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We are data

Tudo bem, ainda somos de carne e osso. Mas para efeito das trocas, transações e interações conectadas da sociedade contemporânea, somos dados

26 de outubro de 2020 - 8h00

Você e eu somos dados. Tudo bem, ainda somos de carne e osso. Mas para efeito das trocas, transações e interações conectadas da sociedade contemporânea, somos dados. E como tudo hoje está conectado e interconectado, é possível supor que mesmo vivendo a vida real e física que vivemos, sejamos hoje mais dados do que gente.

Doido? Sim. Mas mentira? Talvez não.

O nome deste post é o mesmo de um livro que acabo de ler e que é daqueles de explodir a cabeça, do professor da Universidade de Michigan, John Cheney-Lippold.

Nele, a questão essencial e visceral que o título provoca é dissecada ao limite e não há como sair de sua leitura a não ser assustado, meio petrificado, diante do fato e da constatação que nos transformamos em códigos.
O subtítulo do livro dá mais uma dica de como o tema é abordado pelo autor: algorithms and the making of our digital selves.

Somos, nos revela o autor, seres personas digitais vagando por um mundo de avatares virtuais como nós, num ambiente em que não somos mais de fato nós mesmos, mas configurações numéricas criadas para servir a dinâmica de um mundo não mais humano, mas de máquinas e seus algoritmos.

O Pyr algoritmo não é o Pyr mais. É outro, se é que me entende. Um outro self, como nos alerta o John.
Sobre esse outro Pyr virtual tenho relativo controle. Bem relativo, diga-se, já que os dados sobre ele, que não sou eu, são capturados, manipulados, usados e abusados, sem que eu tenha a menor ideia como, onde, quando, nem, muitas vezes, por quê.

Nesse mundo, os algoritmos pretensamente conseguem prever meu próximo comportamento digital com sua capacidade computacional preditiva, baseada no meu histórico. Assim, sou, no ambiente das máquinas, um ser previsível e sem direito a um futuro renovado, já que sou totalmente dados fundamentados no meu passado.

É um processo de dataficação, em que vidas reais tornam-se dados computacionais. E é maluco porque esse processo é contínuo e ininterrupto e nosso avatar algorítimico interage com outros algoritmos, em todos os pontos de contato que temos na internet. Nesse mundo, como ficou claro, não somos mais humanos, somos máquina conversando com máquinas. Nossa história é uma ficção estatística computacional.

O John vai longe nessa viagem e, como é possível imaginar por tudo o que já coloquei até aqui, ele entra fundo em como essa contingência algoritímica de nós mesmos permite manipulações por empresas, governos e Estados. Indigesta leitura, asseguro. Mas inquietantemente possível e, em certa medida, provável.

Não há muito a fazer a esse respeito. Viramos dados. Ponto. Nossa busca, num mundo como esse, deverá se pautar pela luta para que mais e mais nossos dados sejam protegidos e que tenhamos acesso a como eles são usados, seja por quem quer que seja.

Se virei um dado, pelo menos exijo que esse dado seja meu, já que sou eu.

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