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CI&T compra agência nos EUA. Por quê? Qual o significado para o mercado?

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CI&T compra agência nos EUA. Por quê? Qual o significado para o mercado?

CI&T é uma empresa de tecnologia nascida no polo industrial de Campinas com atuação nos cinco continentes. Acaba de comprar a Comrade, uma agência, nos EUA. O que está acontecendo com a CI&T? O que está acontecendo com nosso mercado? O CEO da empresa, Cesar Gon, revela com exclusividade para ProXXIma um pouco dessa nova realidade, que é da CI&T mas reflete toda a nossa indústria.

Pyr Marcondes
6 de agosto de 2017 - 12h36

Por Pyr Marcondes

A pegada da CI&T pode ser sintetizada em dois conceitos: Lean Digital Transformation é o geralzão, o conceito guarda-chuva que incorpora claramente a metodologia e os processos Lean, ou seja, a dinâmica que lança mão de Canvas para planejamento, seguido de sprints rápidos que transformam longos processos de desenvolvimento em tiros curtos de módulos menores; protótipos são testados e aprovados antes de serem efetivamente colocados em mercado; e um outro, que quem visita o Prisma, sede-mater da empresa, pode ler na parede, na forma de uma hashtag … #amazinglyfast, ou seja, incrivelmente rápida.

É assim que as empresas de tecnologia e consultoria tecnológica hoje em dia vêem o mundo: eficácia casada com rapidez, em que qualidade se assegura por processos sofisticadamente precisos, e a verdade do mercado é incorporada na veia e faz parte da planilha de desenvolvimento. Nesse novo ambiente errar é desejável e tem que ser rápido, porque isso aprimora os processos e a operação das companhias. E dos seus projetos.

A Comrade, agência especializada em Design Estratégico adquirida pela CI&T nos EUA, é uma agência, só que com sotaque de consultoria de design thinking e dados. É um passo da companhia na direção da incorporação de skills consultivos adicionais. Com a aquisição a CI&T espera ficar ainda mais próxima do ecossistema do Vale do Silício e reforçar seu posicionamento Lean Digital.

Esse processo de expansão internacional é liderado na companhia por por Leonardo Mattiazzi, vice-presidente de inovação global, que abriu operações da empresa em vários países do mundo (hoje, além dos EUA, também UK, Japão, China e Austrália).

Da esquerda para a direita, Cesar Gon, fundador e CEO da CI&T, Thelton McMillian, sócio fundador da Comrade, Leonardo Mattiazzi, VP de Inovação Global da CI&T (de pé) e Bruno Guiçardi, Presidente da CI&T para os EUA.

Importante destacar que a CI&T é única em sua estratégia, mas em verdade faz parte de um movimento maior e mais abrangente em que empresas de tecnologia se aproximam consultivamente do mundo do marketing, enquanto na outra mão, consultorias mais clássicas mergulham também no mundo tecnológico, igualmente em busca de se posicionarem na indústria de comunicação e marketing.

Em entrevista exclusiva a ProXXIma, o CEO da empresa Cesar Gon conta um pouco dessa trajetória. E ao revelar seus pensamentos sobre o mercado e contar cases da CI&T está, em verdade, também, contando um pouco desse novo capítulo da história de sincretismo cultural e conceitual das empresas prestadoras de serviços para o mundo corporativo dos novos tempos.

ProXXIma (P) – A CI&T adotou seu novo posicionamento usando Lean & Agile como processos. O que isso significa? 

Cesar Gon (CG) – Com um histórico de mais de duas décadas de crescimento acelerado, a CI&T começou sua própria transformação digital há cerca de 10 anos, quando apostou no redesenho do seu modelo de liderança e desenvolvimento de pessoas com base no pensamento Lean. Em paralelo, tirou proveito da sua atuação no competitivo mercado dos EUA (incluindo parcerias com empresas icônicas do Silicon Valley) e desenvolveu competências essenciais ao mundo digital, incluindo Mobile, Digital Marketing, Cloud, CX/UX, Analytics, IoT, Machine Learning e Cognitive. Foi da inédita combinação desses dois conjuntos de competências, Lean e Digital, que nasceu a abordagem para acelerar a velocidade e a inovação em grandes empresas em até 10 vezes. 

P – Vim aqui convidado por vocês para conhecer o Prisma. O que é o Prisma?

CG – O Prisma é a materialização dessa nova proposta de valor, que representa a visão de uma multinacional brasileira, que é o que somos hoje, de como devem evoluir os espaços corporativos voltados para aprendizado e colaboração. Desde então, a CI&T tem recebido visitas constantes de CEOs, CIOs e CMOs aqui interessados na experiência Lean Digital da companhia, para entender como seus negócios podem ser mais ágeis, velozes e competitivos.

PQuais projetos você considera emblemáticos dessa nova postura da CI&T. Você consegue nos contar em detalhes para exemplificar com clareza para meus leitores do que estamos falando?

