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Guerra dos Streamings: competição acirra batalha pelo mercado

Analista e consultor financeiro fala sobre a acirrada disputa pelo bilionário mercado de streaming global e como dois de seus principais players estão nesse jogo.

ProXXIma
2 de setembro de 2019 - 8h09

 

(*) Por Tiago Reis

Os rumores de uma “guerra” entre os serviços de streaming acontecem há tempos. Mas, pelo menos até agora, tratava-se mais de uma “guerra fria”, sem embates diretos. Esse cenário está prestes a mudar, com a disputa começando para valer. Ainda na liderança, o Netflix se vê ameaçado diante de concorrentes de peso que se lançaram na tentativa de ampliar sua divulgação de conteúdos. Dois deles, Apple+ e Disney+, devem entrar oficialmente na briga já nos próximos meses.

 

Além disso, está também no páreo o Amazon Prime e há previsão da estreia do HBO Max. Do ponto de vista do entretenimento, a crítica e o público ficam a cargo de analisar qual a plataforma tem sido mais promissora. No entanto, levando em conta as estratégias de negócio, conseguimos ver grandes diferenças que podem ser significantes na hora de apontarmos quem sairá “vencedor”.

 

O Netflix tem como grande vantagem ser uma marca consolidada nesse mercado. A empresa aproveitou bem o fato de ter sido a precursora desse modelo de negócios e hoje ostenta um valor de mercado de US$ 142 bilhões. Apesar da posição de liderança, com seus mais de 151,5 milhões de assinaturas pagas no mundo todo, há pontos que merecem atenção. Um deles é que dois de seus concorrentes são gigantes: Disney e Amazon têm valor de mercado de US$ 258,7 bilhões e US$ 926,8 bilhões, respectivamente, o que indica um alto poder de fogo.

 

Além disso, outro fator é que Amazon e Disney têm fontes variadas de receita. A Netflix, por outro lado, tem suas receitas 100% provenientes de suas assinaturas, que hoje variam entre US$ 8,99 e US$ 15,99 por mês.

 

No caso da Disney, apesar de o valor da empresa ser “apenas” um pouco menor que o dobro do Netflix, seu lucro é bem maior. No último trimestre, o lucro líquido foi de US$ 12,3 bilhões, contra US$ 1,2 bilhões do concorrente. Isso dá a ela uma capacidade de investimento superior.

 

Em termos de conteúdo, a competição também é acirrada. Se, por um lado, o Netflix tem investido pesadamente na criação de material próprio, oferecendo liberdade para seus produtores e atraindo talentos, a Disney possui grande volume de propriedade intelectual.  Incluindo sucessos como Pixar, Star Wars, Marvel, Blue Sky, Os Simpsons e seus clássicos do cinema. Nesse aspecto, é um concorrente que tem um diferencial significativo. O fator negócio acaba também pesando nesse aspecto: gerando mais caixa, a Disney tem muito mais potencial para investir pesado em produção de conteúdo que seus concorrentes.

 

Outro player que tem vantagem em termos de conteúdo é o HBO Max. O serviço tem por detrás o portfólio de peso da Warnermedia, que inclui os estúdios Warner Bros. além de DC Comics, Cartoon Network, entre outros. O Apple+ acaba saindo em desvantagem nesse quesito, pois teve que começar sua produção “do zero”

 

Ainda é difícil analisar um horizonte certo para o segmento. A Netflix fechou o segundo trimestre do ano com uma receita de US$ 9,2 bilhões até o momento no ano de 2019. A comparação de desempenho é problemática porque os concorrentes do Netflix não distinguem as receitas de streaming das receitas dos demais negócios em seus balanços. O certo é que há um mercado grande e que está em crescimento. A julgar pelos desafiantes, essa batalha está longe de chegar no seu capítulo final.

(*) Tiago Reis é CEO e fundador da casa de análise financeira Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores individuais.

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