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O Streaming de Vídeo e o Streaming da Informação

Nos EUA, onde a rápida expansão do streaming de vídeo está trazendo mudanças sísmicas para o ecossistema de mídia, tecnologia e publicidade, os players com ambição de estar no jogo estão tratando de garantir que a tomada de decisão seja apoiada por informações que fluam através de suas estruturas.

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17 de abril de 2019 - 7h36

 

 

Por Rafael Pallarés (*)

 

Fiquei impressionado quando visitei o 9\11 Museum, em Nova York, ao saber que informações relacionadas às atividades da Al-Qaeda tinham aparecido no radar de serviços de inteligência norte-americanos bem antes do evento trágico. Os ataques confirmaram gaps na comunicação e no fluxo de informações entre agências de inteligência e de aplicação da lei. Investigações posteriores sugeriram que os ataques poderiam ter sido prevenidos se as agências tivessem trocado informações de forma mais eficiente. Leis federais restritivas, falta de clareza e cultura insular de alguns órgãos, entretanto, inibiram a comunicação e a colaboração.

 

Isso te soa familiar? Bastante, em alguns ambientes empresariais. Ao tratar deste assunto, os consultores Gary Neilson e seus colegas identificaram falhas nos fluxos de informação como uma das principais pedras no caminho de uma boa execução da estratégia. Segundo eles, é fundamental que a informação sobre o ambiente competitivo flua para os headquarters que a informação atravesse as fronteiras internas das organizações e que permita aos times entenderem como as suas decisões do dia-a-dia afetam o bottom-line.

 

Quando observo a evolução dos modelos de streaming de vídeo e o surgimento das novas ofertas de OTT (Over-The-Top), e como as empresas têm se transformado – ou não – para esta nova realidade, percebo a importância de estar atento a essas não incomuns falhas nos fluxos de informação. A medida em que TV e vídeo digital convergem, é importante que a agência de inteligência fale com a agência que aplica a lei, e vice-versa. Alguns já entenderam e estão saindo na frente, como a Globo que anunciou o projeto “Uma só Globo”, integrando as estratégias e equipes da TV aberta e da “.com”.

 

Nos EUA, onde a rápida expansão do streaming de vídeo está trazendo mudanças sísmicas para o ecossistema de mídia, tecnologia e publicidade, os players com ambição de estar no jogo estão tratando de garantir que a tomada de decisão seja apoiada por informações que fluam através de suas estruturas. Após ter a confirmação da aquisição da Time Warner, os executivos-chefes da HBO e da Turner saem de cena em meio a uma dança de cadeiras inédita no grupo. O realinhamento vai além da busca de sinergias e ganhos de eficiência. A nova Warner Media precisa que as informações e a tomada de decisões fluam entre as programadoras, a telco e a Xandr, a unidade de tecnologia para publicidade para poder fazer frente a Netflix e suas companheiras.

 

Estes dois exemplos, do Brasil e dos EUA, ilustram a importância de ter a estrutura e os processos certos para poder implementar a estratégia com sucesso. A medida que a TV se torna addressable e que o OTT vai para a o big screen, a falta de fluidez nas informações não permite que se veja o avião que se aproxima, fora da sua rota. E isso pode significar ficar de fora de um mercado multibilionário, que é a TV tradicional, que se dissolve em streaming apps, vMVPDs e plataformas de distribuição.

 

(*) Rafael Pallarés, General Manager da Telaria no Brasil, é especialista em Ad-tech, Marketing e Mídia com foco em publicidade programática, streaming de vídeo e TVs Conectadas.

 

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