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O Facebook está criando a moeda do futuro

Parece que o Facebook pensou em tudo! Mas um dos grandes desafios que ainda não ficou claro é como será resolvido a flutuação do valor da moeda, que hoje é uma realidade das criptomoedas e que amedronta muitos possíveis usuários, mas que também atrai investidores de risco.

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19 de junho de 2019 - 15h44

Por Alessandro Cauduro (*)

Ontem o Facebook anunciou a Libra, uma nova criptomoeda, que deve chegar ao mercado no ano que vem.

A ideia é que facilite a compra on-line ou a transferência de dinheiro com baixo custo. O Bitcoin, a criptomoeda mais conhecida, ainda é um assunto complicado e misterioso para a grande maioria das pessoas e, por isso, ainda reservado a especialistas no assunto. A nova solução pretende facilitar e universalizar o acesso.

Além da moeda, foi anunciada a Calibra, uma carteira virtual para guardar as moedas, que deve fazer parte dos aplicativos Facebook, Messenger e WhatsApp. Ou seja, em breve bilhões de pessoas poderão utilizar a nova moeda. Em países em desenvolvimento deve concorrer com bancos, que muitos não têm acesso, e que muitos países até então resolveram soluções simples como envio de dinheiro via SMS.

Com os recentes escândalos do uso de dados da rede social, a nova iniciativa já alertou políticos americanos, que no mesmo dia do lançamento já pediram para que a criptomoeda seja regulamentada pelo governo e que querem entender e avaliar os seus riscos. O medo é a utilização dos dados para além das transações, como captura do dado de pessoas para fazer anúncios, ou pior, monitorar a vida delas. O Facebook promete não fazer isso. Talvez já prevendo acusações nesse sentido e também para garantir o sucesso da moeda. Facebook fez a sua iniciativa ser “aberta”, criando uma associação com grandes players, como Mastercard, Visa, eBay, PayPal, entre outros. Além disso, deixou a moeda como código aberto, aonde as coisas são decididas abertamente e ele não é o dono exclusivo da ideia. Na prática, é descentralizado o controle, mas a associação é a dona.

Além disso, o governo – antes “controlador” do dólar – pode ver um competidor direto do qual não terá controle e que pode ser mais poderoso. Essa é a grande inovação das criptomoedas, na qual nenhum governo “controla” a criptomoeda e que a rede que usa garante a confiança no sistema. Isso assusta muito os governos que gostam de ter controle sobre tudo. E essa iniciativa tem potencial de ser uma moeda global.

Uma outra grande limitação do Bitcoin é a utilização de energia necessária para mineirar as moedas e que deixa a solução insustentável a longo prazo, pois cresce exponencialmente e inviabiliza a solução. Posteriormente já surgiram soluções de “confiança descentralizada” que não exigem tanto uso de energia e conceitos de “contratos inteligentes” no qual o Facebook deve se beneficiar com esses aprendizados das moedas pioneiras e incorporar.

Parece que o Facebook pensou em tudo! Mas um dos grandes desafios que ainda não ficou claro é como será resolvido a flutuação do valor da moeda, que hoje é uma realidade das criptomoedas e que amedronta muitos possíveis usuários, mas que também atrai investidores de risco. Uma das iniciativas para “tirar o medo”, é ter suporte 24/7 para em casos de perda do dinheiro legítimo que se possa pedir reembolso. A moeda também terá lastro em bens reais para ter valor.

Na época que Mark Zuckerberg anunciou a compra do WhatsApp por mais de 19 bilhões de dólares, uma empresa que até hoje não faturou, foi bastante questionado dessa decisão. Ele respondeu que com um bilhão de usuários a gente consegue achar algumas maneiras de ganhar dinheiro e a criptomoeda é uma delas.

O Facebook está criando a moeda do futuro, deixando a criptomoeda acessível a todos. Ela tem potencial para ser maior que a própria plataforma. Se no futuro todos aceitam a nova moeda, a gente pode viver em um mundo aonde só existe Calibra e não precise mais converter o dinheiro para real. A iniciativa tem tudo para dar certo e deixar o player tecnológico ainda mais poderoso, e isso também é perigoso pelo excesso de concentração de poder.

(*) Alessandro Cauduro é CEO do estúdio de design e tecnologia Huia

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