Quarta-feira, 23 de Maio de 2012



Artigo: os heavy users e os jogos sociais

Ronaldo Sugii é engenheiro, jogador e estudioso de jogos sociais e atualmente gerencia a área de Micropagamentos na Movile.

20 de Dezembro de 2011 11:11


 

Os jogos sociais, aplicativos que viraram febre em redes sociais como Orkut e Facebook, bastante popularizados no país por casos como Colheita Feliz e MegaCity, têm conquistado cada vez mais o interesse de brasileiros. Estimativas da Real Games sugerem que este tipo de jogos já conta com 35 milhões de jogadores apenas no Brasil, o que representa 76% de internautas entre 10 e 65 anos.

Tanto é que grandes marcas têm se valido destas plataformas para interagir com seus consumidores, como recurso de marketing. Apenas para exemplificar, pode-se relembrar a ação da Del Valle, da Coca-Cola, no Mini Fazenda.

Uma grande questão deste segmento diz respeito aos chamados heavy-users, usuários que possuem um perfil de compras em grande quantidade. Estes jogadores representam uma minoria em número no Brasil, pois a maioria dos jogadores ainda faz pouca ou nenhuma compra de itens virtuais.

Qual o comportamento desse perfil de usuários?
Essa tendência estimula a competitividade entre os jogadores. Aqueles jogadores que não compram tanto precisam despender um esforço muito grande e, muitas vezes, passam a consumir mais para não ficarem para trás.

Outro ponto importante se refere ao mercado de bens virtuais. Os jogos lançam itens exclusivos, os heavy-users compram rapidamente, o que motiva todo o restante a comprar também. Não se trata apenas de quantidade, mas também toca em pontos mais subjetivos, como o status de se possuir um item raro e exclusivo.

Além de acrescentar fôlego novo ao mercado de bens virtuais, os grandes representantes do mercado de jogos sociais também concordam com os benefícios dos heavy users. Estes jogadores, ainda que como minoria, sustentam a longevidade dos negócios. Segundo a Business Week, apenas 1% dos jogadores da Zynga representam 46% da receita da empresa.

O boom dos heavy-users
A popularização dos jogos sociais está alterando o comportamento dos internautas. Para facilitar o mecanismo de compra de bens virtuais, as empresas de jogos têm disponibilizado diferentes formas de pagamento, desde o próprio cartão de crédito até boleto bancário, cartão pré-pago, débito em conta corrente e o pagamento por celular, dando maior conveniência ao jogador.

Com esta tendência, a quantidade de heavy-users acompanha o crescimento. Foi o que constatou uma pesquisa realizada pela Movile, em análise realizada em sua plataforma de pagamentos Mozca.

Segundo o estudo, 96% dos usuários do Mozca fizeram de 1 a 10 compras e geraram 70% das compras realizadas no período de setembro e outubro de 2011. Os outros 4% restantes dos usuários, representados pelos heavy-users, geraram 30% das compras, o que representa uma fatia expressiva do bolo de receita em micropagamentos.

O usuário pós-pago
O mercado de micropagamentos segue o mesmo perfil quando o assunto é plano de telefonia celular. Para micropagamentos, 84% dos jogadores possuem plano pré-pago, enquanto que os 16% restantes utilizam uma conta pós-paga.
Entretanto, o fato interessante é que estes 16% de usuários representam significativos 33% da receita de micropagamentos.

Os números mostram que, ao contrário do que se prega no modelo comercial freemium, onde o foco está na cauda longa, os heavy-users não podem ser desprezados quando o assunto é jogo social.
 

 

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