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Digital é droga?

Não há mais como varrer o problema para debaixo do tapete: nossas vidas digitais têm hoje fortes indicadores de dependência psico-eletrônica. Não percebemos, nem paramos para avaliar, mas estamos nos tornando adictos digitais. O impacto disso pode ser enorme. Mais do que na hora de pararmos para refletir sobre o assunto. De verdade.

29 de janeiro de 2018 - 8h43

Mark Sullivan, articulista da Fast Company, defende em artigo recente que fabricantes de gadgets e apps tomem tento na vida cuidando para que os aparatos que fabricam não induzam crianças e adultos ao vício e a dependência. Para evitar que sejam regulados como cigarros.

A dependência humana da interação digital é um fato, não mais uma especulação. E não só através de gadgets e apps, como alerta Sullivan, mas em todas as suas formas, incluindo aí toda a interação via web, nas suas mais diversas variações.

O articulista diz que num jantar do qual participou em Davos, dividindo mesa com George Soros, que o mega-investidor teria dito que as empresas de tecnologia digital hoje deliberadamente “engenheiram” a dependência.

Seu amplo e excelente artigo envereda pelas redes sociais e celulares, citando empresas como Apple, Facebook, Google, Twitter, entre outras, como envolvidas diretamente na questão.

Fala ainda em danos irreparáveis ao cérebro das crianças.

Bom, não há ainda claro consenso legal sobre nada disso, embora haja já considerável aparato científico embasando a tese de que o digital induz ao vício do uso. Exatamente como o cigarro.

As definições clássicas dos dicionários não contemplam a overdose digital como droga. Talvez nunca contemplem.

Mas quando lemos nelas que droga é aquilo que intoxica e gera dependência, e olhamos para nós mesmos e as pessoas a nossa volta, todos doidinhos de digital, não há como negar. Estamos diante de uma espécie de anfetamina eletrônica onipresente em nossas vidas, que se injeta nos nossos cérebros por ondas e cabos, corre por nossa corrente sanguínea promovendo uma prazerosa sensação de satisfação, que nos estimula a continuar seu uso recorrente, sem o qual muitos de nós sofrerá inequívoca síndrome de abstinência.

Exagerei? Não, né?

Não se quer aqui acabar com o mundo digital, obviamente, mas abrir uma ampla discussão sobre seus domínios, seus excessos e seus limites.

Droga tem em cada esquina e nem por isso todo mundo é drogado.

Digital tem em todo lugar também, mas nem por isso todo mundo precisa ficar doidão de zeros e uns.

Zero hipocrisia aqui. Muita informação, zero preconceito. Muita reflexão. Extensa discussão. É o que precisamos.

Mas atenção, não faça como todo viciado que nega sua adição: todos temos um dependente digital potencial ou já ativo dentro de nós.

Não cabe ignorá-lo, nem desconhecê-lo. Até porque tem nossas crianças aí no meio, correndo riscos com os quais ainda não sabemos lidar, nem suas dimensões.

Nunca mais viveremos sem o digital, nem a internet. Nem por isso precisamos viver com seu lixo podre.

 

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