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Chief Market Office: não, você não leu errado.

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Chief Market Office: não, você não leu errado.

Esse profissional tem como função ir além do que a prática do marketing das últimas décadas acabou por entregar, em que a comunicação, estratégias, mercados e a gestão dos perfis de consumo se notabilizaram como as atividades essenciais do CMO, entenda-se, Chief Marketing Officer

17 de novembro de 2020 - 10h00

Desde que Philip Kotler popularizou os 4 Ps do marketing nos anos 60, tendo seu livro “Administração de Marketing” sido considerado até hoje como uma das grandes obras da literatura de negócios de todos os tempos, nunca a disciplina do marketing e o job description do CMO passaram por transformação tão profunda como passam hoje.

Kotler elevou o marketing a um dos pilares da ciência econômica no mundo da administração empresarial. Na prática do dia a dia, desde então, nem sempre os CMOs puderam aplicar in totum o que a teoria empírica de Kotler determina e orienta, mas o marketing bebeu, sim, dessa rica fonte por décadas e a conformação da profissão fundamentou-se nessa base teórica quase acadêmica para validar a relevância dessa atividade dentro das companhias.

Mas uma das provas, apenas uma dentre muitas, de que a profissão passa por vigorosa, emblemática e profunda revisão pudemos observar no painel Marketing As a Service do excelente evento ProXXIma, realizado pelo M&M agora em Outubro.

Marketing As a Service, a definição já entrega, é o marketing contratado de forma terceirizada para que empresas que não tenham condição de manter uma estrutura interna de marketing dentro da companhia possam se valer dos valiosos serviços da atividade de alguma forma. Startups usam. Algumas empresas começam a usar.
Trata-se de um fenômeno da indústria da pressa e da urgência, em que muitas práticas e disciplinas se desconstroem em suas bases mais originais, para se transformarem e se adaptarem a um mundo empresarial mais enxuto, mais ágil e menos oneroso.

Mas meu ponto aqui está lá em cima no título: Chief Market Office.

O Chief Market Officer tem como função ir além do que a prática do marketing das últimas décadas acabou por entregar, em que a comunicação, as estratégias mercadológicas, a definição de mercados e a gestão dos perfis de consumo se notabilizaram como as atividades essenciais do CMO, entenda-se, Chief Marketing Officer.
O Chief Market Officer precisa incorporar muitas outras novas funções, responsabilidades e entregas, além de sofisticar ainda mais o que já fazia antes.

Dentre essas tarefas está integrar-se nos meandros da logística estratégica e da distribuição física e/ou digital de produtos e serviços da companhia; compor-se como gestor também da performance cotidiana e, no mundo digital, em tempo real, das vendas da empresa; precisa responsabilizar-se por gerir canais, jornada e conversão; estruturar, gerir e otimizar os resultados de plataformas e práticas omnichannel; dominar ferramentas e plataformas tecnológicas de suporte a tudo isso; ter sob seu controle complexos sistemas de Business Intelligence para conhecer e atualizar de forma recorrente as velozes alterações de humor e comportamento do mercado para ajustar-se, também em tempo real, às transformações das sociedades e do consumidor errante dos tempos modernos; e, ainda, responsabilizar-se, como nunca antes, pelos efetivos resultados da empresa como um todo.

Isso tudo o transforma de um gestor em um profissional de negócios. Ainda mais estratégico e vital para a empresa do que sempre, diga-se. Entendo ser essa não só a maior transformação da profissão de marketing desde que a atividade passou a existir nas empresas há mais de 50 anos, como também a maior oportunidade desse profissional, digo, esse novo profissional que nascerá dessa nova demanda e desse novo perfil, tornar-se definitivamente ainda mais vital para o futuro dos negócios empresariais daqui para a frente.

Vai precisar saber mais de negócios? Vai. Vai precisar conhecer mais de tecnologia e gestão? Vai. Vai precisar entender mais de vendas e varejo? Vai. Vai dar muito mais trabalho? Ah, vai. E como. Mas os que souberem se aproveitar desse momento de forma íntegra e abrangente, preparando-se para a transformação em curso, vão tornar-se os profissionais do futuro para todas as práticas de mercado, e não mais apenas (incluindo, mas não só) as de marketing, como até então.
Eba!

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