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O que vale no Vale?

Há um relógio fake no Vale do Silício em que no lugar de cada uma das doze horas vemos a palavra NOW. Difícil imaginar resumo iconográfico mais preciso e emblemático do lugar

4 de novembro de 2016 - 10h59

Não é apenas Stanford e a HP. Não é apenas a casa de Steve Jobs. Não são apenas todas as maiores e mais relevantes empresas de tecnologia do mundo, que transformaram nossas vidas nos últimos 20 anos, todas de lá. É o ar. Está na água. No olhar de cada cumprimento na rua.Você não vê. Você é incapaz de pegar. Mas é um vírus que está em todas as partes. E não tem como você não se contaminar. Ele te impregna do NOW. Você se sente em débito consigo mesmo e com o mundo. Você precisa ir em frente. Você precisa correr, porque cada segundo é um outro NOW.

E não adianta ser fake, como o relógio. Não adianta você fazer apenas um tic igual ao último tac, copiar, ser mais um. Você até pode, mas o Vale vai se inocular de você e te expelir. No tic-tac seguinte.Você e todos ali são o coelho da Alice, correndo desesperados contra um tempo sem fim, hackers do lugar comum. E o código a ser quebrado é o do futuro de todos.

Digo, de todos mesmo, porque todo mundo ali pensa grande até quando pensa o micro. Dos implantes de chips no corpo humano ao sequenciamento do genoma. Pensa o Planeta. Pensa bem além, aliás (os norte-americanos usam a deliciosa expressão “moon shot” para as ideias que rompem a barreira do usual, para sonharem com a Lua, muito bom isso).

Ali se pensa em como seremos imortais e em como seremos cyborgs. Pensa-se em como não há limites conhecidos para o conhecimento e em como navegar, e descobrir, é preciso.Preciso como o algoritmo de um louco carro sem motorista que passa ao teu lado nas ruas de São Francisco ou nos pátios do Google. Ele vai matar alguém? Claro que sim. Mas quantos nós já matamos também, não é mesmo?

É uma troca, um jogo, uma aposta. Você não quer, você resiste, você amontoa suas fichas no preto, mas o destino é vermelho, e não importa seu cacife, você já perdeu.

O NOW te mostra que a teoria mais disruptiva da Terra é a da exponencialidade. Leia a respeito. Leia muito a respeito. É a tese da Singularity University – cuja sede é bem no meio da NASA – segundo a qual os avanços no conhecimento, na ciência e na tecnologia já começaram a se multiplicar de forma exponencial e não mais linear. E que isso vai significar a eliminação de todos os grandes problemas da humanidade nos próximos anos. Menos de duas décadas. Será um mundo de abundância, adeus escassez.

Aliás, o conceito “singularity”, que além de estar no nome está no DNA da universidade, significa que em pouco tempo atingiremos o ponto em que as máquinas serão mais inteligentes que os homens, singularidade representando esse momento único em que tudo será novo novamente.

Nesse mesmo pedaço de terra grávido de sílicio, Elon Musk está desenvolvendo o foguete que vai leva-lo para Marte (não falei que eles pensam bem mais além?), onde ele quer passar seus próximos anos. Seus próximos 100 anos, quem sabe.

Ali mesmo, na outra esquina (uma pequena cidade se gruda na outra e não fica muito claro onde começa Mountain View e onde termina Palo Alto, que se liga com Menlo Park e por aí vai…) Google e Facebook estão trabalhando nas suas novas soluções para levar conectividade para a outra metade do mundo, que ainda não tem acesso à internet.

Lá entendemos que, como diz o professor Patrick Hunt, de Stanford, numa aula sobre a história da inovação, haverá sempre mais perguntas do que respostas e que a escrita foi o primeiro sistema humano para captura e gestão de dados. Big Data é só decorrência evolutiva disso.Com o professor francês Gauthier Vasseur, também de Stanford, aprendemos que planejar vai desaparecer, porque poderemos antecipadamente prever. Ou seja, o futuro será previsível e mapeável antes de se tornar presente.

Já outro professor, também de Stanford, Edward Leaman, nos explica que é impossível ensinar as pessoas a terem ideias, mas que é possível ensinar as pessoas a formatar ideias para transformá-las em realidade.

Seria esse então o segredo do Vale? Ou é a água mesmo?

É ele também que nos revela que o melhor analytics para mensurarmos performance não está nos dados, mas nas pessoas de carne e osso, os consumidores (“consumer is the measure”).

Por outro lado, com Lee Cokerrell, veterano da Disney responsável durante anos pelo inigualável padrão de qualidade da corporação, entendemos que qualidade corporativa se fundamenta em gente de carne e osso também, mas que para que elas sejam medidas só há uma métrica possível: performance, performance, performance. Curioso, não?

Com o engenheiro brasileiro Rodrigo Tamellini, recentemente sequestrado do Brasil pela Intel da Califórnia, entendemos que estaremos expostos a um sem número de novas realidades, sendo a virtual e a aumentada apenas duas dentre elas, e que drones serão meios de transporte em breve.

Pelo Vice-Consul brasileiro no Vale, Juliano Alves Pinto, somos informados que a região é o destino da esmagadora maioria dos investimentos de Venture Capital do mundo e que ali está a maior concentração das mentes mais inovadoras do Planeta.

Bom, posto tudo isso, se é ou não a água eu voltei de lá sem saber. Mas voltei sabendo que nada sei e com uma vontade sem fim de aprender cada vez mais.

(*) Fui ao Vale do Silício convidado pela Wish International Events

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