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30 dicas incríveis para acabar com a invasão de privacidade

Eu só navego por sites com temas que não me interessam. No Google, só faço buscas de assuntos que não são da minha conta. E por aí vai.

Henrique szklo
6 de outubro de 2017 - 8h52

Por Henrique szklo (*)

Temos ouvido muito ultimamente que não existe mais privacidade e que todo mundo sabe tudo sobre todo mundo. Que o Big Data é uma espécie de inconsciente coletivo que agrega todas as informações sobre comportamento de todos os seres humanos que têm contato com a inter e as intranets.

Os robôs são adolescentes espinhudos que passam o dia olhando pelo buraco da fechadura digital o que estamos fazendo atrás da porta. E nós, ingenuamente, nos sentimos seguros de que entre quatro paredes não tem ninguém olhando a cor de nossas cuecas e lingeries. Quando não, de nossa bunda. Pois bem, pode até ser verdade para você, mas para mim não passa nem perto. Eu criei um método que confunde totalmente essas máquinas malévolas que escarafuncham nossa vida sem pedir licença. As deixo perturbadas a ponto de elas duvidarem de sua própria inteligência artificial.

Este método formidável foi crescendo aos poucos. Comecei modestamente, curtindo informações diametralmente opostas nas redes sociais. Se falava mal de alguém eu curtia. Se falava bem, curtia também. Era a favor do desarmamento e ao mesmo tempo da liberação das armas para cidadãos de bem. Era vegano radical mas adorava uma maminha suculenta. Bolsonaro era meu ídolo, assim como o Lula. Os dois estilos musicais de minha preferência eram jazz fusion e funk proibidão. Os bots ficaram atordoados. Não sabiam se sou um palmeirense que torce para o Corinthians, um ateu que faz tudo em nome do Senhor ou se sou uma pessoa inteligente e esclarecida que acha que algumas obras de arte devem ser proibidas.

Com o tempo, meu método foi ficando mais e mais sofisticado. Hoje posso dizer que é inexpugnável. Totalmente à prova de invasão de privacidade. Os robô pira:

1. Eu só navego por sites com temas que não me interessam.

2. No Google, só faço buscas de assuntos que não são da minha conta.

3. Uso o cartão de crédito e de débito para comprar produtos e serviços que não gosto, não quero e não preciso.

4. Na Netflix só assisto filmes com menos de 30% de aprovação.

5. Pago um cara para usar meu carro em outra cidade e tomar várias multas para as máquinas estúpidas acharem que estou lá quando, na verdade, estou aqui.

6. Caso algum hacker acione o microfone do meu computador, quando estou perto dele só converso usando uma língua que eu mesmo inventei (mistura de esperanto, tupi-guarani e klingon). Ninguém mais entende. Inclusive o hacker. Bobão.

7. Caso ele também ligue a câmera, jamais saberá como é minha casa. Cobri tudo lá dentro com um adesivo quadriculado. Inclusive minhas cuecas.

8. No WhatsApp, sempre deixo que o corretor automático faça o que bem entender.

9. Emojis? Abuso daqueles que não têm nada a ver com o que estou dizendo ou sentindo.

10. Pergunto sempre para a Siri se ela sabe com quem está falando e toda vez nego que sou eu.

11. Para alimentar meu Instagram, como pratos que não gosto, viajo para lugares pavorosos e só faço selfie com qualquer um que encontro na rua e ainda dou um jeito de não aparecer na foto.

12. Na agenda do meu celular troquei o nome de todo mundo por apelidos, que nem a Odebrecht.

13. Casei com uma mulher que odeio e pago duas crianças para fingirem serem meus filhos.

14. Não me relaciono com meus amigos nem familiares, para não despertar suspeitas. Aliás, eles pensam que eu morri.

15. Desejo bom dia nas redes sociais quando na verdade quero que todo mundo se lasque.

16. Não trabalho pra que ninguém saiba onde trabalho.

17. Tenho uma boa grana guardada, mas estou sempre com imensas dívidas nos bancos para eles acharem que sou um falido e não me mandem ofertas de seguro e previdência. Só de juros pago tanto que daria para eu ter meu próprio Big Data. Com queijo.

18. No Facebook, só compartilho posts que não entendo.

19. Tenho estrabismo mas só mando fazer óculos para miopia.

20. Só compro roupas e calçados de dois a três números maiores ou menores do que realmente preciso.

21. Tenho de tomar remédio para hipertensão, mas quando vou na farmácia, compro supositório.

22. No Tinder, mando nudes com roupa.

23. Nunca acendo a luz em casa para eles acharem que não estou.

24. Deixo meu celular sempre em casa, mesmo contratando o plano mais caro. Quando preciso telefonar, uso orelhão.

25. Mesmo assim gastei uma pequena fortuna para criar um aplicativo que simula que meu celular está a cada minuto em uma parte diferente do mundo, provocando crises de labirintite no GPS.

26. No Spotify, ouço sertanejo universitário até arrebentar meus ouvidos.

27. Pego o Uber e ao invés de ir ao lugar que realmente quero ir, vou na direção contrária. Depois pego um ônibus para outra região. Vou no metrô, compro um bilhete, giro na catraca mas não entro. Saio da estação, peço carona pra mais um pedaço do caminho e o resto faço a pé. Me sinto num filme policial. É bem divertido.

28. No Airbnb, reservo e pago várias acomodações para a mesma data e não apareço em nenhuma.

29. Para não ser reconhecido por câmeras de segurança que infestaram as cidades, estou sempre usando disfarces. O meu preferido é de gari.

30. Meu imposto de renda é preenchido de forma completamente errática, de forma quase aleatória. Ninguém sabe quanto eu tenho e o que eu tenho. Bom, essa dica você não precisava. Você já faz isso, né?

Sou mais esperto do que eles. Jamais saberão qual é meu verdadeiro gosto, quais são meus reais desejos e sonhos. Aliás, nem eu mesmo sei mais, para que em caso de vazamento de informações eu não seja pego de calça curta. Minha alma é inescrutável, impenetrável. Minha vida é um Kindle desligado. Sou um fantasma para o Big Data.

A prova de que estou no caminho certo é que nunca recebi nenhuma mensagem que minimamente me interessasse. Recebo milhares e milhares de spams e anúncios oriundos de mídia programática que tentam me vender tudo, menos o que me interessa. Eles só erram, os idiotas! Ninguém vai me manipular. A conclusão a que cheguei é que para poder ser eu mesmo basta eu não ser.

Como é bom ser livre.

(*) Henrique Szklo é sócio-fundador da Chikenz, loja de criatividade e desbloqueio criativo.

 

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