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O SXSW ainda surpreende? Não? Segue indispensável? Sim.

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O SXSW ainda surpreende? Não? Segue indispensável? Sim.

A evolução tecnológica que o evento representa não nos trás mais espantos desconhecidos, que nos deixavam de quatro. As grandes trilhas evolutivas já foram traçadas no próprio SXSW anos atrás. Agora, é acompanhar a evolução de cada uma delas. O que sege sendo fundamental para quem, no meio do mar tempestuoso do presente, precisa de um farol para o futuro.

18 de março de 2019 - 6h30

 

 

Ao se propor a refletir, como num espelho, o rosto e a alma da caótica sociedade contemporânea, o SXSW espelha também sua própria idiossincrasia: numa sociedade em que quase nada mais nos surpreende, o SXSW também não.

 

Acrescentemos aí uma armadilha histórica da evolução tecnológica. Os grandes pilares da nova revolução tecnológica moderna já foram lançados há alguns anos, muitas vezes aqui no próprio evento, aliás. Era quando o SXSW deixava de quatro quem vinha até Austin, há, digamos, quatro ou cinco anos.

 

Portanto, nem o SXSW, nem seus organizadores, têm culpa por não nos surpreenderem mais.

Agora, o evento segue sendo vital e indispensável para quem quer e precisa estar alinhado com a evolução da sociedade contemporânea, seja do ponto de vista de comportamento, seja de seus mais recentes avanços de tecnologia e inovação? Não há qualquer dúvida de que sim.

Veja porque.

Estrelas

Uma das grandes artes dos organizadores do SXSW é, primeiro, fazer com que as mais de 2, 5 mil palestras, para cerca de 85 mil pessoas de todo o mundo (1.600 brasileiros, é a estimativa vigente, segunda maior delegação atrás apenas dos próprios EUA), espalhadas por centenas e mais centenas de salas em toda a cidade, ocorram como proposto e, operacionalmente, o circo dê seu espetáculo de forma organizada e competente. Eles entregam tudo isso muito direito, ano após ano.

Outra grande arte desse pessoal é curar a realidade complexa e caótica contemporânea, e entregar aquilo que, em tese, seria o mais interessante, importante, revelador e emblemático do presente, com boas pitadas de futuro. Eles seguem também entregando isso excelentemente bem. Como nenhum outro evento no mundo faz.

É por isso que não dá para não vir.

Nesse mix, teremos sempre, como tivemos este ano, a presença de estrelas do showbizz, como Ethan Hawk, Elisabeth Ross, Frank Oz, Gwyneth Paltrol, David Byrne e Matthew McConaughey, entre outros.

Tivemos também um crescimento importante de temas políticos na grade de programação, certamente como decorrência do efeito Trump e as incertezas que sua gestão tem provocado aqui nos EUA.

Para citar apenas uma personalidade dessa constelação, fiquemos aqui com a controversa e brilhante Alexandria Ocasio-Cortez, congressista norte-americana, ativista, nascida na classe trabalhadora do Brox, mas formada na Universidade de Boston, e que, como acompanhamos na mídia, faz forte oposição a Trump. O público aqui em Austin deve, majoritariamente, se alinhar com ela. Suponho. Fez, como sempre, uma apresentação acusatória de impacto sobre diferenças sociais e governos de força.

Nessa linha, tivemos também o ex-Chairman e CEO do Starbucks, Howard Schultz, que recentemente lançou sua candidatura à Presidência dos EUA, como uma alternativa mais ao centro, entre as pontas dos Republicanos e Democratas. O palco do SXSW serviu de seu palanque.

Tivemos ainda a presença dos clássicos no evento, ex-gênio do marketing da Apple e investidor do Vale do Silício Guy Kawasaky, o guru e palestrante Brian Solis (que virá ao ProXXIma este ano), Bruce Sterling, o também guru, só que da contracultura tecnológica digital, que usualmente encerra o SXSW Interactive.

Ganhamos este ano, ainda, uma palestra do nosso conhecido, e sempre brilhante, Nick Law, ex-R/GA, agora na Publicis. Tivemos ainda um protagonismo importante e inédito de jornalistas estrelas, que em muitos momentos roubaram o show no palco ao entrevistarem as personalidades de plantão, entre eles, Kara Swisher e Peter Kafka, ambos do Recode; o reporter senior de mídia da NBC News/MSNBC, Dylan Byers, que entrevistou Jeffrey Katzenberg e Meg Whitman (dos quais falo logo adiante), e o incisivo e mega-qualificado Nicholas Thompson, editor da Wired, entrevistando o investidor Roger McNamee (idem). Completando o time, Jonah Peretti, que fundou o Huffington Post e, depois, criou nada menos que o Buzzfeed. Daria uma boa redação esse povo.

