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Por um algoritmo da verdade, já!

A pseudo-isenção ética das plataformas tecnológicas, como Google e Facebook, cai por terra. É hora de mostrar comprometimento com a sociedade que as sustenta.

3 de janeiro de 2017 - 9h11

Falo de um algoritmo tão absurdamente perfeito, que só encontrasse verdades na internet, excluindo informações falsas, calúnias, exageros, etc.

Alguns estudantes dos EUA desenvolveram ano passado um protótipo desse achado. Mas não se ouviu mais falar neles.

Seria então uma espécie de “google” da verdade, se preferir. Sendo que o Google de verdade parece que começa a se preocupar com esse algoritmo, o Facebook também. E isso seria muito bom para o mundo, porque a internet evoluiu sem regras (e aí está parte da sua beleza) para se transformar no maior acervo de conhecimento da Humanidade e também, em paralelo, no maior repositório planetário de lixo humano digital, um lixo real e concreto que, registre-se, o Homem sempre produziu.

Tenho reiteradas vezes comentado aqui que a internet não é a responsável pela produção dessas mazelas podres do gênero humano, ela apenas as reproduz hoje de forma aberta, franca e ampla. Sempre fomos canalhas, pulhas, maus-carateres, ladrões, trambiqueiros, corruptos, assassinos. Sempre. Só que agora estamos diante de um espelho que pela primeira vez nos revela a nós mesmos como nunca antes havia sido possível. Nosso verdadeiro caráter de sempre está nú diante de nossas consciências e nos chocamos diante da constatação de nossa verdadeira identidade.

Pois a pesquisa e desenvolvimento de um buscador da honestidade seria uma experiência mais que bem-vinda. Ia ser perfeito? Possivelmente não. Entraríamos numa discussão ideológica sem fim para determinar quem é que determina o que é ou não verdade? Certamente sim. Mas acho que se esse é o custo, vale a pena.

Sir Martin Sorrell criticou abertamente Google e Facebook destacando que, em sua opinião, ambas são empresas de mídia travestidas, na aparência, em plataformas de tecnologia, mas que na verdade não passam de publishers em essência, já que sua receita vem de publicidade e ambas as companhias são hoje agregadoras e distribuidoras de conteúdo (não produzem nada, mas reproduzem tudo o que podem … e que nem sempre teriam direito). Sendo assim, portanto, seriam sim responsáveis pelo que publicam, como todo publisher. Seja diante dos homens, seja diante das leis, seja diante dos princípios morais e éticos das sociedades em que atuam e de onde retiram seu gordo sustento (este último parágrafo é meu, não do Sir).

Para mim, faz imenso sentido, no mínimo, pensarmos a respeito do tema e trazê-lo para debate. Ele, aliás, já está em todas as manchetes da mídia do trade de marketing e de tecnologia do mundo, hoje. Consulte e veja se não.

Há estudos que demonstram que parte significativa do resultado das eleições dos EUA foi influenciado pelas redes sociais. Facebook foi acusado de dar uma forcinha a Hilary, tendo demitido depois os engenheiros que de fato estavam alterando seu algoritmo para favorece-la.

Fala-se ainda que a Rússia teria distribuído, ela mesma, também pelas redes sociais, informações falsas e caluniosas contra Hilary para contribuir para a vitória de Trump. Na verdade, sabe-se que sim, mas o governo norte-americano e seus órgãos de informação e segurança relutam em admitir uma fragilidade desse tamanho.

Estamos diante da mesma guerra de informações, na maior parte das vezes falsas e forjadas, que vemos acontecer nas guerras armadas reais, em que cada parte difunde o que bem entende, sempre obviamente a seu favor.

Um buscador mega-blaster da verdade nos ajudaria muito na separação do lixo do que de fato nos interessa.

E aí chegamos ao jornalismo, tema que estou relutando muito em tocar porque é para mim particularmente sensível, por motivos óbvios, mas que não vou aguentar e vou ter que acabar falando nele seja como for, correndo alguns riscos inerentes a decisão.

Não vou esgotar nada aqui agora, mas o papel do jornalismo praticado particularmente pelos grandes meios de comunicação e mídia do mundo, e incluo aí um pedacinho de todos eles, tem sido no mínimo tosco em termos de qualidade, eficiência e isenção. O caso Hilary/Trump é o mais emblemático de como a mídia é tendenciosa quando quer. Você acompanhou tudo e sabe do que estou falando.

Salvaguardado aqui o pétreo direito de todo grupo de mídia expressar sua particular e própria posição editorial diante dos fatos e da realidade, o problema é que eles (os grupos de comunicação e mídia) têm expresso, muito mais vezes do que seria de bom tom, suas próprias opiniões (nem sempre em editoriais), lixando-se, principalmente nos temas de fundo, com relação a sua curricular e esperada isenção.

Ou seja, aqueles que sempre se posicionaram como os grandes gatekeapers da idoneidade e da objetividade jornalística (um mito em si, mas esse é assunto para outro post) começam a se revelar muito menos devotos dessa tão alardeada generosidade isonômica, mostrando talvez mais do que gostariam sua real identidade, crenças e princípios.

Estamos vivendo, uma vez mais na história, uma guinada à direita. Não é nenhuma novidade. Assim como já vivemos historicamente guinadas à esquerda.

O conservadorismo dá mostra de um ressurgimento em várias partes do mundo e não se trata de uma ocorrência episódica. É um movimento social de grande peso e de relevância internacional que, tudo indica, se tornará crescente.

Caberá aos “googles”, “facebooks”, além de todas as demais redes sociais, somados aí também todos os órgãos de comunicação, jornalismo e mídia, os chamados publishers – tudo sim no mesmo bolo – exercerem com isenção seu papel de refletir a realidade de ambos os lados, o conservador e o progressista, fora as centenas de tons de cinza que existem e sempre existirão no meio, já que os ânimos vão se acirrar e a bipolarização irá se aprofundar e se espalhar.

Em meio a um mar de lama de tanta desinformação ética, só a guerrilha e a luta pela transparência e pela verdade fazem algum sentido.

Bom, é o que eu acho, né?

 

 

 

 

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