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A celebração da Abundância e a inevitabilidade do homem-máquina

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A celebração da Abundância e a inevitabilidade do homem-máquina

No evento Abundance 360/Rio, que está acontecendo entre ontem e hoje no Copacabana Palace, um dos fundadores da Singularity University, Peter Diamandis, fala sobre a Era da Abundância, em que todos os males da Humanidade simplesmente deixarão de existir. E dá deixas de como será o futuro em que máquinas e Inteligência Artificial serão protagonistas. Eu, da minha parte, acrescento aqui alguns pensamentos e medos muito pessoais.

31 de agosto de 2018 - 8h27

Em 25 anos, nosso cérebro estará conectado na nuvem. A partir daí, os seres humanos viverão um momento singular único, em que não saberemos mais o que pode acontecer dali em diante (em matemática, um número singular é aquele que não podemos determinar mais seu valor).

Até lá, teremos vivido décadas de abundância, em que todos os grandes problemas da Humanidade de hoje (fome, miséria, aquecimento global, todo tipo de escassez de energia e água, etc) terão sido eliminados. Essas décadas já começaram e não estamos percebendo.

A Era da Abundância será possível pelo avanço exponencial da tecnologia, que também já começou.

Essa é a síntese mais sumária possível do Abundance 360, evento que está acontecendo aqui no Rio ontem e hoje, no Copacabana Palace, organizado pela Steiner Consultoria e Experience Club, para um grupo seleto de apenas 150 pessoas, e que tem como estrela máxima Peter Diamandis, o mestre criador da Singularity University, um médico de formação e um evangelista do futuro por missão.

O Abundance 360, em verdade, não é um evento. Pelo menos não é apenas um evento. É uma plataforma de difusão de pensamentos avançados e novas práticas tecnológicas, que reúne lideranças do mundo corporativo, acadêmico, de investimentos e científico, além de todo possível interessado em temas disruptivos do Planeta.

A plataforma ocorre online o ano todo e você ingressa nela a partir do momento em que se inscreve nas realizações de Peter e seus parceiros mundo afora.

A ideia de Peter e seus parceiros brasileiros é que ele volte ao Rio ano que vem, atualizando a todos sobre os avanços e tendências para os anos que virão.

Você pode dar uma espiadinha no que se discute e se difunde sobre o movimento assinando a newsletter da plataforma (eu já fiz isso há mais de um ano e recomendo fortemente que você faça também … clique aí e divirta-se).

Nela, recebemos doses generosas de informações sobre todos os avanços da ciência e tecnologia globalmente, que embasam na prática a tese da abundância e de como ela já está em andamento.

Fim da escassez e como isso já está acontecendo

Os presentes ao Abudance 360 no Rio tomam um banho de informações logo de cara, quando Diamandis nos elenca um sem número de números, estatísticas e fatos indicativos de como vivemos já, hoje, sem notar, num mundo incomensuravelmente mais bem resolvido em seus problemas mais básicos do que experimentamos em séculos.

Vamos a alguns desses indicadores.

A queda no índice de pobreza.

O aumento dos alfabetizados.

A queda na mortalidade infantil.

O incremento na expectativa de vida.

A queda no número de filhos por família … Peter afirma que a população mundial atingirá 10 bilhões de pessoas nos próximos anos e que, depois, essa taxa vai decrescer, afastando, portanto, um dos fantasmas globais de hoje, que é o da super-população do Planeta, com as consequentes faltas de água e alimentos, que ele afirma enfaticamente que não ocorrerão.

A queda no número de guerras.

Quem tem contribuído fortemente para esse avanço é a tecnologia e seus avanços disruptivos, nos ensina ele. Esses avanços se aceleram cada vez mais, numa curva que Peter e seu sócio na Singularity e na filosofia de vida, Ray Kurzweil – ele o cientista e fomentador teórico de toda o pensamento da escola – chamam da curva da exponencialidade. Que você certamente já viu por aí. É essa aí abaixo.

Ela mostra o pensamento linear tradicional (linha vermelha), que é aquele que vem de fábrica no nosso cérebro de seres humanos desde que passamos a existir na Terra, mas que está sofrendo um revés gigantesco com a aceleração dos avanços da ciência (em amarelo).

O ponto de inflexão disso é que, em algum momento, possivelmente em 25 anos, nossos pobres cerebrinhos não conseguirão mais entender porra nenhuma.

