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Netflix entra no comércio eletrônico

Netflix enfrenta o desafio de manter sustentável sua caríssima cadeia de produção mega milionária de filmes próprios

17 de junho de 2021 - 14h04

(Crédito: Divulgação/Netflix)

Como registrou a mídia especializada nos EUA, na semana passada, a Netflix está iniciando um site de comércio eletrônico – o Netflix.shop, uma loja online que vende produtos exclusivos de edição limitada baseados em seus programas e filmes.

Josh Simon, vice-presidente de produtos de consumo, em uma postagem do blog da Netflix na quinta-feira, disse: “Estamos sempre procurando como podemos estender o mundo de nossas histórias para os fãs, de roupas e brinquedos a eventos e jogos envolventes”.

Vem primeiro no sortimento da lojinha da Netflix roupas e bonecos de ação baseados na série de anime “Yasuke” e “Eden”. Artigos decorativos conectarão os espectadores a “Lupin” da Netflix – uma série de TV de mistério baseada na França. 

O Netflix.shop também venderá roupas com o logotipo da Netflix feitas pela casa de moda japonesa Beams. Outros produtos vinculados à Netflix farão riffs de programas originais, incluindo “The Witcher” e “Stranger Things”.

Ainda como registra a mídia especializada dos EUA, em março de 2020, Simon, da Netflix, começou a fechar acordos de parceria de varejo para produtos vinculados à Netflix com varejistas como Walmart, Amazon, Target e Sephora.

Isso é semelhante ao que fizeram e seguem fazendo ao longo de anos muitas empresas de TV tradicionais – NBCUniversal, Walt Disney e outras – com seu conteúdo de TV e filme. O popular licensing. 

Netflix enfrenta, como tive oportunidade de registrar aqui mais de uma vez, o desafio de manter sustentável sua caríssima cadeia de produção mega milionária de filmes próprios. As receitas provenientes de assinatura pagam parte da conta, mas não tudo. E o buraco, se não estancado, pode crescer. A busca por novas fontes de receita precisa acelerar e o ecommerce associado às franquias e licensing é uma saída sem dúvida eficiente e à mão. Podendo vir a ser altamente rentável.

A companhia resiste ao modelo clássico da publicidade. É incrível, mas a empresa não dá, até agora, clara mostra de que esteja interessada em adotar essa possibilidade alternativa e complementar de entrada de recursos. Há, é claro, o forte apelo de ser uma operação ad free, o que segue sendo um diferencial competitivo importante junto à audiência, que muitas vezes tem forte resistência a ter que ver propaganda para poder assistir o que deseja. Daí paga a assinatura. 

O modelo da TV a cabo conseguiu conviver com essa dupla fonte de receita por décadas, mas agora enfrenta problemas exatamente com a competição do OTT, para o qual está migrando. E uma das características básicas do OTT é ser ad free. Pelo menos por enquanto.

O novo fato agora nesse cenário é que Netflix virou lojinha e isso pode transformar sua operação. A Amazon, seu principal concorrente, nasceu lojinha, para depois migrar para o OTT. Vender coisas num ambiente envolto pelo entretenimento, se for bem feito, funciona e os consumidores não têm grandes resistências. Muitos enxergam adequação e comodidade nisso. A ver.

Uma grande sacada seria Netflix se associar a Walmart ou outro grande varejista. Aí a brincadeira ia ficar interessante.

Seja como for, o passo é importante para a companhia e muita coisa está em jogo nessa novidade. Entre eles, a briga de gigantes de toda a indústria de OTT e streaming.

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