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IPO do Uber sob intensa dúvida do mercado

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IPO do Uber sob intensa dúvida do mercado

O preço da ação começou a ser tradado ontem a US$ 75,00, bastante abaixo dos iniciais US$ 120,00 projetados inicialmente. Isso coloca o valor da companhia em US 75,5 bi, o que me deixaria até bastante feliz se ela fosse minha. Mas na real as perspectivas são de apreensão no mercado. Veja porque.

11 de maio de 2019 - 11h03

O Uber é sensacional. Transformou a urbanidade móvel em boa parte das mais de 600 cidades em que atua e isso é cidade pra cacete mundo afora. Revolucionou a ideia da posse de veículos ao introduzir, de forma brilhante, o modelo de compartilhamento de carros. Pode acabar com a indústria dos táxis, o que será uma benção. Conceitualmente, estimulou todos nós a acreditar mais e mais nos altos benefícios da economia colaborativa. Tudo isso num simples app. E um baita modelo de negócios por trás. Fora a operação, nada trivial.

Ontem, suas ações começaram a ser negociadas na Bolsa de Nova Iorque dando início mercadológico ao seu IPO, num valuation da companhia de US$ 75,5 bi, no segundo mais antecipado IPO desde o do Facebook (Uber anunciou seu IPO há quatro anos). Com isso, a empresa espera arrecadar US$ 8 Bi para seu combalido caixa.

Uber vem registrando queda persistente em seu faturamento nos últimos anos. Não é uma startup propriamente, já que está há 11 anos no mercado. Essa é uma das razões dos US$ 120,00 por ação esperados pelo pessoal do Morgan Stanley, que lidera o processo de listagem na NYSE, não ter se configurado e ter caído, de forma igualmente vertiginosa para os US$ 75,00 de ontem, nesses quatro anos.

Mas por que a empresa vem deixando de ter a espetacular performance que no início projetou e entusiasmou todo mundo?

Por várias razões.

A primeira é a concorrência. Outras companhias de compartilhamentos de carro para o transporte urbano em grandes cidades foram se consolidando nos últimos anos. Um deles é o principal concorrente nos EUA do Uber, o Lyft, que foi comprado pela GM e tem investimentos de gente pesada como o Soft Bank, entre outros (mas tamém não está lá jogando esse bolão todo, registre-se).

A China tem hoje pelo menos uma empresa de car-hailing que pode representar ameaça direta ao Uber, caso decida entrar no mercado norte-americano, a Didi, que no Brasil comprou a 99. Porque não comprar a Lyft, uai?. Isso, certamente, tira o sono de alguns investidores da companhia.

Mas há, adicionalmente, uma série que parece interminável de escândalos de assédio e estupro na frota que aderiu ao serviço. Há ainda a postura escrota de seu bilionário fundador, Travis Kanalick, nascido na Califórnia e formado em engenharia da computação e economia de negócios na UCLA, que não parece se importar muito com isso, aliás, bem ao contrário. Sua fama machista o precede e o persegue, apesar de seu estilo tipo descoladão de empreendedor do Silicon Valley.

Há o fato, vai somando aí, de ter ficado claro, ao longo dos anos, aos motoristas do Uber, que eles, em verdade, apesar de terem em mãos o que poderia de fato vir a ser um modelo de trabalho bem legal, são, na real, mega-explorados e que, para muitos deles, o ganho é bem pequeno, ou simplesmente a conta não fecha.

Tudo isso afeta de forma impactante e pesada a imagem da companhia e, na sequência, o desempenho de seus negócios.

Se o Uber não der certo, Kanalick não vai ficar pobre. Não precisam se preocupar com ele.

O fato é que está em jogo não só os bilhões de dólares de investimentos nesse IPO, ms também um pouco de incerteza sobre os reais avanços e benefícios da economia colaborativa, versus um lado ainda nebuloso, mas que pode ser não tão maravilhoso assim do modelo, já que ele introduziu vaiáveis ainda não totalmente dominadas pelas companhias e pelos mercados, entre eles:

– A imprevisibilidade de operações que envolvam grandes massas de usuários compartilhando uma mesma plataforma de serviços comuns;

– Colaboradores não efetivamente preparados para suas novas tarefas diante de tanta gente;

– A arrogância cada vez mais revelada dos líderes criadores das grandes companhias de tecnologia do Vale do Silício, com ideias brilhantes, mas com moral pra lá de questionável;

– Além dos riscos naturais e democráticos de qualquer novo e disruptivo modelo de negócios que propõem um formato econômico descentralizado, em que todo mundo é meio dono e ativamente dá pitaco pra cacete.

Eu não torço contra o Uber. Aliás, mega torço a favor. Desejo de verdade que dê certo.

Mas sem esse bando de erros grosseiros e com o ganho justo para quem é um tipo muito especial de “sócio” da operação, seus motoristas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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