Os temas clássicos, presentes e renovados

Os assuntos clássicos de tecnologia seguiram presentes, e acompanhamos aqui, como comentei acima, a evolução das amplas e onipresentes Inteligência Artificial, Algoritmos, Machine Learning, Blockchain, ou ainda os também clássicos AR/VR/MR, tudo com desdobramentos para as áreas da medicina, indústria automotiva, agricultura, mercado financeiro, entre várias outras, a nossa indústria também.

A diversidade com toda a sua, bem … diversidade, seguiu sua jornada de crescimento como tema cada vez mais discutido no evento, incorporando-se a isso o crescimento de palestras sobre a nascente e já milionária indústria da Cannabis (tema muito apropriado para a weird Austin de Willie Nelson). Comportamento contemporâneo é um dos grandes pilares do SXSW e seguirá sendo.

Assistimos aqui também espetáculos de difusão de novas tecnologias interativas de última geração, como os óculos de VR com headphones da BOSE, além de experiências sensoriais imersivas em várias das casas e espaços de ativação que muitas marcas usualmente promovem na cidade.

Este ano, no entanto, registre-se, a presença de grandes marcas ativando esses espaços em Austin diminuiu sensivelmente em relação ao ano passado, que por sua vez, deve ter sido, possivelmente, o ano em que elas mais estiveram presentes aqui.

 

Alguns destaques para ter atenção

Se você perguntar a cada um dos 85 mil presentes aqui ao evento, possivelmente cada um deles terá sua própria e pessoal lista de preferências do evento. Ótimo. O SXSW se propõe a ser exatamente isso: uma vivência única para cada um que aqui vem.

Então, vamos a uma das 85 mil listinhas, a minha. Três destaques.

O pré-lançamento do milionário projeto QUIBI. Como você possivelmente já leu, QUIBI é a nova aventura do milionário, empresário e produtor icônico de Hollywood, Jerry Katzenberg, neste caso acompanhado também de sua companheira de jornada na indústria cinematográfica, a ex-Presidente da HP, igualmente milionária e política Meg Whitman.

Você deve também, possivelmente, ter lido que se trata de uma inovadora plataforma mobile de distribuição de conteúdos de entretenimento em formato curto para celular. Único, surpreendente, arriscado, mas belíssimo projeto da dupla, para nosso acompanhamento após seu lançamento, previsto para Abril próximo.

A entrevista de Roger McNamee para Nicholas Thompson, o editor da Wired, em cima de seu livro “Zucked”, em que ele denuncia a falta de ética do Facebook no trato dos dados de seus usuários. McNamee foi um dos primeiros investidores do Facebook (continua sendo), mas se diz altamente frustrado com os mais recentes escândalos de abusos envolvendo a plataforma. No evento, defendeu o direito inalienável do cidadão a privacidade de seus dados, declarou que apoiará qualquer política de controle legal e operacional da gestão de dados pelas grandes empresas de tecnologia, e que essa defesa, assim como o estímulo a diversificação empresarial (contra o oligopólio das gigantes de tecnologia), no desenvolvimento econômico são pilares da democracia e da livre empresa.

Por fim, mas não por último, chamaria a atenção para as mensagens da futurista Amy Webb, sempre um blockbuster por aqui, com a apresentação de seus estudo atualizados anualmente sobre a evolução e as novas tendências da tecnologia. O destaque fica menos para o estudo de 2019 em si, que, como sempre, é espetacular e profundo como nenhum outro hoje a nossa disposição, mas aos alertas que ela, pontualmente, coloca em suas palestras, e deixa também bastante claros em seu livro “The Big Nine”, que ela divulgou aqui. Parte dos estudos e cem por cento do livro são sobre os riscos no avanço descontrolado da Inteligência Artificial e seu domínio pelas nove grandes companhias que hoje detém seu controle, a saber, Microsoft, Apple, IBM, Google, Facebook e Amazon, do lado ocidental, acrescidas de Tencent, Alibaba e Baidu, do lado oriental. Algo que, de fato, devemos nos preocupar e estar atentos.

O SXSW continua sendo um espelho de nós mesmos. O zeitgeist do mundo moderno.

Numa sociedade cada vez mais complexa e incrivelmente veloz, nesse mar tempestuoso do presente, precisamos de um farol para o futuro. O SXSW seguirá lá a nos guiar.

 

 

 

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