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De Olhos Bem Abertos

Quando olhamos de uma forma mais distanciada, a grande revolução que estamos vivendo é a do acesso e produção de informação

7 de fevereiro de 2017 - 18h32

Por Luis Fichman*

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Feche os olhos por um momento. O quanto sua vida mudou nos últimos vinte anos? Pense em um mundo sem redes sociais, sem aplicativos de busca ou troca instantânea de mensagens. E, agora, já pode abrir os olhos. Que mundo sem graça o de 1997, não é mesmo?

Mas, veja bem, a grande questão é: para além do mundo dos aplicativos, o que muda, de fato, para nós, consumidores?

Quando olhamos de uma forma mais distanciada, a grande revolução que estamos vivendo é a do acesso e produção de informação. Todos nós, hoje, temos capacidade de acessar e alimentar dados em tempo real, criando uma democratização do conteúdo, com informação acessível por todos, a custo zero e de forma instantânea. É através desse conceito que floresceram ferramentas que dependem da participação do usuário ou que aproximam significativamente as pontas da oferta e da demanda, como aplicativos de transporte, comunidades variadas, sites de relacionamento, dentre outros. Todas essas iniciativas focam em um ponto principal: aumento de produtividade em nossas escolhas, nos levando cada vez mais aos limites da fronteira eficiente, minimizando riscos ou incertezas e maximizando nosso retorno pelo dinheiro ou tempo dedicados a cada uma dessas aplicações. Fazer mais com menos é o nome do jogo, certo?

E qual o papel das empresas nisso tudo? Apesar de um tanto óbvia, a resposta não é desprovida de discussão. Entender o consumidor e individualizá-lo. Tratá-lo como único, fazer ofertas relevantes, não incomodá-lo com junk mail. Mas é nesse ponto que encontramos a grande encruzilhada ética do Século XXI. Nunca se dispôs de condições tão boas de individualizar o consumidor, que se manifesta abertamente através de todas essas ferramentas de compartilhamento. Pode-se rastrear seus gostos, opiniões, comportamentos, etc. Mas e quanto aos limites do uso desses dados? Como consumidores, estamos dispostos a desnudar nossa própria personalidade de modo a recebermos, cada vez mais, ofertas adequadas ao nosso perfil?

Minha opinião? A escolha já foi feita, gostemos ou não. A forma como os consumidores abraçaram essa troca livre de informações demonstra o quanto estamos dispostos a abrir mão da privacidade em prol de acesso a facilidades inimagináveis em 1997. A realidade é que vivemos, sim, em um grande Big Brother. Com 5 minutos e as ferramentas adequadas é possível se descobrir uma infinidade de informações sobre cada um de nós. E já está tudo lá, disponível publicamente na rede.

Nesse contexto, cabe aos governos regulamentar e punir abusos no uso desses dados. E cabe às empresas se conscientizar do poder que têm em suas mão e usá-lo de forma ética e consciente, exclusivamente com a finalidade de proporcionar benefícios ao seu cliente, descartando o que não for diretamente relacionado a esse propósito.

A estrada que escolhemos é irreversível. Um mundo mais eficiente, que compartilha recursos e informações.E que nos conhece profundamente, pois estamos todos em um palco.

Por favor, feche novamente os olhos. Mas, desta vez, sorria, pois neste momento alguém pode estar olhando para você. Graça é o que não falta em 2017.

 

Luis Fichman é Diretor-executivo da revista Seleções

 

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