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Num dos maiores eventos de disrupção do mundo, o foco é o ser humano

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Num dos maiores eventos de disrupção do mundo, o foco é o ser humano

As startups aqui no Vale do Silício têm grandes ideias e trabalham do algoritmo para frente.O estudo das necessidades do consumidor, ou do popular ser humano, tem ficado sem o devido aprofundamento.

Natasha Caiado
10 de setembro de 2018 - 12h55

Por Natasha Caiado (*)

Assistindo as apresentações aqui no TechCrunch Disrupt, em São Francisco, e buscando pontos em comum entre informações dadas pelos grandes unicórnios e as startups inovativas, vejo que a “experiência” provida ao cliente é o foco de tudo. Os processos tradicionais estão sendo desconstruídos para que o momento único de encantamento de um consumidor descobrindo ou vendo pela primeira vez um produto, seja prolongado e replicado por incontáveis vezes.

A verdade é que nós, marketeiros, na ansiedade de lançar “ the next big thing”,  nem sempre consideramos que o “ser humano”, aquele estudado também pela antropologia e pela psicologia, é o centro. As startups aqui no Vale do Silício têm grandes ideias e trabalham do algoritmo para frente.O estudo das necessidades do consumidor, ou do popular ser humano, tem ficado sem o devido aprofundamento. Acho que é por isso que vemos por aqui a orientação de “fail fast” (falhar rápido).  Até acertar o que o consumidor de fato quer.

Interessante ouvir Dara Khosrowshahi CEO de Uber falar que consumidor gosta de opções e, por isso, o aplicativo de mobilidade esta criando o que deve ser a maior plataforma de transportes do planeta, integrando experiências diferentes com automóveis, patinetes, bicicletas e outras opções mais disruptivas sobre a terra e acima do ar.

Adidas e Carbon, empresa de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia 3 e 4D casaram e estão em plena lua de mel. Desenvolveram juntas um solado de tenis com lindas tranças de fibra utilizando uma base de resina liquida e oxigênio criando uma obra de arte personalizada para cada ser humano do planeta. As informações coletadas pelos wearables são cruzadas por Inteligencia Artificial e sugerem o material e formato do solado. As informações armazenadas na nuvem permitem que impressoras 3 ou 4D produza o calçado “on demand” onde o comprador estiver. E com isso desconstrói-se as indústrias de design, prototipagem, armazenamento, transporte e distribuição além de varias outras ligadas ao varejo como ponto de venda, promoção (e com isso agências de publicidade) etc. E nasce o tênis on demand. Moderno, elegante e que vai proteger seus ossos e cartilagens , prolongando sua saúde nas idades avancadas , que promete ser cada vez mais longas.

Mudancas na experiência ou relacionamento a longo prazo com o consumidor também foram mostradas pela warbyparker.com, que realiza pelo seu aplicativo o teste de detecção de grau de deficiência de visão em 15 minutos e por 40 dólares, e envia as 5 opções de óculos em um lindo estojo para a casa do consumidor , que só paga ao retornar os óculos não escolhidos, também em embalagem pré-pagas no correio.

A Doordash.com, especializada em entrega de comida de restaurantes ou produtos de supermercados e que tem como concorrente Uber Eats e Amazon , falou também sobre experiência e contou que, em 2013, somente 4% das pizzas eram entregues em casa e hoje isso ultrapassa 50% nas cidades em que atuam. Hoje, os consumidores , apesar de serem seres sociais que também vão a restaurantes, tem a opção com interesse crescente de recepcionar os seus convidados no conforto de suas casas e servir o melhor dos restaurantes prediletos, sem precisar de reservas, esperas e seguir regras de conduta e bons modos em público. É a sua tribo, na sua casa, com sua festa gastronômica, sem aumentar seus gastos. Essa é a nova realidade.

Mais uma vez a desconstrução da experiência de encontros sociais. Com o consumidor no centro.

A mágica colaborativa

“Colaboração”  foi a palavra da vez na convenção . Todas as plataformas estão sendo abertas para que desenvolvedores , utilizando seus universos de necessidades baseados nos grupos a quem pertencem, estejam livres para “brincar” a vontade com algoritmos, que trazem soluções cada vez mais criativas, utilizando menos recursos e sendo mais assertivas para públicos cada vez mais segmentado.

É como se o mundo realmente estivesse indo na contramão do que aprendi da faculdade. Personalização das massas !!! O mundo esta realmente “on demand”.

Ate a saúde , área que dependemos de outros profissionais , está mudando a sua forma de experiência. Veterinários atendendo por aplicativos, dentistas operando e colocando próteses a zilhões de quilômetros de distância do paciente, usando laser, equipamentos de imagem e impressoras 3D.

O carro que quebra na estrada e envia o relatório pela nuvem para a fabrica, que despacha pelo provedor mais próximo a peca recém fabricada na impressora 3D local, tudo coordenado por GPS.

Os enormes e caríssimos recalls deixaram de existir, pois cada peça tem seu próprio código de barras e indica a máquina exata que apresentou o erro. E assim, somente as produzidas por aquela máquina e naquele dia são chamadas para verificação, que por sua vez pode ser a distância, via computador de bordo.

A tecnologia e o feminino

Os movimentos de empoderamento de mulheres começam a mostrar resultados. Foram lançados ou estão em fase de busca de investimento para aumento de escala de produção ou distribuição os produtos feitos pelas mulheres e para mulheres como o Mirror.co , uma espécie de espelho mágico da Branca de Neve, que em vez de trazer o “fofoqueiro magico” , traz seu personal trainer ou sua aula preferida de yoga para dentro da sua casa.

O Miracare.com permite que a mulher em casa tenha dados sobre hormônios, sem precisar ir ao laboratório. Pico de fertilidade, detecção de gravidez, reserva ovariana, proximidade de menopausa são algumas das promessas da startup. Conveniência e controle do próprio corpo e da procriação empoderam a mulher para escolhas baseadas no seu estilo de vida e não mais adaptação dela às opções ditadas até hoje

Tudo que foi visto em um dos maiores eventos disruptivos do planeta, que está elevando a importância da experiência do consumidor como nunca antes. É ele que dá as regras e que quer ouvir uma mensagem dirigida somente para ele.

Ele não precisa mais se adaptar. As empresas hoje estão cada vez mais dispostos a ouvi-lo e colocar a mais avançada tecnologia a seu serviço, para tendê-lo de forma personalizada e única. Solucionando problemas que, muitas vezes, ele nem sabia que tinha.

As novidades e soluções que, nestes últimos 3 dias de evento, buscam eternizar a mágica do momento da conquista, do brilho no olhar de quem realmente importa.

Esse foi o recado do TechCrunch Disruption deste ano.

(*) Natasha Caiado é fundadora e CEO da Wish!

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