seu poderoso lado empresário.

A segunda razão do meu entusiasmo é que você trouxe à tona um tema que rende um debate muito salutar e necessário ao nosso mercado: o hábito que está tomando conta cada vez mais dos clientes de utilizarem a pesquisa como muleta para suas inseguranças. Estava na hora de você do alto do seu poder colocar em pauta um assunto de interesse comum ao mercado.

Todos sabemos que a vida das agências e, em particular, da criação, tem perdido muito de sua graça e tesão na mesma proporção em que cresce do lado do cliente a sistematização burocrática de processos e a necessidade de cumprimento de metas que atropelam coisas essenciais ao ofício da publicidade, como feeling, intuição e coragem.

Você atende clientes como P&G e AmBev e deve sentir isso na pele. Por favor, leve esse debate também para dentro dessas empresas. Está na hora de agências e alguns profissionais que as lideram como você começar a falar NÃO para algumas práticas que estão deixando nossa criação publicitária pobre e óbvia.

Andei escrevendo ultimamente que falta aos nossos líderes assumirem posições firmes e se colocarem publicamente diante de situações e problemas do nosso mercado. Por isso que admirei o tema do seu artigo e espero que ele não seja apenas para causar barulho, mas sim o reflexo sincero de alguém que está incomodado e quer melhorar de verdade a relação entre agências e clientes. Afinal, como você mesmo escreveu “é só ligar a televisão e descobrir o quanto as decisões baseadas em pesquisas que eliminam riscos e conflitos estão gerando campanhas que refletem agendas já estabelecidas e mantêm o consumidor dentro da zona do conforto”.

Pior do que o consumidor são as agências permanecerem dentro da zona de conforto. Por isso, espero que esse seu artigo te entusiasme a trazer à tona discussões positivas para nosso mercado.


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