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São quatro livros pra você ler no recesso de fim de ano, dois sobre startups e dois sobre o mundo digital em que vivemos. Considero os quatro leitura indispensável para quem quer entender, de um lado, os mecanismos e leis que regem as empresas mais transformadoras do mundo hoje e, de outro, em que pé anda o caos e o futuro que nos espera como profissionais mas, principalmente, como seres humanos.

24 de dezembro de 2018 - 12h20

Já comece dando um baita desconto para tudo que vou falar sobre os quatro livros, porque tenho a sorte e a honra de ser amigo dos quatro autores e aí fudeu, de cara. Suspeito é pouco.

O que posso garantir, e aí falando sério, é que as quatro obras sobrevivem a qualquer tietagem que eu, por ventura, possa cometer aqui.

Primeiro, os dois sobre startups. Ambos editados pela Editora Gente.

Começo comentando que um é a corda, o outro a caçamba. Para quem não tem idade para entender essa analogia, um é o côncavo o outro o convexo. Para quem não ia bem em ciências na escola, um é o queijo, outro a goiabada. Deu?

Um é complemento do outro e ambos peças consistentes e altamente bem estruturadas para o entendimento do ecossistema de startups em geral, com pitadas de Brasil.

Sobre os dois autores, comento que o João Kepler, de “Smart Money – A arte de atrair investidores e dinheiro inteligente para o seu negócio”, em conjunto com seu sócio, Pierre Schurmann, são, hoje, através de sua operação Bossa Nova Investimento, os maiores investidores-anjo da América Latina e entre os maiores do mundo; já o Pedro Waengertner, de “Estratégia da Inovação Radical – Como qualquer empresa pode crescer e lucrar aplicando os princípios das organização de ponta do Vale do Silício”, é sócio-fundador e CEO da ACE, maior aceleradora da América Latina.

O dinheiro anjo é aquele que vem logo depois do primeiro dinheiro na vida das startups, geralmente proveniente ou dos próprios empreendedores ou do chamado núcleo “family & friends”. O anjo chega em seguida para, além de aportar mais investimento, tentar organizar minimamente a vida daquela incipiente estrutura que se fundamenta no início, basicamente, em uma ideia e muito entusiasmo. Quase só isso.

Já as aceleradoras pegam a startup pela mão um pouquinho mais adiante e dão a ela, além de mais dinheiro, um ambiente de trabalho interconectado e ativo, mais noções de negócios e entendimento de mercado, aculturamento geral sobre o futuro e, em alguns casos, auxiliam também na busca por uma nova fase de investimento, que pode vir a ser já o que se convencionou chamar de Series A, um aporte mais parrudo, que deverá ser, aí sim, a base de launch mais definitivo da startup para o mundo real lá fora.

Os autores são, eles mesmos, amigos e co-investidores em alguns negócios comuns (estou com eles em dois). Os danadinhos devem, portanto, ter se conversado, para lançarem os livros concomitantemente e sobre temas correlatos e complementares. E pela mesmo editora.

O que saiu primeiro foi o “Estratégias…”, do Pedro.

Estratégia da Inovação Radical

Com prefácio de Ricardo Amorim, o livro do Pedro é um manual de inovação para qualquer pessoa do mundo corporativo. Serve para startups? Claro. Mas serve para as grandes companhias? Sim, foi para o mundo do corporate ventures que ele foi escrito, com a descarada intenção de cobrir um gap relevante de desconhecimento que gestores corporativos têm sobre o que se pode conseguir de inovação lançando mão de startups.

Pedro fala sobre técnicas e dinâmicas de negócios do Vale do Silício, mas que se disseminaram largamente mundo a fora, como Lean e Agile, co-gestão e colaboração no mundo digital, como matar seu negócio todos os dias e rápido (pivot, fail fast), para que ele, contraditoriamente, sobreviva, e ainda como preparar equipes para ter na inovação um moto contínuo de novas descobertas e avanços de seus negócios no mundo contemporâneo, na velocidade em que ele hoje exige.

Smart Money

Já o “Smart Money”, do Kepler, é sobre, como o nome explicita, dinheiro inteligente, aquele investimento que vem acompanhado de conhecimentos e domínios de técnicas que vão para além da grana em si, e agregam valores que nem sempre, ou quase nunca, o empreendedor da startup tem. Kepler dá o caminho das pedras de como as startups podem ir atrás e conquistar esse dinheiro dos sonhos, embarcando na operação gente de primeira linha que custaria fortunas se tivesse que ser (impossivelmente) contratada.

