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O que ensinar para uma geração que vai viver mais de 100 anos e cujos empregos futuros nem foram criados ainda?

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O que ensinar para uma geração que vai viver mais de 100 anos e cujos empregos futuros nem foram criados ainda?

Não estamos preparados para ensinar e treinar as futuras gerações. Como fazer?

7 de janeiro de 2017 - 9h49

O ensino básico e o fundamental em todo o mundo, mesmo nos países mais evoluídos, ainda está estruturado por disciplinas, tipo matemática, português, história, etc. Por mais que se altere as formas e combinações desse conceito, fundamentalmente, ele continua sendo o mesmo de séculos. Na verdade, de milhares de anos, desde os gregos.

O mesmo em relação a formação profissional universitária, onde são gerados futuros trabalhadores para profissões clássicas, sendo exceção as escolas que contemplam o preparo para novos cargos e funções que começam a aparecer nas mais diversas indústrias e áreas de atividade do mercado de trabalho.

Tudo isso complicado e piorado ainda mais por um cenário que se avizinha rapidamente, que é o da transformação disruptiva em alta escala de duas variáveis: as próximas gerações viverão mais de 100 anos fácil e a maior parte dos empregos e atividades profissionais do futuro nem sequer foram criadas ainda.

E aí? Você forma quem para o quê? Com que fundamentos? Vai ensinar como?

A Finlândia parece ter saído na frente tendo iniciado já há 4 anos uma transformação total de seu ensino básico escolar que, em 2020, vai eliminar todas as disciplinas tradicionais de sua grade curricular, fundamentando toda a dinâmica de aprendizado inicial das suas crianças em cima de um método chamado 4Cs: Communication, Creativity, Critical Thinking e Collaboration.

Para especialistas em ensino e carreiras como David Hill, editor Chefe do Singularity Hub, essas seriam também as mesmas bases que deveriam ser adotadas para ensinar e treinar os trabalhadores e empreendedores do futuro.

A ideia por trás dos 4Cs é que as pessoas deverão estar preparadas para uma economia em permanente transformação, em que o conhecimento estruturado e padronizado por disciplinas não terá nenhum sentido e não vai auxiliá-las em quase nada. Na verdade, a sociedade em seu todo será muito mais fluída, a aceleração das inovações será muito maior do que vemos hoje e adaptar-se a esse cenário permanentemente móvel será na verdade o grande desafio de professores, estudantes e profissionais já no mercado de trabalho.

Crianças, jovens e adultos que já trabalham terão que estar preparados para resolver problemas novos praticamente a cada dia, ou seja, o ensino e o treinamento precisa deixar de transmitir conhecimentos estáticos. Um desafio que hoje nem imaginamos como resolver.

Mas há indícios. Um deles é o de que as crianças deverão ser estimuladas a serem empreendedoras desde sempre. Auto-suficientes onde estiverem e em qualquer ambiente em que atuarem.

No diagrama que você pode ver aqui vemos três pilares, numa idealização preparada pela Singularity University. O primeiro é o que compõe a grade do ensino e atividades econômicas hoje. O segundo são os 4 Cs. O terceiro relaciona as habilidades que os alunos, profissionais e empreendedores de negócios deverão ter no futuro próximo. Coisas como adaptabilidade permanente, iniciativa, curiosidade, etc.

A ideia que fundamenta a base de toda essa nova concepção é que não haverá cursos e treinamentos com começo, meio e fim, porque nada em verdade terá fim. Ou seja, conceber no futuro que um determinado conhecimento foi definitivamente transmitido e aprendido não caberá mais. O conceito que desponta é o do aprendizado constante. E sem fim.

Isso implica em escolas e universidades completamente diferentes das que temos hoje, se é que elas existirão como as conhecemos hoje, no futuro.

Idem no caso da formação e treinamento profissionais. Numa realidade em constante transformação, o aprendizado permanente é o oxigênio sem o qual as pessoas não sobreviverão.

Não temos como saber hoje onde isso tudo vai dar. Sabemos apenas que todo o aparato que nos serviu como base de acesso ao aprendizado e ao conhecimento estão prestes a mudar e em muito breve não nos servirá mais.

Saber isso é importante para estarmos com a cabeça permanentemente aberta para saber que o nível de transformação que está a caminho será profundo, disruptivo e permanente. Já é alguma coisa.

 

PS.: Obrigado Alon Sochaczewski que me inspirou sem saber para este artigo. Obrigado ainda ao MIT e a Singularity University, que estão sempre abrindo nossos olhos para a ideia de que não sabemos nada de fato sobre o futuro. Isso me faz acordar mais feliz todos os dias.

 

 

 

 

 

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