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Branding e compartilhamento: as novas cooperativas de plataforma

​As novas marcas de cooperativas de plataforma nascem como uma alternativa às plataformas digitais já conhecidas, como Uber, Airbnb, Amazon e outras, que foram construídas sob a promessa de compartilhamento, logo na primeira onda da sharingeconomy, mas transformaram-se rapidamente em estruturas altamente concentradoras de poder

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22 de março de 2019 - 7h57

 Por Levi Carneiro (*)

Midata, Stocksy United, Fairmondo, Green Taxi Cooperative, Up&Go, Resonate.is, The RChainCooperative, Fairbnb, Loconomics. Estas são algumas marcas já em operação, em diferentes países e segmentos de negócio e, a todo momento,  surgem mais exemplos dessa nova configuração emergente no mundo articulado em rede: as cooperativas de plataforma. O que elas têm em comum? São todas, como o nome diz, organizadas de acordo com os princípios cooperativos e funcionam em plataformas digitais.

 

Para ficar mais claro, seguem alguns cases explicados: Midata é um sistema online para troca de dados de saúde entre pacientes, médicos, pesquisadores e outros agentes, que obedece uma ética cooperativa e preserva a privacidade de  todos. Fairbnb, como sugere a denominação, é uma rede interconectada e cooperada de hospedagem que busca ser mais justa e menos comercial na interação entre quem hospeda e quem é hospedado. Loconomics é mercado móvel e online para locação de trabalho em tarefas cotidianas, comandado pelos próprios prestadores de serviço e sem cobrar comissões. E assim por diante.

As novas marcas de cooperativas de plataforma nascem como uma alternativa às plataformas digitais já conhecidas, como Uber, Airbnb, Amazon e outras, que foram construídas sob a promessa de compartilhamento, logo na primeira onda da sharingeconomy, mas transformaram-se rapidamente em estruturas altamente concentradoras de poder e resultado, tirando proveito da utilização precária dos serviços alheios, sob a forma de subcontratos, trabalho temporário e terceirização. Só nos Estados Unidos, estima-se atualmente algo como 60 milhões de freelancers.

Vale recordar: as primeiras cooperativas do século XIX se organizaram como uma resposta a uma “plataforma” – a fábrica – que se implantava na época da Revolução Industrial e alterava drasticamente as condições de trabalho e vida, substituindo pessoas por máquinas e criando relações diferentes do modelo artesanal que predominava. As cooperativas de plataforma, inspiradas nessa longa tradição de colaboração, pretendem agora oferecer saídas de equilíbrio e justiça nas relações de trabalho e negócio, dentro do ecossistema da Internet.

Começando com esforços aqui e ali, em 2015, movimento do cooperativismo de plataforma ganhou expressão pública quando os professores, TreborScholz e Nathan Schneider, num evento na The New School – NY, reuniram mais de mil acadêmicos, tecnólogos, empreendedores, sindicalistas e ativistas interessados em debater essa nova proposta como uma maneira de viabilizar a propriedade e a governança compartilhadas na prestação de serviços em ambiente digital.

A ideia central é simples: trata-se de um modelo de negócio alternativo que, baseado nos fundamentos cooperativistas, articula-se em torno de uma plataforma digital, cuja intenção primordial é possibilitar que os próprios provedores de serviços interligados sob a aquela marca assumam a coordenação da sua prestação de trabalho e da repartição de ganhos e benefícios, com parâmetros democráticos e colaborativos.

É uma boa combinação de branding e compartilhamento, que pode resultar em marcas socialmente relevantes e efetivamente coletivizadas. Segundo Nathan Schneider, a cooperação e os seus fundamentos históricos têm comprovadas vantagens competitivas que, adaptadas ao universo online, podem enfrentar os “laços frouxos” da conectividade e fixar critérios éticos que protejam os prestadores e usuários nas transações virtuais.

Todas essas experiências inovadoras dessas novas cooperativas estão reunidas numa estruturada e crescente organização internacional, a Platform.Coop (www.platform.coop), que pretende construir “um futuro mais justo para o trabalho” em contraposição ao modelo “extrativista e uberizado”.

No Brasil, a discussão sobre o cooperativismo digital está começando. Mas, sem dúvida, é uma excelente oportunidade para expandir o interesse sobre o cooperativismo já existente no país (que conta hoje com 7.000 cooperativas e mais de 13 milhões de cooperados – dados da OCB), estreitando o seu diálogo principalmente com públicos mais jovens. Da igual forma, o tema interessa a todos empreendedores prestadores de serviços que querem escapar do trabalho precário ou do funil acelerado dos startupspara construir modelos efetivamente colaborativos e de autogestão. O cooperativismo de plataforma é, com certeza, um caminho para construir marcas fortes e de fato compartilhadas.

 

(*) Levi Carneiro é Diretor da Ideia Comunicação

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