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Qual o futuro da Netflix?

Bom, qualquer maluco que cravar uma resposta afirmativa convicta a essa minha pergunta aí do título não passa exatamente disso: meio dôdio

19 de abril de 2021 - 13h19

(Crédito: Divulgação)

Não há como saber ao certo qual o futuro do Netflix. Ele foi fundado e é comandada por um dos maiores gênios do mundo do entretenimento das últimas décadas, Reed Hastings, o cara que disrompeu toda a cadeia de distribuição e, em seguida, da produção de conteúdo contemporâneos, colocando em cheque toda a indústria da televisão e do cinema juntas, em algumas tacadas brilhantes e ousadas, que ninguém antes dele havia nem cogitado (bem… talvez Steve Jobs com sua plataforma Apple Music/iTunes/AppStore, tá, pode ser…). Esse é o cara que sabe qual é o futuro da Netflix, poucos mais, além dele, se algum.

Mas então, porque ficar conjecturando? Porque Netflix é o pêndulo da indústria de consumo de conteúdo global. Para onde ela balançar, todo o resto balança junto. E porque há na mesa cartas que antes não estavam no jogo quando Hastings fundou sua companhia, em 1997. Já lá se vão quase um quarto de século. Nos tempos de hoje, é tempo pra burro. 

Ao longo desse período, Netflix se reinventou algumas vezes, mas nunca enfrentou, como enfrenta hoje, o desafio de alguns dos maiores (e mais caretas) conglomerados do entretenimento e da mídia globais. Esse é o cenário mais desafiador que teve diante de si até agora, além do seu próprio desafio interno como modelo de negócios, extremamente bem sucedido, mas que enfrenta importantes gargalos de rentabilidade e sustentabilidade financeira futura. É o que apontam alguns números.

Se não, vejamos.

O cenário de crescimento do OTT nos EUA, terra do Netflix, é altamente promissor. Trata-se de um mercado projetado para vir a ser de US$ 87 BI em 2026. É bastante dinheiro. Mas isso é só o mercado norte-americano. Globalmente, esse número pode chegar a quase US$ 200BI no mesmo ano de 2026.

Netflix olha para tudo isso com olhos gulosos, mas não está mais só. Pesos pesados, de dois anos para cá, tem a mesma gula, como é o caso de Disney, Amazon, HBO, Roku, além do Google com seu YouTube, a chinesa Tencent, e da segmentada DAZN, para citar algumas, estão no game do OTT, praticamente inventado por Hastings, apostando pesado com formatos comerciais e ofertas de valor e conteúdo indiscutivelmente competitivas para Netflix.

O maior crescimento do Netflix vem sendo fora dos EUA, nos chamados mercados internacionais, uma vez que, em sua própria casa, chegou a um limite importante de expansão, reduzindo o aumento de sua taxa de penetração mais recentemente, muito porque sua proposta de valor, de fato, está chegando ao pico no País. Mas além disso, a entrada em cena de todos os demais players que citei acima resultou num assalto ao antes cativo mercado de Netflix. Um assalto relevante.

Em verdade, analistas acreditam que a expansão dos negócios de Netflix será sustentada, nos próximos anos, exatamente por esses mercados fora dos EUA, nos quais incorporou bem mais que 10 milhões de novos usuários nos últimos quarters. Globalmente, Netflix tem hoje cerca de 200 milhões de assinantes. É o líder do setor.

Tanto  no mercado norte-americano, quanto fora dele, Netflix tem conseguido aumentar o preço de suas assinaturas, o que tem sido responsável por um incremento adicional de receita, além de sua expansão geográfica.

Ocorre que a companhia tem um débito atual de US$ 15 Bilhões. Em seu último balanço, apresentou uma receita total de US$ 25 bilhões, o que é altamente promissor, com um lucro líquido de US$ 2,5 bilhões. A empresa vem pagando suas contas, e seu débito parece sob controle. Mas continua lá. Importante.

O que se questiona é se essa conta efetivamente vai fechar melhor no tempo, em algum momento. As produções de Netflix são milionárias e seus custos nessa área são estratosféricos. Há os que acreditem que isso não vai dar certo, no médio prazo.

E aí há as especulações de mercado dando conta de que, em algum momento, a companhia terá que ceder ao modelo publicitário, que Hastings não gosta, ou abrir para incorporar a seu inventário invejável de conteúdo também o entretenimento ao vivo, um mercado igualmente bilionário e altamente promissor no OTT.

O futuro de Netflix é ainda uma caixinha de surpresas por vir, mas a julgar pelo presente, algumas preocupações devem estar abalando, um pouco que seja, o sono de Hastings. 

Verdade que ele é já um bilionário e pode encostar a chuteira quando quiser, vendendo a Netflix, o que parece ser, ao final, um destino meio que inexorável para sua operação. E aí, quem comprar que se preocupe com o futuro da Netflix.

Na eventualidade de uma Netflix sem Hastings, no entanto, o destino da companhia segue sendo um ponto de interrogação.

Isso não tira em nada o mérito brilhante de toda essa disruptiva história da companhia. Faz apenas com que indaguemos se o que virá será tão brilhante como o que já passou. E seja qual for esse porvir, terá enorme impacto nos destinos de toda a indústria do entretenimento global.

É por isso que ficamos pensando sobre o futuro de Netflix.

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