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Sobre empreendedores padrão Kobe Bryant

Performance de verdade se dá em KPIs relevantes (e não vanity metrics), no Excel (e não no Power Point), em gráficos para mostrar a tendência (e não em tabelas poluídas de números), em %s (e não em números absolutos apenas), no médio prazo (mínimo de 6 meses consecutivos) e a partir de um patamar mínimo não trivial (ou seja, crescer 100% de receita de R$ 1 pra R$ 2 é fácil, quero ver crescer 20% ao mês em MRR de R$ 25 k).

Fábio Póvoa
11 de setembro de 2019 - 7h53

Fábio Póvoa passa a ser colaborador fixo do ProXXIma a partir de hoje falando sobre startups, melhores práticas do empreendedorismo e de investimentos no setor.

Por Fábio Póvoa (*)

Sou muito fã da NBA.

Só quem já esteve numa arena de basquete entende a dimensão completa do jogo. A incrível proximidade com os jogadores (alguns assentos estão literalmente na linha da quadra). A vibração e o barulho dos torcedores, em particular aqueles que ficam atrás da tabela e tentam atrapalhar o lance livre adversário. O show incrível que cheerleaders, locutor do estádio e animadores fazem nos intervalos. O enorme quadrado com telas em alta resolução mostrando os replays e estatística.

Mas, acima de tudo, a performance. O nível de execução e maestria está vários degraus acima da média. Logo se nota que o que está rolando em quadra vai muito além de um bando de gente tentando acertar uma bola em um aro.

Sou tão fã que, além de assistir os jogos da temporada regular e os playoffs, eu adoro assistir jogos antigos, icônicos. O SporTV 2 está passando uma série de jogos históricos da NBA, com partidas memoráveis das décadas de 70,80, 90 e 2000. Absolutamente imperdível para quem curte basquete de alto nível: confira a notícia no site do canal.

Hoje à noite eu estava vendo o jogo Lakers x Raptors, da temporada regular 2006, em que Kobe Bryant arrebenta com 81 pontos diante do Toronto Raptors, em uma das maiores atuações individuais da história da NBA. É a segunda maior pontuação de um atleta da liga em todos os tempos, atrás apenas do 100 pontos de Wilt Chamberlain.

A performance de Kobe me pôs a pensar nas semelhanças entre o esporte e o empreendedorismo. E como ótimos empreendedores têm vários pontos em comum com os grandes jogadores de basquete da NBA. 🤔

Senão vejamos:

Treino. Os jogadores de basquete têm longo histórico de prática do esporte, em quadras espalhadas pelo país e depois em jogos universitários extremamente competitivos. Atingir a NBA é um esforço de vários anos, de muita dedicação, treinamento, concentração, aprimoramento, e seleção natural frente a vários outros jogadores super talentosos. Ótimos founders têm um histórico de vivência do segmento de consumidores (quando não eles mesmos), das dores e idiossincrasias do mercado. Durante sua formação, treinaram intensamente suas habilidades de design, marketing ou vendas, durante sua formação acadêmica e praticaram exaustivamente durante sua trajetória profissional.

Lean. A equipe em quadra é enxuta, apenas 5 jogadores. TODOS têm que atacar e defender. Não tem gente suficiente para ter hierarquia. Não dá para se omitir, ficar só no chinelinho, fazer de conta que a responsabilidade é do outro: a baixa performance é visível, palpável. Startups têm também time enxuto, seja porque não há grana para pagar salário para um batalhão, seja porque é mais produtivo quando se tem poucos talentos trabalhando em conjunto e em sintonia. Todos tem que fazer um pouco de tudo, e qualquer peteca que cai é vista por todos.

Trabalho em equipe. Tudo acontecendo, todos se movimentando, abrindo espaço para receber uma bola em melhor posição. O conhecimento do posicionamento de cada membro do time em quadra mesmo sem olhar. A capacidade de jogar uma bola pro alto na confiança de que o colega de time vai entrar enterrando. A capacidade de explorar os diferenciais de cada um: o baixinho ligeiro que carrega a bola, enxerga a movimentação, arma o jogo e infiltra quando necessário; o pivot grandalhão que se planta no garrafão para receber a bola perto do aro ou pegar o rebote; o ala craque que chuta de meia e longa distância, de qualquer lugar da quadra. Em startups, times com habilidades complementares é algo absolutamente fundamental. Bons founders atraem ótimos talentos, criam uma cultura de confiança e alta performance, mudam de acordo com o ritmo do jogo, são admirados e respeitados por seus pares, reconhecem o mérito da equipe e exploram as habilidades e competências específicas de cada membro.

Métricas. Americanos adoram métricas – pontos por jogo, % de bolas de três convertidas, número de lances livres errados. Tais indicadores são mostrados ali no telão, em tempo real, basta olhar pra cima. Jogadores são cobrados exaustivamente com base em números que traduzem sua performance. Startups têm seus KPIs – LTV, CAC, churn, MRR, uptime, NPS. Visíveis, em dashboards no micro, gráficos mobile e em TVs no meio do escritório.

