29/07/2010

3G ou a terceira geração: a geração “z”

Edição 1419 do Meio & Mensagem

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Cyber-leitor, Einstein surpreende Freud na famosa troca de correspondência entre os dois gênios, quando escreve: "Existe um meio de libertar os homens da maldição da guerra?" A resposta é rápida: "Em princípio, os conflitos de interesse entre os homens são solucionados mediante o uso da força." Explica Freud que a evolução tecnológica e intelectual pode e, muitas vezes, estar a serviço de estimular o poder pelas armas ou pelo conhecimento. O objetivo seguiria sendo o mesmo, aniquilar o outro. O respeito ao inimigo vem da necessidade de utilizar a vítima para seus propósitos, bastando mantê-la subjugada e atemorizada. Essas são reflexões que seguem atuais, escritas sob a égide da Segunda Guerra Mundial.

Hoje, está mais claro que falamos de muitas guerras. Os homens participam dos conflitos das ruas, são vítimas mais frequentes de homicídios, ocorridos entre desconhecidos, atingindo principalmente os jovens. Entre 20 e 29 anos, a proporção é de 15 para um de óbitos por projétil de arma de fogo, de homens em relação às mulheres da mesma faixa etária. Essa é a geração que eu chamo de "Z". Tratam-se de atos violentos que acontecem dentro dos lares, onde a taxa de homicídios é menor, mas o prejuízo individual, familiar e social é catastrófico. Infelizmente, o exemplo mais comum atualmente é de um crime indefensável, onde um ex-herói do time de futebol que possui a maior torcida do Brasil, o goleiro Bruno, cometeu o crime considerado mais hediondo dos últimos tempos, ao planejar o sequestro, assassinato e ocultação de cadáver de uma ex-amante e provável mãe de seu filho.

A realidade virtual distancia os seres humanos do contato social. O convívio leva ao conflito, enquanto a alienação através da internet leva o homem à indiferença e à solidão.

Os crimes cometidos por doentes mentais de grande repercussão social e na mídia passavam a falsa ideia de que atos dessa natureza seriam feitos por psicóticos, de forma imprevisível, restritos a situações raras, infortúnios de difícil prevenção.
No mundo moderno, as crianças são forçadas a crescer com muitas mudanças em suas famílias e comunidades. "Elas não têm mais aquele mundo imutável, seguro, puro e previsível de antes. Têm que se adaptar e entender o mundo adulto. E vão naturalmente procurar informações, mas não na escola e sim na internet. Não é o ideal, mas elas precisam de informações para crescer num mundo que exige muito delas" (Gerald Jones).

Quanto mais regressamos na história, maiores as chances de depararmo-nos com a falta de proteção jurídica à criança, aumentando as probabilidades de que tivessem sido abandonadas, assassinadas, espancadas, aterrorizadas e abusadas física e sexualmente. Exemplos são colhidos ao longo da história, assinalando-se que, no Oriente Antigo, o Código de Hamurabi (1728/1686 a.C.), em seu artigo 192, previa o corte da língua do filho que ousasse dizer aos pais adotivos que eles não eram seus pais, assim como a extração dos olhos do filho adotivo que aspirasse voltar à casa dos pais biológicos, afastando-se dos pais adotantes (art. 193). Punição severa era aplicada ao filho que batesse no pai. Segundo o Código de Hamurabi, a mão do filho, considerada o órgão agressor, era decepada (art. 195). Em contrapartida, se um homem livre tivesse relações sexuais com sua filha, a pena aplicada ao pai limitava-se à sua expulsão da cidade (art. 154). Em Roma, a Lei das XII Tábuas, entre os anos 303 e 304, permitia ao pai matar o filho que nascesse disforme, mediante o julgamento de cinco vizinhos (Tábua Quarta).

A chegada das primeiras crianças ao Brasil, mesmo antes do seu descobrimento oficial, foi marcada por situações de desproteção. Na condição de órfãs do rei, como grumetes ou pajens, eram enviadas com a incumbência de casar com os súditos da Coroa. Poucas mulheres vinham nas embarcações, e as crianças eram "obrigadas a aceitar abusos sexuais de marujos rudes e violentos". Por ocasião dos naufrágios, comuns na época, eram deixadas de lado pelos adultos, entregues à fúria do mar.

No final do século 19, as descobertas de Freud e outros pensadores abriram caminho para novos entendimentos sobre a infância:

"Freud e Dewey cristalizaram o paradigma básico da infância, que vinha sendo formado desde a invenção da prensa tipográfica: a criança como aluno ou aluna, cujo ego e individualidade devem ser preservados por cuidados especiais, cuja aptidão para o autocontrole, a satisfação adiada e o pensamento lógico devem ser ampliados, cujo conhecimento da vida deve estar sob controle dos adultos."

Até o final do século 19 e início do século 20, a criança foi vista como um instrumento de poder e de domínio exclusivo da Igreja. Somente no início do século 20, a medicina, a psiquiatria, o direito e a pedagogia contribuem para a formação de uma nova mentalidade de atendimento à criança, abrindo espaços para uma concepção de reeducação, baseada não somente nas concepções religiosas, mas também científicas. E hoje em dia esse poder é exercido pela internet.

Cyber-leitor, o então ministro das Comunicações, Helio Costa, fez a licitação imediata das frequências destinadas especificamente à terceira geração (3G) dos serviços móveis concomitantemente à licitação das frequências que permitam o uso da tecnologia WiMax. E declarou: "Isso não quer dizer que a 3G está batendo à nossa porta. O serviço só está disponível, hoje, em 2010." E esta terceira geração que cresceu sob a égide da tecnologia, não se tornou dependente?

Enquanto o "mundo desenvolvido" já está utilizando a 4G e pesquisando a 5G, o ministro profetiza nosso destino: a extinção de uma raça jurássica, pobre e colonizada.
A terceira geração não trará um ganho de desempenho substancial na rede, a ponto de convencer as operadoras e seus clientes a fazerem grandes investimentos. Com a 3G é possível obter os mesmos serviços conseguidos no DSL, só que com mobilidade.
Por que as operadoras gastam dinheiro com tecnologias velhas?

O sistema 3G para a telefonia móvel disponível no Brasil está disputando usuários. Embora sejam mais rápidos que os antigos, ainda são lentos. Mas não importa: se o pessoal do marketing fizer bem seu trabalho, de repente esse novo padrão se torna a melhor coisa que já existiu! E a criança da geração "Z", dependente da realidade virtual, aprende sobre uma nova forma de domínio e violência. A completa alienação!


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Alberto Magno

"A realidade virtual distancia os seres humanos do contato social. O convívio leva ao conflito, enquanto a alienação através da internet leva o homem à indiferença e à solidão"