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Os novos desafios de ABA, CENP e demais entidades desta indústria

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Os novos desafios de ABA, CENP e demais entidades desta indústria

As entidades ficaram obsoletas porque executivos e empresários estão também. Ou tudo anda para a frente ou vamos todos andar para trás

8 de fevereiro de 2021 - 13h41

A saída da ABA do CENP não é surpresa para ninguém, nem por isso deve ser entendida como fato trivial.

A ABA entende que o CENP não interpreta mais seus anseios e acredita que, apartada dele, irá mais longe na interpretação, ela própria, dos anseios de seus associados. Justo. O próprio CENP reconhece isso.

Mas vai um primeiro alerta aqui: ninguém cria regras de negócios próprias e isoladas no capitalismo contemporâneo, um sistema global e totalmente interconectado como nunca antes. 

O que precisamos todos, em conjunto, perceber, é que vivemos não uma crise entre a ABA e o CENP, mas uma crise representativa das entidades em geral da nossa indústria. E que não é de hoje, faz tempo. E que piorou nos últimos 10 anos. E que pode piorar ainda mais, dependendo das atitudes que tomarmos aqui e agora.

Explico tudo, tin-tin por tin-tin.

Quando as entidades eram mais fortes – e foram, vivi para ver, ninguém me contou – eram não só mais representativas dos anseios de seus associados, como também das realidades de mercado, que então logravam discutir e, mais assertiva e concretamente, endereçar.

Isso se foi e as entidades hoje não são mais tão fortes como foram, mas também carecem, em sua maioria, da sabedoria e competência de interpretar um mundo que se transformou radicalmente e que corre hoje numa velocidade inaudita. Elas, por sua vez, correm esbaforidas e meio perdidas atrás, buscando se modernizar e trazer para dentro de suas atividades um grau de complexidade que parece não caber mais dentro de entidade alguma.

Anos atrás, não só a realidade era mais bobinha e lerda, mas havia também lideranças mais fortes. Hoje, não só nossa indústria como um todo carece delas, como nossas entidades também.

Pois tenho mais más notícias: a complexidade não vai se simplificar, nem a velocidade vai desacelerar. É o mundo que temos para o momento e é com ele e com os desafios que ele nos propõe que temos e teremos que lidar. Nossas entidades também.

Para minimamente entendê-lo e administrar as transformações que ele nos propõe, precisamos de profissionais, executivos e empresários mais contemporâneos e antenados em todas essas alterações e transformações, matéria prima rara em nossa indústria, infelizmente (não disse inexistente, disse rara. E desafio quem me prove o contrário).

Nas empresas do nosso setor, salvo meritórias exceções, vemos corporações, também elas, obsoletas em face à realidade. Agências, veículos, anunciantes, todos vivenciando seu grau de obsolescência diante dos avanços da nova e incremental realidade.

Resumindo: o mundo ficou mais complexo, as empresas e seus gestores ficaram para trás, vivemos uma crise de lideranças e as entidades terem ficado obsoletas é só o resultado de uma fórmula simples de causa e efeito. Correto?

Então tá. E daí? Vamos largar de mão as entidades e boas? Danem-se? 

Pois tenho uns recadinhos para essa turma que pensa assim.

Aos que me lêem e que acreditam não precisarmos mais de entidades, porque o mundo ficou complexo demais e não há mais tempo, nem cabimento, para elas, me desculpem a franqueza, mas é muita ignorância.

Aos que me lêem e que acreditam que os mercados em que atuam viverão sem suas associações e instâncias representativas, me desculpem a franqueza, mas é muita estupidez.

Aos que me lêem e que acreditam que vencem e vencerão, como profissionais ou como empresários, sem precisar de entidades fortes e representativas, me desculpem a franqueza, mas é muita arrogância burra.

Se você, que me lê, acha todas essas entidades uma merda, pois então vai criticá-las lá dentro e ajudar a arrumá-las. Se o mundo ficou complexo demais, vai lá e faz o que der  para o mundo que for possível caber dentro da entidade do segmento em que você atua. 

Sem essas organizações, viveremos uma era de barbárie corporativa franca e aberta, de canibalismos setoriais e de negócios, em que todos seremos engolidos. E em que, mesmo os que têm a pálida ilusão que comem, estarão, em verdade, autofagicamente, comendo-se a si próprios.

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