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A nova saga de Jack Dorsey: criador do Twitter quer recriar as redes sociais

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A nova saga de Jack Dorsey: criador do Twitter quer recriar as redes sociais

Seu propósito é estruturar protocolos descentralizados sobre os quais as redes sociais seriam (re)construidas, retirando poder de grupos e entregando-o nas mãos da democracia onisciente das próprias redes

26 de janeiro de 2021 - 8h00

“O Twitter está investindo num pequeno grupo independente de arquitetos da informação, engenheiros e designers para criar um novo standard aberto e descentralizado para as redes sociais. O próprio Twitter será cliente desse novo standard (…) as forças centralizadas de polícia global contra os abusos e informações falsas não conseguirão sucesso antes de muita gente ter sido afetada. Os algoritmos que controlam as redes são todos proprietários e hoje desviam intencionalmente a função original das redes sociais. Novas tecnologias surgiram nos últimos anos fundamentadas no protocolo Blockchain, soluções descentralizadas que poderão permitir a descentralização que buscamos. Há muito trabalho a fazer.”

Em linhas gerais, esse é o resumo do que pretende Jack Dorsey, criador do Twitter e também do Square. Square é uma plataforma de meios de pagamento que vale US$ 223 Bi. O Twitter vale US$ 132 Bi. O cara sabe fazer negócios lucrativos e tem, portanto, as credenciais necessárias para, quem sabe, criar, de fato, um novo protocolo para as redes sociais, que quebre o poder concentrado dos algoritmos treinados para nos dirigir e nos tutoriar enquanto, ingenuamente, conversamos com nossas comunidades na web nas redes sociais.

A internet nasceu assim, descentralizada e livre. Foi aos poucos sendo ocupada por poderosos conglomerados dominantes, que cada vez mais criam seus próprios walled gardens, na expressão em inglês. Ou seja, seus próprios cercadinhos, em quem manda é que é o dono da bola.

Blockchain é um novo protocolo, totalmente descentralizado. Criar novos protocolos de redes sociais a partir e sobre ele pode ser uma saída para o problema, que Dorsey, aparentemente, quer peitar.

Nos últimos meses, ele tem sido atacado ou por um sentimento de culpa, ou de benevolência, ou os dois, quem sabe, passando a se preocupar com temas sociais, já que é o maior acionista individual de uma das maiores redes sociais do Planeta. Semanas atrás abriu suas contas pessoais, mostrando quanto tem no banco (bilhões e mais bilhões) e resolveu doar metade do seu patrimônio para causas sociais, comprometendo-se a deixar transparente onde vai aplicar todo esse dinheiro.

Agora, movido pelo aparente incômodo do que as redes sociais são capazes de fazer, de forma dominante, e diante de tanto estrago que elas, de fato, tem feito, quando usadas para fins nem sempre idôneos, ou éticos, ou socialmente generosos, Dorsey resolveu criar esse tal grupo de gênios para ver onde consegue chegar na sua nova saga de tentar salvar as redes sociais do bem.

A teoria é que algoritmos abertos e descentralizados recomendarão destinos, conversas e conteúdos igualmente mais democráticos e descentralizados para todos.

Como nos explica Luciano Britto, do qual sou sócio na Rhizom, ela mesma uma plataforma de blockchain, “ele está definitivamente preocupado com a centralização da informação e está juntando uma série de protocolos já existentes para montar uma nova lógica descentralizada que priorize, entre outras, a questão da privacidade, que é um dos temas mais urgentes”.

O Britto gravou vários áudios me explicando técnica e tecnologicamente como a coisa toda pode vir a funcionar, mas já resumimos aqui para nós, leigos, o que mais importa: o conceito geral e o propósito.

Paulo Flávio Massaro Duque, outro amigo, este com quem trabalhei na Starmedia, ele hoje um pesquisador world class de Inteligência Artificial, com curso no MIT, entre outros, comenta que a motivação de Dorsey, e também de outros cientistas e pesquisadores, é com o efeito nefasto mais recentes da redes sociais. Lembra que o banimento de Donald Trump das redes sociais é um movimento importante nesse sentido, mas que segue sendo um movimento a partir de quem tem o poder das redes sociais nas mãos. Na direção certa, se tomarmos como parâmetro de certo o aniquilamento da mentira intencional em busca do poder, mas ainda assim centralizada e nas mãos de muito poucos.

“Isso não resolve o problema”, argumenta ele, “além de criar outros, como a moderação de denúncias legítimas, como a de maus tratos em ambientes de conflito armado, Síria, por exemplo. Desse jeito não vai rolar. Não dá para ficar criando censores digitais empoderados com o dom e o direito de decidir sobre as verdades. A ideia do Jack Dorsey é criar um novo protocolo que retira desses centros o poder e a responsabilidade pela moderação, jogando-a nas mãos da própria rede, que então seria descentralizada, usando a mesma lógica e arquitetura do blockchain, que é Pier to Pier. Não tem um centro”.

Vai fundo Jack. Tô com você nessa.

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