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Porque as marcas estão boicotando as redes sociais

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Porque as marcas estão boicotando as redes sociais

Embora pareça um fenômeno súbito, que explodiu nos últimos dias, quando assistimos as manchetes da mídia dando conta da suspensão de investimentos das grandes marcas em redes sociais, particularmente o Facebook, não é nada súbito. É história, E a história nunca é súbita.

30 de junho de 2020 - 8h00

Nem de longe o que estamos vendo é súbito e nem se restringe ao Facebook, que embora tenha sido a rede social que mais apareceu nas manchetes recentes, em que grandes marcas anunciaram a suspensão de seus investimentos de comunicação na plataforma.

Trata-se, em verdade, de um movimento histórico com maior profundidade do que percebemos na superfície, e que vai bem para além do Facebook, envolvendo as redes sociais como um todo, pulishers incautos e vis, influencers qualquer nota que falam bobagens, levando assim de roldão todos os pontos de contatos mal comportados das marcas com seus consumidores e usuários, e também da sociedade em sua fome de expressar-se a si mesma.

A tendência veio se consolidando nos últimos anos, particularmente com a explosão incremental das fake news e dos robôs detratores de marcas. Ganhou momento com o acirramento social geral de posições políticas ligadas a processos eleitorais em vários países, Brasil incluso, envolvendo ainda discussões ideológicas sobre liberdade de expressão e outras comportamentais, sobre temas ligados a diversidade de gênero, racismo e tantos demais preconceitos que infestam nossas sociedades.

As marcas demoraram a engajar-se, mas viram-se diante da inevitabilidade de assumirem posições cada vez mais claramente assertivas sobre tudo isso, já que seus públicos-alvo passaram a cobrar e exigir delas um engajamento maior diante das causas maiores da sociedade em que elas, as marcas, habitam e da qual seus negócios dependem.

As plataformas sociais todas, que ativam e são a base das redes sociais que conhecemos, durante anos, também, fecharam os olhos a todos esses temas e conflitos, colocando-se como intermediárias agnósticas de seus usuários, permitindo a eles manifestação irrestrita de opinião e manifestação pública, em nome da livre opinião e da democracia.

Ocorre que democracia não é uma prática de Pilatos, tipo lavo minhas mãos e deu. Ou de avestruz, tipo, enterro minha cabeça num buraco e dane-se o que finjo não ver.

Democracia envolve bem mais do que isso e tanto marcas, quanto publishers, quanto redes sociais, quanto influencers, quanto aplicativos, enfim, todos aqueles que intermediam, de alguma forma, a interelação entre os stackeholders da sociedade e suas manifestações socialmente públicas, são elos inexoráveis de uma mesma e única cadeia de comprometimentos.

Cada qual a sua maneira, incluindo todos os tardios que acabei de citar, vinham já de algum tempo, mas aceleraram agora, ampliando sua percepção e sua prática de que não são ilhas. São parte do arquipélago que chamamos de sociedade.

E assim como não foi súbito, não tenderá a ser sumário. A sociedade seguirá cobrando posicionamentos. Todos os players terão que responder a eles.

De agora em diante, recorrentemente, seguiremos jogando esse complexo jogo democrático e das leis de livre mercado, que elegemos como pilares regulatórios de nossa vida societária em grupo.

 

 

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