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O que é Singularidade?

Ela promete um futuro em que não morreremos e em que nossos cérebros poderão ser acessados por download. Mas pode ser também nosso fim.

11 de março de 2017 - 10h16

Singularidade é quando as máquinas forem mais inteligentes que os seres humanos.

Se você não quiser saber nada um pouquinho mais profundo sobre o assunto, basta saber isso.

A previsão dos cientistas é que isso aconteça em 2045. Ou perto disso.

Para você que quer saber um pouco mais sobre o tema – o que recomendo profundamente – vale seguir lendo aqui mais algumas coisinhas.

Tem uma vasta literatura para ser consultada a respeito, mas existem dois livros que são clássicos no tema, ambos do mesmo autor, Ray Kurtzweil.

O primeiro é “The Age os Spiritual Machines”, escrito em 1998, mas que parece ter sido escrito ontem. Nele o autor defende sua ideia central de que homens se transformarão em máquinas e vice-versa. E que isso não é nem bom, nem ruim. Simplesmente vai acontecer como apenas mais um passo natural da nossa evolução, como no momento em que evoluímos dos macacos. Simples assim.

O outro é “The Singularity is Near”, que é o livro onde ele detalhadamente nos conta como, quando e com que profundidade as máquinas evoluirão e finalmente ultrapassarão a inteligência humana. E o que virá depois disso.

Em ambos, a ideia básica é que nossa biologia chegou ao seu limite evolutivo e que o prosseguimento da vida passa por nos transformarmos em máquinas, dando ensejo então ao surgimento do que ele chama de “human-machine civilization”. Em suas palavras … “esse é nosso destino, ao qual passamos a chamar de Singularidade”.

E por que chamamos de Singularidade?

Foi a expressão escolhida pelos teóricos para determinar o momento em que algo tecnologicamente inusitado vai ocorrer em nossas vidas, um acontecimento realmente inédito, e portanto, singular. Um fato incomum, único, jamais imaginado. Um limite nunca atingido. É isso.

Para entender a Singularidade é também fundamental entender o conceito de Exponencialidade.

Exponencialidade é o aumento vertiginoso das conquistas tecnológicas, quando a curva de avanços e disrupção que se acumularam ao longo de anos em nossa história atingirá um ponto de inflexão a partir do qual vai escalar em velocidade exponencial. Veja a curva abaixo:

EXPONENCIALIDADE

É esse conceito que dá embasamento a Singularidade e a sua velocidade. E que permite a projeção no tempo que os cientistas fazem sobre quando tudo isso vai explodir, o tal ano de 2045.

Para se ter uma ideia, se formos ter como base os avanços registrados pela ciência e conhecimento humano, digamos, este ano, e atribuirmos o índice aleatório de 1 a soma desses avanços, quando a Singularidade vier, estaremos vivendo um momento de índice 1.000, num período equivalente. Algo que nem conseguimos imaginar, portanto.

Como cita Ray: “O que acontecerá quando 1000 cientistas, cada um deles 1000 vezes mais inteligentes dos que os de hoje, cada um deles operando seus avanços a uma velocidade 1000 vez mais rápida do que hoje, estiverem produzindo novas descobertas?”.

Ainda nessa linha da cronologia das coisas, uma pista que Ray nos dá é que teremos a capacidade computacional (hardware) instalada suficiente para emular a inteligência humana ao final desta década. Ou seja, 2020. Teremos adicionalmente a capacidade de software necessária para emular a inteligência humana em 2025. E que a partir desses dois fatos conjuntos, a superação da capacidade de inteligência das máquinas sobre a dos seres humanos avançará muito rapidamente. Tá bem pertinho, portanto.

Pelas próprias palavras do autor

Vou passar a citar agora alguns trechos do seu segundo livro, que fala especificamente sobre Singularidade. Você vai montando aí seu próprio quebra-cabeças (quem sabe, sua dor de cabeça).

“A Singularidade vai nos permitir ultrapassar os limites humanos de corpo e mente e viveremos para sempre, sem jamais envelhecer.”

“Nossa inteligência não-biológica (quando formos máquinas) poderá fazer o download de habilidades e conhecimento de outras máquinas e, eventualmente, de outros seres humanos.”

“Uma vez que as máquinas tiverem acesso ao processo de criação dos serem humanos e ao processo de criação das próprias máquinas, elas passarão a criarem-se a si mesmas.”

“Nanobots vão interagir com nossos neurônios biológicos e seremos todos dotados de Realidade Virtual natural dentro do nosso sistema nervoso.”

“Como as experiências de Realidade Virtual vão se misturar com as da realidade real, não saberemos mais em que realidade estaremos vivendo.”

“Fazer o upload de um cérebro humano significará capturar toda a personalidade de uma pessoa, sua memória, habilidades e história, e colocar tudo isso em um outro cérebro.”

“Como um cérebro precisa de um corpo, a partir da metade do século 21, teremos corpos não-biológicos da nova civilização homem-máquina para nos apropriarmos e fazermos as devidas adaptações.”

“Em 2030, seremos mais máquinas do que homens, seremos cyborgs.”

“Apesar de tudo isso, a meu ver, continuaremos a ser humanos. Teremos apenas ferramentas para aumentar nossas capacidades e reprogramá-las. Se continuarmos parte de uma civilização que evoluiu a partir da nossa civilização humana, continuaremos a ser humanos.”

“Se o meu ser humano-máquina pode ser integralmente reprogramado, depois da reprogramação, ele continuará sendo eu? Se será possível fazer cópias de mim, quais delas continuarão a ser eu mesmo? E se destruirmos o original, as cópias substituirão esse original ou eu terei deixado eternamente de ser eu? Em que ponto eu me torno outra pessoa e deixo de ser eu? Essas questões certamente aparecerão em muito breve. Sobre elas, é importante ressaltar que, por exemplo, a maior parte das nossas células se reciclam a cada semana. Nossos neurônios reformulam todas as suas moléculas a cada mês. As proteínas que dão força aos nossos neurônios são substituídas a cada hora. Assim, somos seres completamente novos a cada mês. Somos apenas um padrão que se replica. Eu deixo de ser eu mesmo por conta disso todo mês? A real pergunta deve então ser: quem sou eu?”

Para finalizar, uma frase de outro cientista, Nick Bostrom, de seu livro “Ethics for Intelligent Machines”, de 2001: “O substrato (a matéria) é moralmente irrelevante. Não tem a menor importância, do ponto de vista moral, se alguém acontece a partir de neurônios biológicos ou de silício, assim como moralmente não deveria importar se um ser humano é branco ou negro. Nas mesmas bases em que rejeitamos o racismo, deveríamos rejeitar o bioismo, ou o chauvinismo do corpo exclusivamente feito de carbono”.

Desnecessário dizer que estamos diante da mais radical das teorias que o Homem jamais elaborou. Há quem tenha certeza, entre eles Stephen Hawking, Elon Musk, Bill Gates e muitos outros cientistas e pensadores, que este é o fim do mundo como conhecemos.

Na verdade, Ray Kurtzweil e demais cientistas que se alinham com a Singularidade, não discordam disso.

Apenas não parecem muito preocupados de que isso vá de fato acontecer.

 

 

 

 

 

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  • Marco Godoi

    Incrível….