CG Vou citar dois. O primeiro é o que chamamos de transformação digital da DASA. A DASA é a maior empresa de Medicina Diagnóstica da América Latina e a quarta maior do mundo. Mira no crescimento de mercado e selecionou a CI&T como parceira estratégica para acelerar seu processo de transformação digital e tornar-se mais ágil e disruptiva em seu segmento. Seus planos de expandir participação de mercado preveem um importante processo de transformação do negócio como a digitalização da jornada do paciente. A DASA entende a importância dos dados de seus pacientes e é com a transformação de seu negócio em um negócio digital que pretende oferecer serviços exclusivos, diferenciando-se do que se vê na área.  Como parte das iniciativas de acelerar sua transformação digital, a CI&T apoiou a DASA na realização de Hackathons, com o objetivo de conectar a companhia com um universo de mentes inovadoras, dentro do conceito de open innovation. Por isso, reuniu profissionais em um formato de maratona de ideias voltadas a melhorias em serviços e até em novas soluções de saúde à sociedade. O objetivo dos Hackathons é proporcionar à DASA uma imersão em um espaço provocativo e inovador, onde os participantes colocam a mão na massa para criar aplicações que resolvam problemas reais na área de medicina diagnóstica. Grandes ideias podem surgir entre os participantes. Além disso, a dinâmica é uma oportunidade para que a DASA identifique novos talentos, motivados a abraçar a estratégia de crescimento rápido da companhia e a missão de construir soluções completas, combinando diversas competências, num processo contínuo de desenvolvimento e colaboração entre equipes. 

O outro projeto que considero emblemático é o de Lean Digital Transformation que estamos promovendo no Itaú e que tivemos oportunidade de apresentar no palco do seu evento ProXXIma. Nosso objetivo lá é ajudar na transformação digital completa do banco de ponta a ponta. Identificar o que é valor para a empresa e para o cliente; ter ciência sobre qual o gap de experiência que existe e enquanto empresa ou marca precisa atender (um fundamento simples, mas complexo na hora de implementar de fato). A mudança de cultura no Itaú rumo ao digital começou com um grupo pequeno e pequenas iniciativas e, agora, a instituição tem dado escala a isso, uma vez que a empresa tem 90 mil colaboradores e enfrenta o desafio de fazer uma empresa desse porte atuar com a agilidade de uma startup. Para isso, a cultura digital do Itaú segue seis premissas: cliente no centro de tudo, colaboração, foco na criação de valor, abertura genuína para experimentação, orientação a dados e busca incansável pelo melhor modelo de negócio. O novo mindset tem dado resultados e fazendo o banco conseguir realizar entregas mais rápidas às demandas de seus clientes.

P – A CI&T faz parte de um movimento maior e bastante emblemático de transformação das consultorias e companhias de tecnologia modernas. Como você analisa esse movimento?

CG – A CI&T tem ampliado competências no Brasil e nos Estados Unidos para ir muito além e entregar valor aos seus clientes no mundo digital. Por isso, tem apostado em ofertas que combinam frentes multidisciplinares para turbinar a transformação digital de seus clientes. Temos expandido áreas que unem conhecimentos em estratégia de negócio e produtos digitais, design, plataformas, IoT (Internet das Coisas), marketing e inteligência artificial para entregar soluções completas e mais inovadoras. O Marketing Studio da CI&T é um exemplo, conduzindo processos de criação de ofertas que combinam estratégias de marketing às de tecnologia.

Nesse contexto de mudanças significativas, as empresas de serviços consultivos e de tecnologia se reposicionam, mas enfrentam também o desafio de ir em busca de novas formas de negócios que ainda não dominam por completo e cujo modelo de receita está sendo criado. A rentabilidade dessas companhias é um assunto.

Como a CI&T está se saindo nesse cenário? Quem responde é Marcelo Trevisani, CMO da empresa: “A receita anual do grupo superou a marca de R$ 400 milhões em 2016, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior. A expectativa é ultrapassar a marca de R$ 500 milhões em 2017, conciliando crescimento de receitas tanto no Brasil quanto nos mercados internacionais – as exportações responderam por 40% da receita no último ano e especificamente nos mercados asiáticos, China e Japão, a multinacional brasileira registrou crescimento de 50%. A meta da CI&T é continuar apoiando as grandes corporações a se tornarem empresas mais ágeis e mais digitais. Apesar do conturbado ambiente econômico, a CI&T mantém a estratégia de continuar dobrando o tamanho da empresa a cada três anos.

Trevisani lidera o processo de reposicionamento da marca nos novos mercados e construiu o Marketing Studio: “O Marketing Studio tem a missão de conduzir processos de criação de ofertas que combinam estratégias de marketing e analytics as de tecnologia, para acelerar resultados de ações e campanhas. A CI&T tem colecionado cases de sucesso nessa empreitada de entender a jornada do usuário no ecossistema digital, construindo pontes para engajar consumidores em suas novas relações com as marcas”, detalha ele. E acrescenta: “Estamos conectando a compra da Comrade com o Marketing Studio, que já faz esse tipo de trabalho aqui no Brasil, ampliando na CI&T a visão de dados, comunicação e marketing digital”.

A CI&T tem entre seus principais clientes Coca-Cola, Itaú, DASA, J&J, Natura, Ancar, Alelo, SulAmérica. Tem hoje, após a Comrade, 2.500 colaboradores nos cinco continentes.

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