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Nike sobe a barra e coloca política frontalmente no mundo das marcas

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Nike sobe a barra e coloca política frontalmente no mundo das marcas

Marcas podem assumir claramente seu posicionamento político? Sob todos os riscos de uma decisão assim, podem. Cada vez mais é possível que tenha que ser assim, aliás. Marcas assépticas tenderão a ser marcas fora do baralho. A sociedade exigirá delas um comprometimento ideológico que nunca esteve antes no cardápio cotidiano dos gestores de marketing até hoje. Nike entrou nessa briga. Vejamos onde vai dar.

10 de setembro de 2018 - 8h44

Marketing não é uma ciência política, mas marketing é uma disciplina social. E nada social pode deixar de ser político. Pronto, dançou, marketing!

Essa é uma armadilha conceitual que as marcas souberam muito bem driblar até hoje, buscando manter-se isonômicas e distantes de qualquer envolvimento de caráter claramente político.

Isso começou a mudar com a adoção, por parte de várias marcas em todo o mundo, de posicionamentos mais claros em defesa da sustentabilidade ambiental e, mais recentemente, de causas ligadas a igualdade de direitos diante da diversidade de gêneros.

Só que o cardápio é bem mais profundo e variado do que apenas isso. E a fronteira imediatamente seguinte é a que a Nike acaba de romper com sua campanha Dream Crazy, que é posicionar-se, como sempre fez, pelas superações pessoais e sociais que o esporte pode promover, mas também postando-se politicamente de forma aberta contra o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, seu ideário uber-conservador e a opinião de milhares, talvez milhões, de norte-americanos consumidores, que apoiam Trump.

Ao dar destaque a questão da equidade nessa campanha e, mais particularmente ainda, por dar voz e imagem ao jogador da NFL Colin Kapernick, abertamente criticado por Trump e um monte de gente em redes sociais (por ajoelhar-se durante a execução do hino nacional dos EUA antes do jogos, como gesto de protesto contra o racismo), a marca assina comercialmente em sua campanha um statement público contra o poder institucional estabelecido na Casa Branca.

Não é pouca coisa.

Como você acompanhou, não só muita gente foi contra a campanha da Nike, como tênis da marca foram queimados em protestos populares contra seu apoio a Colin (afastado da NFL por sua postura e sem emprego há mais de um ano por não abrir mão de seu posicionamento).

Isso vai dar ainda pano pra manga e outras marcas serão pressionadas pela sociedade a adotarem posturas ideológicas claras, pode estar certo disso caro (a) leitor (a).

Um âmbito novo e um novo desafio para o marketing, em que o político deixa de ser um campo neutro, para se tornar um ambiente mercadológico de batalha. Altamente minado.

 

 

 

 

 

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