Mas não se engane, o livro do Kepler é muito mais que isso. Em que pese ser prioritariamente indicado e pensado para os empreendedores, é também um guia de como investidores – que podem perfeitamente ser corporações em geral – devem encarar sua relação com o investimento que podem (e devem) fazer em startups. Notadamente no bloco “Entendendo as etapas e como funciona o investimento”.

É um manual de como montar negócios bilionários, embora na prática, nem sempre isso se torne possível. Mas a teoria está toda lá.

Kepler faz a gentileza de me colocar entre as dezenas de pessoas que agradece, no livro, por sua jornada. Uma honra.

Você, Eu e os Robôs

 

O livro “Você, Eu e os Robôs”, de Martha Gabriel, sobre o qual tive já a oportunidade de falar em um post logo que o livro saiu e do qual sou, honrosamente, o apresentador, é, como Martha avisa na capa, um “pequeno manual do mundo digital”.

Ele pode até ser “pequeno”, porque diante do mundio digital, nada pode ter a pretensão de ser grande. Ou suficientemente abrangente, que seja.  Mas pequeno é algo que ele, definitivamente, não é. Porque é grande em seu olhar didático (o lado mestre da professora Martha), que alinha as atuais conquistas, tecnologias e plataformas do mundo digital, tanto no âmbito dos negócios, como no âmbito das nossas vidas em geral, organizando-os como se eles tivessem uma ordem lógica (que na prática não têm).

No meu post sobre o livro (que, em verdade, é a Apresentação em si), comento: “Num rápido spoiler aqui, Martha sentencia: “A tecnologia tem (…) recriado a realidade, fundando e colapsando civilizações”. Essa é nossa história, desde sempre. Só que um gene novo se infiltrou no sangue e nos tecidos do corpo social humano e, aparentemente, veio para trombar de frente com a Teoria da Evolução das Espécies. Um gene que deixaria Darwin de cabelos em pé: a Singularidade.”

É sobre ela e seus efeitos a parte mais chapante do livro de Martha. Também como comentei no post, citando Ray Kurzweil, o criador da teoria da Singularidade: “Depois de lermos Kurzweil by Martha, nos sobra pouco a não ser concluir: a assim chamada raça humana será substituída por outra, com pouco ou nenhum resquício biológico. E essa viverá para sempre.”.

Wow! Mas é exatamente isso, certo amiga Martha?

Sociedade.com

Last but not least, temos o mais recém-lançado de todos, “Sociedade.com – Como as tecnologias digitais afetam quem somos e como vivemos”, de Abel Reis.

Abel é, como o leitor provavelmente sabe bem, CEO da Dentsu Aegis Network Brasil e da Isobar Latam, tendo sido mais recentemente nomeado também para liderar mundialmente toda a operação de consultoria do grupo. É, indiscutivelmente, um dos líderes de nossa indústria hoje.

Abel, que estudou filosofia e informática e é também Mestre em Engenharia da Computação, percorre, com o conhecimento de quem domina as doutrinas que embasam e dão forma às novas tecnologias que pervasivamente invadiram nossas vidas e nossas empresas, um sem número de aspectos do que ele mesmo chama de Sociedade.com.

Sociedade.com é a sociedade dominada pelo digital e seu radical poder transformador. Abel passa por política, trabalho, cultura, comportamento (com direito  a sexo) e vai até a espiritualidade e o ser ou não ser da nossa frágil e, a um só tempo, fascinante existência, filosoficamente falando.

Fala do mundo das agências e da nossa indústria, como seria de se esperar de um cara na posição que ele tem hoje em sua vida profissional? Sim, fala sim. Mas se você espera um livro sobre marketing e publicidade, leia outro. Não é este.

Abel está preocupado com o todo que nos cerca e se isso é uma parte de nossas vidas, bem, é apenas parte de nossas vidas. Certamente, embora relevante, não a mais importante.

Um spoiler rápido aqui, dos vários que tenho vontade de dar depois de ler o livro: “A tecnologia apenas nos lembra da nossa condição humana (…) perdemos de vez a inocência sobre nossos poderes em relação à tecnologia. ensinamos tudo às máquinas para, em seguida, sermos superados por elas, sem cerimônia (…) Ao seu modo impiedoso, a Inteligência Artificial aponta nossas limitações e possibilidades, nos mostra quem somos”.

O livro do Abel, impiedosa e acuradamente, faz o mesmo.

Bom, é isso. Boa leitura. E um ótimo 2019!

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