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Por que o Vale do Silício (agora) ama Trump

Kara Swisher, do Re/Code, revela as razões para esse recém-descoberto amor e mostra como negócios vem sempre antes que ideologia para empresários e investidores.

2 de janeiro de 2017 - 9h24

No dia 14 de dezembro do ano passado, a sedução saiu das preliminares para entrar na fase das vias de fato.

Trump encontrou-se em Nova Iorque com alguns dos mais poderosos e influentes líderes do Vale do Silício. Estavam presentes, entre outros, Eric Shmidt e Larry Page do Google, Tim Cook da Apple, Satya Nadella e Brad Smith da Microsoft, Jeff Bezos da Amazon, Safra Kats da Oracle, Chuck Robbins da Cisco e Sheryl Sandberg do Facebook.

Sobre esse encontro, em brilhante artigo no apagar das luzes do ano passado, Kara Swisher, sócia e editora geral do Re/Code, elenca as razões pelas quais o Silicon Valley ama Trump. Para chegar a seu arrazoado, ouviu vários líderes do setor. E tirou suas próprias conclusões.

Inicia seu artigo não se esquecendo de enumerar antes algumas ameaças ao setor de tecnologia que o novo presidente dos EUA pode representar, como por exemplo, perseguição aos imigrantes que atuam na área (Silicon Valley é uma Babel que abriga indianos, árabes, chineses, brasileiros, enfim, a escória do mundo, certo?). Ou a visão antiquada e retrógrada de Trump em relação a inovação e tecnologia. O esperado acirramento de disputas internacionais de mercado provocadas por uma escalada de práticas protecionistas e, eventualmente, isolacionistas, do novo governo, prejudicando tanto a importação quanto a exportação de insumos, bens, soluções tecnológicas e produtos do setor em geral. Piora de uma situação já totalmente lamentável nas questões ligadas a violação de direitos na área da privacidade digital do cidadão e das empresas, além das investigações invasivas de Estado possibilitadas pelas novas tecnologias (parte delas, registre-se, criadas no próprio Silicon Valley). Por aí vai.

Mas o foco de Kara é o outro lado, que poucos de nós se detém para imaginar.

Empresários e investidores de tecnologia do Vale, raramente em público, admitem que há para eles benefícios caso o palavrório e a verborragia de palanque da Trump forem de fato colocados em prática.

De alguns desses líderes, Kara ouviu coisas como “temos que apoiá-lo, porque nossos negócios continuam, independentemente de termos votado nele ou não”. Numa ótima estritamente empresarial, faz sentido.

Esses mesmos pensadores modernos apontam para o fato de que Trump, ao contrário de Obama e os Bushes, trouxe desde o início para perto de si, como membro permanente de seu staff de alto escalão, gente do ramo – mas do ramo mesmo – como o investidor Peter Thiel (Pay Pal e Y Combinator, membro do board do Facebook, entre outros investimentos). Isso coloca o nível de interlocução do setor com o governo federal em outro patamar. Sem dúvida, outro ponto positivo indiscutível.

Obama sempre foi simpático e também próximo ao setor (lembram-se do encontro que fez com Zukerberg e todos os outros na Casa Branca?), mas não como clara política de Estado, como faz agora Trump. A confirmar, mas parece fazer sentido a percepção dos gestores do Vale.

Acredita-se que Trump irá desregulamentar mais amplamente o setor, deixa-lo menos amarrado a políticas de controle estatal, via agências governamentais, como ocorre hoje. Outro ponto com o qual o pessoal de Silicon Valley se simpatiza.

Há sempre também a considerar o cenário de fundo, que é o fato de, como Dória, Trump ser um empresário. Sabe o que os negócios precisam para crescer.

Por exemplo, ao contrário de toda a grande mídia, os líderes do Vale acham que a nomeação para o cargo de Secretário do Estado de Rex Tillerson, da Exxon, um assumido conservador muito chegado a Putin, uma atitude de quem pensa na política de Estado como um empresário. Ou seja, estrategicamente, em busca da aproximação de mercados que lhe possam ser favoráveis, colocando no cargo para liderar essa tarefa quem sempre fez isso na vida, como alto executivo das empresas em que trabalhou.

E, para Kara, finalmente a principal razão para o apoio e “simpatia” dos capitães do Vale a Trump: a repatriação, como está fazendo o Governo brasileiro, de US$ 3 trilhões que estão no exterior, a taxas de impostos facilitadas. Essa dinheirama toda irá para vários setores, entre eles infra-estrutura, por exemplo. Ou para fixar indústria no País, desestimulando-as a se aventurarem nos mercados externos. Tudo parte de uma suposta e esperada política de empregos americanos para os americanos, como cansou de repetir Trump em sua campanha.

Ora, cada gesto nessa direção implica em investimento pesado em tecnologia. E aí, bem, aí, o Vale estará lá para gerar as soluções que todo e qualquer setor precise para ser mais eficiente e competitivo.

Dá, portanto, para entender porque o Silicon Valley ama Trump. Ética e ideologia? Bem, ficam para um segundo plano.

Não penso da mesma forma. Mas consigo perfeitamente compreender quem pensa.

Ah … e parabéns cara Kara! Brilhante. Isso é jornalismo analítico de primeira linha. Algo que muitos na profissão se esqueceram como é.

 

 

 

 

 

 

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  • Valdir Baptista

    Com relação aos imigrantes que “trabalham” na região do Silicon Valley, não terão problemas, problemas terão quem não for produtivo e só arranjar problemas para o pais…
    Ética, tem que começar pelas empresas, não permitindo negócios exclusos com o governo.