Técnicos. Os managers ao lado do campo são uma importante referência para os jogadores em quadra. Capazes de enxergar o jogo a distância, promover mudanças, cobrar enfaticamente por performance, interromper uma fase ruim e pedir tempo para um papo franco, sugestões ao ouvido, mudança de estratégia, ou simples copo d’água para reagrupar as forças. Enfim, manter o time nos cascos, performance em alto nível. No mundo de startups, investidores anjos, VCs, membros de conselho e advisors têm papel análogo na validação da estratégia, governança corporativa, acompanhamento dos números.

Investimento. Os principais times têm como investidores grandes nomes do mundo dos negócios, tais como Steve Ballmer (Microsoft) e os Los Angeles Clippers. A injeção de capital privado pressupõe gestão, definição de objetivos, participação nos resultados, infra-estrutura, organização e reconhecimento dos méritos. Que por sua vez se traduz em valorização da equipe e dos seus membros, maiores receitas em patrocínios, ingressos, vendas de camisetas, merchandising e valor de marca. É até desnecessário traçar a analogia para investimentos anjo, semente e de venture capital em startups.

Mas, o que mais impressiona mesmo é a performance dos jogadores em quadra. Treino, talento, motivação, estrutura, remuneração e ambição se somam em um nível de execução muito acima da média.

Naquele jogo, como em tantos outros, Kobe Bryant não estava simplesmente jogando basquete como os demais em quadra. Longe disso. Sua entrega, capacidade de definição, autoconfiança, volume de jogo e postura corporal são nitidamente diferentes dos demais jogadores. Até seu olhar, concentrado e focado, denota performance e superação. Ele parecia estar em uma rotação diferente de todos os outros jogadores que, apesar de esforçarem, não conseguiam chegar perto do seu desempenho, ou pará-lo senão com faltas que se traduziam em lances livres convertidos.

Ser investidor early stage traz consigo vários benefícios. O retorno financeiro potencialmente exponencial, a rica rede de contatos e amizade forjada junto a coinvestidores seletos cuja riqueza vai muito além do patrimônio. Mas nenhum destes benefícios supera o privilégio de poder ver em ação founders acima da média. E foi isso que me deu o estalo de ver o quanto empreendedorismo e basquete têm em comum. Ao me maravilhar com Kobe Bryant em ação, eu pude na hora me lembrar de momentos análogos em que presenciei founders performando em alto nível.

E olhe que em Smart Money Ventures, nosso sarrafo é altíssimo. Se você está pensando em elevator pitch ou slides de um deck apresentados em palco de demo day, esqueça. Há muito já fomos vacinados contra empreendedor de palco, ou slides em Powerpoint, e sabemos que empreendedores são verdadeiros encantadores de serpentes.

Performance de verdade se dá em KPIs relevantes (e não vanity metrics), no Excel (e não no Power Point), em gráficos para mostrar a tendência (e não em tabelas poluídas de números), em %s (e não em números absolutos apenas), no médio prazo (mínimo de 6 meses consecutivos) e a partir de um patamar mínimo não trivial (ou seja, crescer 100% de receita de R$ 1 pra R$ 2 é fácil, quero ver crescer 20% ao mês em MRR de R$ 25 k). Perto disso, fazer um bom elevator pitch é mais fácil que roubar o doce do seu sobrinho. 🤪

Pra começar, no meio do caminho teve uma Movile e uma MC1. Como empreendedores que entregaram resultados, é natural que nossa expectativa para performance de founders tenha em perspectiva o quanto eu e César fomos capazes de executar no passado, e também temos executado dentro da nossa própria “startup”, Smart Money. E mais. Ao investir e acompanhar mês a mês de forma próxima e estruturada um conjunto diverso e seleto de founders, é natural que a base de comparação para performance que nos impressione se dê através de uma curva forçada ABC. Nada de menções na imprensa, Likes no Facebook, bajulações nos comentários ou coraçõezinhos no Instagram. Como resultado, só performance e founders de fato fora da curva chamem a atenção, sendo que tal performance logo se torna o próximo parâmetro de referência para os demais founders. O sarrafo portanto só sobe, sempre. 💪

Por tudo isso, creio firmemente no quanto somos capazes de julgar, por instinto, números e base de comparação, ótimas startups e, particularmente, seus founders. Um exemplo recente seu deu no encontro anual que promovemos entre cada startup do portfólio e nossos respectivos coinvestidores na rodada liderada. Lembro-me nitidamente de lampejos de Kobe Bryant em diversas oportunidades das reuniões e nos resultados recentes.

Nos emails semanais (SEMANAIS !) de Ramper com o log da reunião de repasse de vendas, alinhando resultados, pontos de atenção, ações e melhorias discutidas:

Na gráfico de MRR de Produttivo, que cresceu vendas a ponto de gerar lucros (LUCROS!) e com isso sequer tocou na grana do nosso aporte, que serviu muito mais como colchão financeiro e injeção de confiança do que pra cobrir burn rate.:

No kit bixo de Fala Universidades, ao conjugar empresas patrocinando as boas vindas aos calouros (e financiando aquisição de usuários com a ação de marketing):

Em Angel Education, ao emplacar o conteúdo de Lean Startup como curso de extensão universitária em formato EAD nas principais universidades do país:

E você, conhece algum empreendedor(a)/time estilo Kobe-Bryant/Lakers 2006 ?

Se sim, corre e me faz uma intro pra ele(a) no email startups@smartmoney.ventures !!

Bola pro alto!

(*) Fábio Póvoa é Managing Director at Smart Money Ventures

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