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2 bilhões de desconectados no mundo: a meta do mobile é conectar todos.

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2 bilhões de desconectados no mundo: a meta do mobile é conectar todos.

Os painéis e debates que abordaram o tema da desconexão são unânimes em acreditar que um habitante desconectado do Planeta hoje sofre, já na largada, de enorme desvantagem social, já que a privação de acesso à internet significará, em seu dia a dia, privação também de acesso a informação, conhecimento e educação.

1 de março de 2018 - 4h35

 

Há hoje, pelas estimativas dos estudos da GSMA – maior instituição da indústria mobile do mundo e organizadora há mais de 40 anos do Mobile World Congress – algo perto de 2 bilhões de pessoas desconectadas da internet.

Isso inclui desde populações carentes em países pobres, a adultos na terceira idade em todos os países do globo.

As causas para a dificuldade de acesso dessas pessoas variam de questões ligadas a localizações geográficas de difícil acesso – zonas montanhosas, selvas, desertos ou mesmo cidades periféricas que não tem qualquer infra-estrutura de rede – a limitações sócio-econômicas no caso das populações carentes.

A maior fatia desses desconectados, quase 1 bilhão, é representada por jovens entre 5 e 14 anos de idade de países em desenvolvimento.

No MWC deste ano este foi um dos temas: como chegar a esses 2 bilhões e como conectá-los.

Na maior parte dos casos, não há como as operadoras e players do setor se encarregarem sozinhos dessa tarefa. Serão necessários acordos de co-financiamento e alocação da infra-estrutura com governos locais ou mesmo através de iniciativas globais ligadas a instituições de suporte ao desenvolvimento, como as Nações Unidas, por exemplo.

Os painéis e debates que abordaram o tema da desconexão são unânimes em acreditar que um habitante desconectado do Planeta hoje sofre, já na largada, de enorme desvantagem social, já que a privação de acesso à internet significará, em seu dia a dia, privação também de acesso a informação, conhecimento e educação.

Obviamente, em muitos desses países e para muitas dessas populações, há problemas gigantescamente mais relevantes do que o não acesso às redes, como a fome, a saúde e o analfabetismo.

Seja como for, a conectividade se insere no quadro de demandas e carências globais a serem também endereçadas.

Kathy Calvin (foto), Presidente e CEO da United Nations Foundation, falou aos presentes no MWC sobre todas essas questões. Ressaltou que a GSMA tem sido um dos pilares de suporte para que as empresas do setor mobile se engajem na causa da desconexão global e que é delas o desafio de não só prover o acesso aos desconectados, mas entregar também serviços a preços compatíveis aos menos favorecidos (há projetos que se baseiam na ideia de custo zero dos serviços a populações carentes). E que atentem também ao que disponibilizarão para essas pessoas, referindo-se à possibilidade de distribuição de conteúdos ligados a informação e educação básicas.

Calvin declarou que é desejável que, nos próximos anos, “governos e iniciativa privada possam se utilizar dos canais proporcionados pela indústria mobile para atingir cidadãos de comunidades carentes levando a eles informação e todo tipo de serviços públicos”.

Já Sigve Brekke, CEO do Telenor Group, uma das grandes operadoras europeias com presença nos países nórdicos, Europa Central e Ásia, destacou que uma das questões relevantes ligadas a desconexão tem a ver com o que chama de Identidade Digital. Para ele, as populações que não tem e não tiverem daqui para a frente a sua ID, simplesmente não estarão no mapa de prioridades dos governos: “Aos olhos dos governos, eles basicamente não existem”, afirmou.

Sua companhia está atuando para prover e construir a Identidade Digital de populações carentes em países como Bangladesh, Paquistão e Myanmar.

Também a Telefonica tem um programa específico para essa demanda, o “Internet para Todos”, cujo objetivo é conectar 100 milhões de pessoas no mundo.

Não são tarefas fáceis essas da inclusão via conexão, ou a de prover a Identidade Digital a populações desconectadas. Mas é, indiscutivelmente, uma missão social e econômica de peso para toda a indústria mobile.

No MWC 2018, o problema começou a ser mapeado. Vejamos como ele será, de fato, enfrentado, nos próximos anos.

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