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Realidade Aumentada: Os últimos serão os primeiros

Agora desenvolvedores de aplicativos deixarão de se ocupar com a viabilização técnica da RA para focar nas ideias, o que tende a tracionar ainda mais a tecnologia a ponto de ser, em poucos anos, uma interface tão popular quanto a web.

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21 de agosto de 2017 - 22h08

Por Will Soares (*)

Enquanto Google e Microsoft investem no futuro, a Apple se prepara para mudar o presente. O framework ARKit é uma das novidades do iOS 11, que será lançado em setembro com o iPhone 8. A partir de então, todos os dispositivos com o sistema operacional atualizado serão capazes de rodar os aplicativos de Realidade Aumentada (RA) que já estão em desenvolvimento desde seu anúncio na Worldwide Developers Conference (WWDC), em junho.

Nos últimos anos, os projetos Microsoft HoloLens e Google Tango despontaram como as maiores promessas de expansão da Realidade Aumentada no mercado. Embora proporcionem experiências impressionantes, a necessidade de aquisição de hardware, associada à aplicabilidade limitada, tornaram o recurso uma promessa para um futuro próximo, mas ainda longe de se popularizar e gerar negócios fora da esfera do entretenimento.

Mas o inesperado anúncio de Craig Federighi, vice-presidente de engenharia de software da Apple, promete revolucionar o mercado: “Temos a maior plataforma de Realidade Aumentada do mundo”, afirmou. Ao que tudo indica, enquanto seus concorrentes anunciavam avanços condicionados à aquisição de gadgets muito caros, a equipe de Craig se empenhou em garantir que a maior parte de seus produtos já vendidos fossem capazes de utilizar um software nativo para proporcionar experiências de realidade aumentada.

Desde que foi anunciado, o ARKit vem sendo estudado pela comunidade de desenvolvedores, que vem lançando experimentos cada vez mais empolgantes. O que você faria se encontrasse um portal para outra dimensão no meio da rua? (Veja o vídeo: https://youtu.be/371ZQW_Yzck)

Essa mistura de realidades demonstrada no vídeo será um prato cheio para ações publicitárias. Quantas marcas não adorariam criar portais para que seu público pudesse ter contato com o conceito de suas campanhas? Não seria difícil também levar o consumidor às ruas em busca de prêmios virtuais escondidos no mundo real. Será um novo terreno de possibilidades, algumas muito bem executadas, outras nem tanto. Como qualquer novidade, será tempo de experimentar, e as marcas terão papel muito importante na popularização desse recurso.

Assim como uma infinidade de portas serão abertas para entretenimento e publicidade, novas ferramentas serão apresentadas ao cotidiano dos usuários. Agora desenvolvedores de aplicativos deixarão de se ocupar com a viabilização técnica da RA para focar nas ideias, o que tende a tracionar ainda mais a tecnologia a ponto de ser, em poucos anos, uma interface tão popular quanto a web.

Imagine como experiências de e-commerce poderão ser melhoradas com a possibilidade de encaixar o produto na realidade do consumidor. Neste vídeo é possível ver como seria fácil decorar uma sala (Veja: https://youtu.be/DSYeN624ick).

Só com esse exemplo já é possível imaginar que a experiência de comprar móveis pela internet será levada a outro nível, trazendo mais confiança ao consumidor enquanto reduz custos de logística do vendedor. Um decorador poderá fazer projetos sem se locomover até o cliente, o qual poderá enviar o mapeamento de um local real e receber um projeto completo, que poderá ser avaliado minuciosamente com a câmera do smartphone apontada para todos os cantos do ambiente.

O setor de moda, que vem crescendo exponencialmente nos meios digitais, terá um salto ainda maior quando clientes puderem “provar” roupas digitais antes de comprarem. E por que não pensar que profissões como a de alfaiate possam voltar a ter mais relevância? Com a facilidade de tirar medidas do corpo, o usuário poderá ser seu próprio estilista, encomendando modelos únicos através de aplicativos de alfaiataria que já calculam a quantidade de tecido e o tempo para confecção.

É incontestável que a eficiência de levar a tecnologia aos usuários, em vez de aguardá-los nas lojas, será o maior trunfo da Apple para dominar o mercado de RA nos próximos anos, mas tudo leva a crer que este é o primeiro passo de um plano muito mais ambicioso que poderá direcionar o futuro da interface de usuários com aplicações móveis. Pouco depois do anúncio do ARKit, e após rumores, a Apple confirmou a compra da SensoMotoric, empresa alemã especializada em captação de movimentos oculares, uma pista de que um futuro lançamento da empresa seria um óculos capaz de misturar as realidades.

Ironicamente, ao traçar o caminho inverso dos concorrentes, que já lançaram Google Glass e HoloLens, a Apple ensina mais uma vez que revolucionar o cotidiano do consumidor de forma relevante é a melhor estratégia para ganhar novos mercados. E mesmo sendo o último na corrida, longe de lançar um novo produto, representa o avanço mais significativo em Realidade Aumentada até hoje. Mais uma prova de que o pioneirismo da oferta não garante a demanda.

*Will Soares é fundador e CEO da Ever.

 

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