Até mesmo a Lei de Moore, celebrada tese do ex-presidente da Intel, Gordon Moore – segundo a qual a capacidade de armazenamento e processamento dos chips dobraria a cada 18 meses, sem aumento de custos – está indo pro brejo, porque a velocidade e capacidade de nano- produzir chips e circuitos integrados já está andando hoje muito mais rápido do que isso.

E então, nos conta Peter, virá a computação quântica, que colocará toda essa lógica no chão, e os nossos tão conhecidos zeros e uns da computação clássica serão superpostos por uma capacidade computacional não mais sequencial, mas simultânea, em que várias informações são processadas ao mesmo tempo. Será ela a amiga dileta da Inteligência Artificial nos avanços exponenciais que levarão a Era da Abundância aos seus picos mais altos. Ao menos aqueles que Diamandis e Kurzweil conseguem prever hoje.

Nem eles sabem o que virá depois.

Sobre o que virá depois

Enquanto nos brinda com conhecimentos sobre o estágio de avanço tecnológico da nanotecnologia, computação quântica, Inteligência Artificial, carros conectados, impressão 3D, realidades imersivas como AR e VR, Peter fala também, embora sutilmente, no evento, assim como em seu best seller Abundância – O Futuro é Melhor do que Você Imagina (que igualmente recomendo a leitura, além do clássico de Kurzweil, “The Singularity is Near”) que há, sim, pontos de interrogação e até de preocupação no horizonte da abundância, com tanta tecnologia jorrando pelo ladrão.

Em seu livro, dedica parte das páginas finais a endereçar esses medos, que são fundamentalmente o risco das máquinas sobrepujarem o Homem, enquanto somos hackeados por elas sem fim, até sua dominação final.

Esse é o pavor que toma conta de tantos quantos leem as duas obras ou, principalmente, os que ouvem as palestras de Kurzweil, como tive já o privilégio de ouvir três vezes na vida.

Peter nos alerta que, se os avanços são exponenciais, há também a chance iminente do que ele chama de “perigos exponenciais”. No livro, ele cita o hacking, o risco de disseminação em massa de vírus tecnologicamente muito mais avançados do que as vacinas podem enfrentar, ou ainda, a tal e tão famigerada dominação da raça humana pelo robôs e a Inteligência Artificial, já que ela tem capacidade de aprendizado que independente dos seres humanos, a partir de um determinado estágio evolutivo, que já atingimos.

Peter cita em sua obra um excelente artigo clássico sobre o tema, escrito em 2000 pelo cientista e colaborador da Wired, Bill Joy, intitulado “Why The Future Doesn´t Need Us”, ou porque o futuro não precisa de nós, que você pode ler aqui,  em que essa última preocupação é protagonista.

Joy alerta exatamente para o risco do domínio das máquinas e propõe a desaceleração de todo avanço tecnológico que posso caminhar nesse sentido.

Too late, Joy. Já foi. Não dá mais pra parar.

A opinião de Peter e Kurzweil sobre isso é que a abundância e o inevitável avanço da evolução científica e tecnológica não só não são mais passíveis de interrupção como (principalmente Kurzweil) nossa transformação em máquinas, nós mesmos, deverá acontecer em menos de três décadas, fazendo isso parte inerente da nossa evolução enquanto espécie, quando teremos chegado então ao limite da nossa existência e capacidades biológicas, para, finalmente, evoluirmos para um estágio superior (entende Kurzweil), em que seremos, de fato, robôs. E deu.

Cito a seguir dois trechos do The Singularity is Near, só para ilustrar como pensa Kurzweil sobre isso.

“The nonbiological intelligence created in 2045 will be one billion times more powerful than all human intelligence today.”

“…scanning the brain to upload it. Uploading a human brain means scanning all of its salient details and reinstantaining those details into a suitably powerful computational substrate. This process would capture a person´s entrire personality, memory, skills and history. If we are truly capturing a particular person´s mental processes, then the reinstantiated mind will need a body, since so much of our thinking is directed toward physical needs and desires … by the time we have the tools to capture and re-create a human brain with all of its subtleties, we will have plenty of options for twenty-first-century bodies for both nonbiological humans and biological humans who avail themselves of extensions to our intelligence. The human body version 2.0 will include virtual bodies in completely realistic virtual environments, nanotechnology-based physical bodies and more”.

Ou seja, eu, você e todo mundo, robôs. A libertação final.

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