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Qual é a diferença entre realidade aumentada, virtual e mista?

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Qual é a diferença entre realidade aumentada, virtual e mista?

Apesar de similares em muitos aspectos, as chamadas tecnologias imersivas representadas pela realidade aumentada (RA), realidade virtual (RV) e realidade mista (RM) possuem diferenças importantes em sua proposta.

ProXXIma
27 de agosto de 2020 - 15h04

Por Tiago Scaff   (*)

Perdi as contas sobre a quantidade de vezes que me deparei com esse tipo de dúvida em reuniões e conversas. Apesar de similares em muitos aspectos, as chamadas tecnologias imersivas representadas pela realidade aumentada (RA), realidade virtual (RV) e realidade mista (RM) possuem diferenças importantes em sua proposta.

A mais famosa delas é a realidade virtual, muito por conta do forte simbolismo representado pelos óculos especiais necessários para uso dessa tecnologia. Apesar disso, a mais acessível, escalável e que deverá se tornar cada vez mais popular é a realidade aumentada, por demandar do usuário apenas um smartphone para ter acesso, algo que 60% da população brasileira já possui. Já a realidade mista é a menos conhecida e pode ser considerada uma mistura entre RA e RV e seu acesso é realizado por meio de equipamentos especiais como os óculos Hololens, da Microsoft.

Mas vamos entender melhor as principais características e diferenças dessas 3 tecnologias:

Realidade Virtual (RV)

Proporciona experiência de imersão virtual total, deslocando o usuário do mundo real para outro totalmente simulado por computador. É possível, por exemplo, se ver dentro de um jogo ou fazer um tour em pontos turísticos de todo o planeta, sem sair do lugar. No início, sua representatividade maior foi no universo dos games. Porém, com o tempo, passou a ser usada também em diversos outros setores como saúde, educação, engenharia, eventos e turismo.

A experiência acontece por meio de óculos especiais como o Oculus Quest do Facebook, que funciona de forma autônoma ou ainda por equipamentos que dependem de um smartphone compatível com aplicações RV, como o Samsung Gear VR. Em uma rápida busca na web, é possível encontrar diversas opções de óculos RV, para todos os gostos e bolsos. Para aqueles que buscam um equipamento com preço mais acessível, existe o Google Cardboard, que é feito à base de papelão e pode ser encontrado por apenas R$20 na internet. Nesse caso, o próprio usuário faz a montagem manual dos óculos e então acopla um aparelho celular compatível com aplicações de realidade virtual.

Aplicações de RV já são usadas em diferentes setores e para as mais diversas finalidades. Alguns exemplos: médicos durante a preparação de procedimentos cirúrgicos, militares em simulações de combate, atletas em treinamentos de competição, crianças, jovens e adultos durante o processo de aprendizagem, entre outros.

Realidade Aumentada (RA)

Se tornou popular no mundo todo a partir da febre causada pelo fenômeno Pokémon GO, aplicação mais conhecida de realidade aumentada. Diferente da RV, a realidade aumentada é uma tecnologia que insere elementos virtuais em ambientes reais, tais como imagens, vídeos, objetos 3D, games, links externos e etc. Para acessar, basta ter um smartphone ou tablet compatível com aplicações RA, ou ainda por meio de óculos especiais, que devem começar a chegar com mais intensidade ao mercado a partir do próximo ano. A Apple já deve anunciar até o final deste ano o lançamento do Apple Glass para 2021. Na mesma onda, deveremos ter outros gigantes de tecnologia como Google e Facebook fazendo anúncios em breve, assim como outros players que surgirão não apenas com ofertas de óculos, mas também de lentes de contato RA. Especula-se que os óculos da Apple deverão chegar ao mercado com preços a partir de US$500. No entanto, o aumento eminente da concorrência neste setor, deverá resultar na redução de preços e assim favorecer o acesso das pessoas a estes equipamentos.

Fato é que a realidade aumentada vai muito além do entretenimento. Trata-se de um recurso muito útil, que gera impactos positivos importantes em indicadores estratégicos. A L’Óreal é um exemplo disso, com sua ação TryOn, que permite que consumidores experimentem virtualmente diversos produtos da empresa. O resultado: 80% de conversão dos usuários em vendas. A rede varejista IKEA também teve muito sucesso com o lançamento do aplicativo IKEA Place, que permite que os clientes visualizem a inserção virtual de produtos da loja em suas casas, com uma precisão de 98%. Empresas dos mais diversos setores já estão usando a RA como ferramenta de vendas, produção, treinamento, entre outras. Para o turismo, a tecnologia de realidade aumentada pode enriquecer as experiências de viagem em diversas situações, trazendo conteúdos importantes e atualizados em tempo real sobre monumentos, parques, restaurantes, hotéis, sistema de transporte, entre outros. Bastaria ao viajante mirar a câmera do celular com o aplicativo RA aberto para o prédio ou local que deseja obter informações e os conteúdos interativos apareceriam imediatamente na tela do aparelho.

Com a chegada do 5G, prevista para 2022 e constante desenvolvimento de aplicações de RA por meio de ferramentas como o ARKit da Apple e o ARCore do Google, cada vez mais pessoas terão acesso a experiências de realidade aumentada.

Realidade Mista (RM)

Onde a RM se encaixa no espectro das tecnologias imersivas? Um ambiente de realidade mista vai um passo além da realidade aumentada, pois os usuários podem interagir com objetos virtuais como se eles fossem parte do mundo real, dispensando a intermediação de uma tela de smartphone ou tablet.

Para experimentar essa tecnologia é necessário o uso de um headset MR que possibilita interação com hologramas 3D e faz reconhecimento de gestos, olhares e sons por meio de controladores de movimento e fones de ouvido RM. O poder de processamento dos equipamentos precisa ser muito maior que os utilizados para realidade virtual ou aumentada, devido à sua maior complexidade operacional.

Por ser a mais jovem da família das tecnologias imersivas, a realidade mista ainda se mostra pouco conhecida no mercado. No entanto, algumas empresas de diferentes setores e portes já investiram em projetos dessa natureza. A Ford, por exemplo, já usa a RM para criar e testar protótipos de veículos futuros, em vez de fazer modelos reais que são muito mais caros e demorados para desenvolver.

Simplificando, a diferença entre realidade virtual, aumentada e mista é:

•          Realidade virtual (RV): uma experiência totalmente imersiva em que o usuário deixa o ambiente do mundo real para trás para entrar em um ambiente totalmente digital por meio de óculos especiais RV.

•          Realidade aumentada (RA): uma experiência em que objetos virtuais são sobrepostos ao ambiente do mundo real e podem ser visualizados e acessados por meio de smartphones, tablets ou óculos especiais RA.

•          Realidade mista (RM): está um passo além da realidade aumentada, por permitir interação com hologramas 3D em ambientes reais e assim proporcionar aos usuários uma experiência imersiva que que mescla o real e o virtual de forma integrada.

(*) Tiago Scaff é founder e CEO da XPerience, empresa especializada em Realidades Imersivas.

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