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O consumo pelo investimento

Se de um lado temos o consumo tradicional caindo, do outro os investimentos em bolsa subindo. Seria uma nova tendência? Um consumidor mais consciente e preocupado com o planejamento futuro, com reservas e novas oscilações na nossa forma de viver?

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23 de junho de 2020 - 8h02

Por Dado Lancellotti (*)

Uma conexão entre duas pesquisas que recebi chamou minha atenção. De um lado a Deloitte compartilhando os índices de consumo durante a pandemia e um racional de recuperação pós crise. Do outro a B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) comemorando o aumento de número de CPFs que entraram nos Mercados neste mesmo período, assim como o volume de investimento, também consideravelmente crescente.

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Estamos vivendo novos tempos. Espero que com aprendizado e que seja para melhor, com uma somatória de fatores que convergem para um mundo novo – sem julgamentos de valores. Quando olhamos para o consumo tradicional, vemos setores sofrerem muito e certamente de forma disfuncional. É o que acontece com o turismo, entretenimento e restaurantes. Outros se adaptaram rapidamente com as dificuldades impostas: tecnologia, varejo online e alimentos. No meio disso tudo temos, obviamente, muita gente tentando se reinventar.

Nesta montanha russa está o consumidor, que se viu frente à uma nova realidade literalmente de um dia para outro. Como meus filhos vão estudar? Como vou comemorar meu aniversário virtual? E minhas reuniões? Minha academia e aula de yoga? Não existe consumo sem consumidor. A mudança e adaptação de um implica no outro e quando nasce um novo mercado nasce um novo agente dele.

Por outro lado, temos o movimento de crescimento acelerado do mercado financeiro desde 2017 que vem se consolidando muito com a queda consecutiva da SELIC (que pelas sinalizações do BC vai cair abaixo de 2% até o final do ano). E como será que este investidor se comportou quando o mundo se trancava em suas casas?

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Se de um lado temos o consumo tradicional caindo, do outro os investimentos em bolsa subindo – e subido muito, mesmo com o Ibovespa nas mínimas de Março. Seria uma nova tendência? Um consumidor mais consciente e preocupado com o planejamento futuro, com reservas e novas oscilações na nossa forma de viver?

Mas o consumidor e o investidor não são a mesma pessoa? Sim, mas está escancarada uma enorme oportunidade para uma nova realidade, com novos interesses e desejos, onde o pensamento de longo prazo e a noção da importância da preocupação financeira frente ao consumo desenfreado ficaram ainda mais evidentes frente à angústia do COVID-19.

Com alguma inquietude e experiência nas costas parece estar surgindo o CONSUMINVESTIDOR. Ou seja, quem consome investimento e tudo deste ecossistema e que habita neste imaginário. Alguém focado na sua independência, segurança e nos seus sonhos de vida. Muitos empreendedores deles mesmos e que buscam educação nos meios digitais e redes sociais! São 2 milhões de CPFs na B3 em Abril de 2020. Em 2017 as pessoas entre 19 e 39 anos representavam 29% das pessoas físicas da base de investidores. Em 2020 já representam 59%! E mais, não é uma tendência de gente com muita grana como alguns pregam. Pequenos investidores aumentaram sua presença e carteiras com até R$ 10 mil, que em Março de 2020 representam 54% dos investidores, eram 44% em Dezembro de 2011. Hoje, pode-se investir em fundos excelentes a partir de R$500,00.

As plataformas e bancos digitais de investimento oferecem a conveniência que esse novo personagem, que é muito digital, precisa. Ele tem interesse no investimento em ações, nos FIIs (Fundos Imobiliários), os investimentos internacionais através dos ETFs em Nova York e principalmente os Fundos Multimercado, que são na verdade uma mistura de tudo isso (carteira diversificada de investimentos, usando o “finances”). Mas o bacana é que no final esta tudo no mesmo balaio e faz parte deste novo mundo pós pandemia que esta renascendo, pois as empresas que são negociadas na B3 compõem nossa economia e precisam do consumo para geração de seus lucros e distribuição de dividendos aos seus acionistas. Estas empresas tem a força empreendedora e o poder da adaptação. Como já dizia Charles Darwin: as mais fortes vão certamente sobreviver, sair ainda mais estruturadas e continuarão sendo consumidas, mesmo que seja através do compra e vende frenético do Mercado Financeiro.

Fazendo uma analogia com a fábula da formiga e da cigarra, esses tempos certamente reforçarão a vocação das formigas e uma nova geração de consumo mais equilibrada!

(*) Dado Lancellotti é Board Advisor da Santa Fé Investimentos.

Fontes:

http://www.b3.com.br/pt_br/noticias/pessoa-fisica.htm

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-05/habito-de-consumo-adquirido-na-pandemia-deve-permanecer-pos-covid-19

https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/consumer-business/articles/pesquisa-varejo.html

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