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Como e porque nos imaginamos Deus ao criar a Inteligência Artificial

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Como e porque nos imaginamos Deus ao criar a Inteligência Artificial

A obra prima da nossa arte representativa terá sido o sonho de ter criado máquinas cuja capacidade quântica de representação independe, agora, de nós.

1 de abril de 2019 - 6h36

Foi quando o Homem descobriu a representação da realidade que tudo mudou. Pense comigo. Tem a realidade. E tem a representação da realidade.

 

Arte é representação da realidade. O desenho rupestre das cavernas de milhares de anos atrás somos nós deixando de ser o que somos, para sonhar o que imaginamos.

 

Números também são representações da realidade. Pega um número. Não dá.

 

Toda matemática, fundamento de praticamente toda expressão lógica que conhecemos, além da filosofia, fundamentalmente, não existe. É uma ficção funcional humana.

Para citar Yuval Noah Harari, em seu “Sapiens”, “… o cérebro humano é incapaz de pensar em conceitos como relatividade e mecânica quântica. Os físicos conseguem, porque deixam de lado o jeito humano de pensar e aprendem a pensar de novo com a ajuda externa de processamento de dados. Parte crucial de seu pensamento não acontece em sua cabeça, mas dentro de um computador ou num quadro negro”.

 

Daí a imaginar que os algoritmos são igualmente expressões externalizadas de uma quimera humana, tá fácil.

 

Algoritmos são a base da Inteligência Artificial, que como o nome que nossa imaginação criou deixa claro , quer dizer uma inteligência que não é nossa, é fake. Ela é… bem… artificial. Exo-humana.

 

Toda essa externalidade foi gerando máquinas como representação de nós mesmos e a Inteligência Artificial é sua maior libertação.

 

Como diz a futurista Amy Web em seu livro “The Big Nine”: “A evolução da Inteligência Artificial, de sistemas robustos capazes de realizar tarefas específicas para máquinas de pensamento abrangente, está a caminho. Neste momento, a Inteligência Artificial é capaz de reconhecer padrões e tomar decisões rapidamente, encontrar regularidades escondidas em grandes quantidades de dados, além de fazer acuradas previsões. ”

Deste momento em diante, essas máquinas evoluirão a partir de seu próprio conhecimento, o adquirido e o proprietário, mais avançado que o humano, sem necessariamente termos controle claro sobre todo esse processo. Nem onde vai dar.

Assim, a obra prima da nossa arte representativa terá sido o sonho de ter criado máquinas cuja capacidade quântica de representação independe, agora, de nós.

 

Deus ex-machina. Em Latim, um Deus surgido da máquina.

 

Criados criaturas, nos arvoramos divinos. E foi o que criamos.

 

 

 

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