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Inteligência Artificial no combate às fake news

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Inteligência Artificial no combate às fake news

Só mesmo a Inteligência artificial será capaz de derrotar a ignorância congênita. O problema é que fiquei sabendo por fontes confiáveis que já está em curso um plano para a IA dominar a Terra e, imediatamente, promover a extinção completa da raça humana, com a anuência de Donald Trump. Juro que é verdade.

10 de junho de 2017 - 10h02

Por Henrique Szklo (*)

As fake news não são exatamente um fenômeno contemporâneo. Na verdade, elas nasceram junto com a raça humana. Quando nossos ancestrais se descolaram intelectualmente do resto dos animais, imediatamente aprenderam a mentir com o objetivo de manipular a opinião dos outros. Não duvido que homens das cavernas já produziam pinturas rupestres caluniosas, índios desenhavam sinais de fumaça destruidores reputações, tribos africanas entoavam batuques levianamente venenosos e pombos correios eram lançados com mensagens cujo indisfarçável propósito era macular a honra de outrem.

E sempre funcionou. Nosso cérebro, inocente, acredita em tudo o que nossos sentidos detectam. Basta pensar nos filmes e novelas, onde, apesar de termos inteira consciência de que aquelas pessoas estão interpretando papeis, nos emocionamos como se aquilo fosse uma representação da verdade: ficamos com raiva do vilão, temos esperança de que o mocinho se dê bem, choramos quando alguém morre ou alcança um objetivo difícil. Só o Robert de Niro morreu umas 200 vezes. E choramos em todas elas. A tendência de acreditarmos no que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos e saboreamos é imensamente maior do que simplesmente tomarmos conhecimento delas. Imensamente maior.

Em comerciais de cosméticos e medicamentos, por exemplo, são usadas aquelas animações que mostram o que o produto faz para os cabelos, a pele, o cérebro, os músculos etc., que dão a sensação aos consumidores de que aquele produto realmente realiza o prodígio que promete. Imagens têm grande poder de convencimento.

A indústria alimentícia se utiliza largamente de corantes e aromatizantes, que nos dão a sensação de estarmos consumindo produtos naturais, mesmo sabendo que não o são.

Também podemos observar a propaganda testemunhal: você acredita mesmo que aqueles artistas e celebridades consomem os produtos que apresentam? Não e sim. Sua razão não, sabedora que tem um cachê por traz de tudo aquilo. Mas seu inconsciente sim, acredita. Afinal, a pessoa está lá, você a está vendo, está ouvindo ela afirmar que usa o produto, então, para o nosso cérebro, aquilo é a mais pura verdade.

Isso é fruto de nosso passado longínquo quando ainda não tínhamos desenvolvido a Razão, o pensamento racional. É a Razão que questiona o que os nossos sentidos apontam. É graças à Razão que temos a capacidade de refletir sobre um evento, e não simplesmente aceitá-lo como todos os outros animais o fazem atavicamente. Mas atenção: temos a capacidade, o que não quer dizer que todas as pessoas lancem mão dela. Diria que uma minoria o faz. Em resumo: sem a Razão, os sentidos é que dão todas as cartas em nosso cérebro. O que eles expressam é lei.

Este imenso preâmbulo serve para eu explanar sobre um dos maiores efeitos colaterais indesejados da internet que são as fake news. Responsáveis pela disseminação de mentiras em níveis massivos, interferem drasticamente na vida das pessoas, alterando, dizem, até os rumos de eleições importantes como as americanas e francesas. Mais do que uma simples ameaça, as fake news tem potencial de comprometer o sistema democrático internacional, com efeitos devastadores. Um fenômeno mundial, obviamente também muito disseminado no Brasil, um país sempre atualizado no que diz respeito à sacanagem.

Os sites de fake news se utilizam de todos os códigos da mídia tradicional: layout, estilo de escrita, nomes parecidos com sites de prestígio, etc, adicionados de uma seriedade cínica e nenhuma vergonha na cara. Seus criadores se utilizam da ignorância e má fé das pessoas para ganhar dinheiro. Colocam no ar e deixam que os mentecaptos façam seu trabalho: disseminar a bobagem por todos os canais conhecidos, acrescida, é claro, de comentários eivados de ódio e inconformismo diante daquela notícia revoltante. Muitos sabem que a notícia é falsa, mas a compartilham mesmo assim, apenas para reafirmar suas crenças, para ganhar a discussão ou apenas para não ter de refletir. Qual deles é pior? O ignorante, o mal-intencionado ou o ignorante mal-intencionado? Confesso minha ignorância em responder essa questão.

A mídia é falsa, mas o dinheiro não

Para enfrentar as fake news, temos dois pontos a serem atacados: os sites em si e a ignorância humana. Como esta segunda não dá para resolver, a não ser que promovamos um genocídio jamais visto, o caminho natural é ir atrás do dinheiro e estrangular as finanças dos malfeitores.

A fonte de renda dos sites de fake news (tirando os patrocinadores sempre ocultos) é a receita obtida pela mídia programática, que paga por clique sem se preocupar com o conteúdo do site. E como sou contra matar a vaca para acabar com os carrapatos, a solução passa necessariamente por criar um mecanismo que diferencie o fake do real.

Para mim, a solução seria a criação de um aplicativo que eu chamaria de “Short Legs”, que utilizaria inteligência artificial para fazer uma varredura na Big Data e detectar, estatisticamente, a possibilidade de uma notícia ser verdadeira ou falsa. E como mesmo a grande mídia, inclusive veículos de prestígio, produz toneladas de fake news, a Inteligência Artificial no caso deverá ser inteligente de verdade, sendo capaz de confrontar informações de milhares de fontes diferentes para chegar a um veredito mais ou menos confiável.

Além disso, o “Short Legs” ofereceria aos sites que comprovem sua credibilidade a longo prazo uma espécie de certificado de transparência devidamente reconhecido pelos serviços tipo Adwords e congêneres, para que os anunciantes possam se utilizar da mídia programática sem o risco de sua mensagem ser associada a conteúdos suspeitos. Ou seja, vamos matar apenas os carrapatos.

Só mesmo a Inteligência artificial será capaz de derrotar a ignorância congênita. O problema é que fiquei sabendo por fontes confiáveis que já está em curso um plano para a IA dominar a Terra e, imediatamente, promover a extinção completa da raça humana, com a anuência de Donald Trump. Juro que é verdade.

 

(*) Henrique Szklo é sócio-fundador da Chickenz, loja de criatividade e desbloqueio criativo.

 

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