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Monsieur Sadoun tem cacife para bancar a aposta que fez em Cannes?

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Monsieur Sadoun tem cacife para bancar a aposta que fez em Cannes?

O jovem dirigente francês é determinado e defendeu fortemente sua tese e decisão de saltar fora dos prêmios em evento em Londres. Mas até quando vai segurar a peteca?

7 de julho de 2017 - 8h24

Dificilmente. Com um jeitinho brasileiro adaptado a fleugma francesa, o mais alto dirigente do grupo Publicis vai ter que ir voltando atrás. Aos pouquinhos, mas determinadamente. Ele de fato fez uma “baianada”, usando aqui a expressão cunhada por Nizan Guanaes e que todos lemos no M&M.

A organização do evento espertamente chamou para compor o seu conselho de revisão do evento alguns dos maiores clientes do Grupo Publicis. Pressão. Não há criativo e demais funcionários do grupo, internamente, que não esteja descontente com a decisão. A pressão interna sobe. Não tenho informações, mas suponho que mesmo acionistas devam estar com as barbas de molho e pensando se, de fato, a alegação de que a economia que faria a corporação não investindo em festivais e apostando em tecnologia valeria a pena. Não do ponto de vista da operação em si, mas do valor das ações. Isso porque a imagem do grupo anda pagando um preço, ainda sem cálculo possível, pela decisão aparentemente intempestiva do jovem líder do Publicis. Mais pressão.

Investir mais em tecnologia é um must para toda empresa de comunicação hoje. Tipo, vir a público e declarar: “Vou investir em papel higiênico!”. É a mesma coisa. Não dá para deixar de investir em certas coisas hoje em dia.

Em evento esta semana em Londres, recheado de marqueteiros, Sadoum, ao contrário do que exponho aqui, defendeu fortemente o sucesso do projeto Marcel. O tal de tecnologia. Inteligência Artificial mais propriamente, segundo informações da imprensa em geral. Disse que não se importa se vai ficar no cargo ou não e que não importa o que digam: que ele vai seguir firme em sua determinação.

Boa sorte, mas de novo… vai ser bem difícil.

Em um momento de contraponto, afirmou: “”I am a big fan of Cannes. I owe my career to Cannes. I’ve been on stage to collect an agency of the year award four times. I am what I am because of creativity and Cannes has a big part to play in that.”

Nenhum profissional de comunicação e marketing seria o que é hoje, em nenhum lugar do mundo, se não fosse a criatividade publicitária. Já disse isso em artigo anterior. Alguns nem sequer existiriam para o mundo. Sadoum e todos nós idem.

Ninguém deseja a queda do jovem Sadoum. Ele deve ser, suponho, um brilhante profissional, ou não teria chegado onde chegou. Mas o Publicis e toda nossa indústria precisamos de Cannes e dos demais festivais de criatividade. É nossa máxima identidade.

O que não quer dizer que ele não esteja certo quando diz que a indústria de marketing e comunicação tem sido caudatária e lenta na adoção de tecnologia. Isso também cansei de dizer aqui.

A simples, mas muuuuito simples questão é: um não viverá sem o outro jamais daqui para a frente.

Tenta não investir em papel higiênico.

 

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