Por Marcelo Castelo (Sócio-diretor da Agência F.biz)
O principal palestrante do dia (14 de fevereiro) no Mobile World Congress, evento que acontece em Barcelona, era Eric Schimidt, CEO do Google. O auditório estava abarrotado e a expectativa era grande. E claro, ele não decepcionou, e com ironia e uma rapidez impressionante, deu respostas para as "'ácidas" perguntas da platéia.
O Google está investindo bilhões de dólares no mundo mobile, em virtude de três aspectos importantes: os celulares estão cada vez mais virando computadores de verdade, o que permite o desenvolvimento de aplicações cada vez mais complexas que podem ser processadas rapidamente. Os celulares estão cada vez mais conectados na Internet, em virtude das redes 3G e Wi-Fi. Com estes dois pontos, passa a ser possível o terceiro - o uso das aplicações na "nuvem". Isto sem contar com a mobilidade que o celular entrega.
Na hora que estes pontos ficam claro, imediatamente dá para entender o grande potencial do mobile para o Google. A Internet Móvel está explodindo no mundo inteiro, inclusive, ele cita a Indonésia e a África do Sul onde o número de buscas pelo celular já é maior do que as buscas feitas no desktop (na hora que eu vejo estes exemplos de países emergentes como o nosso, será que não vamos ver no Brasil efeito semelhante em breve?).
Para não ficarmos só na busca textual, ele mostrou três exemplos bem interessantes: no primeiro, ele (na verdade o funcionário dele) abriu o Google Earth e falou "Monte Fuji" - imediatamente o aplicativo fez o "reconhecimento de voz" e foi para o Monte Fuji, mostrando as imagens do satélite do local. No segundo exemplo, uma foto da "Sagrada Família" (um dos pontos turísticos mais conhecidos aqui de Barcelona) é tirada, e imediatamente o aplicativo reconhece a foto e leva para a Wikipédia com os detalhes do lugar. E, por fim, um Menu de um restaurante escrito em alemão é mostrado. Depois a foto é tirada, e imediatamente o aplicativo traduz o Menu para o Inglês.
Obviamente, todas estas aplicações podem, ou melhor, vão ter anúncios, que podem ser baseados na localização real do usuário. É neste momento, que o Eric sempre se exalta, falando da relevância dos anúncios no mobile, que, segundo ele (e qualquer um que gosta de fazer publicidade relevante e não interruptiva) vai transformar o mobile advertising numa fonte de receita absurda para o Google no futuro.
Eu cheguei na seguinte conclusão, o Google está extremamente bem posicionado no futuro da Internet Móvel (que em menos de cinco anos será maior que a Internet através dos computadores), em virtude dos seus aplicativos na "nuvem" e do seu sistema operacional Android que eles dão de graça para os fabricantes de celulares (obviamente em troca de ter os ícones dos seus produtos em destaque no aparelho), mas, ficou uma sensação de que "nunca mais" vamos ouvir aquelas histórias engraçadas dos amigos que "pagaram mico" nas viagens internacionais, pois, tudo vai ficar previsível com um celular com acesso a Internet na mão.