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Buscapé: do pioneirismo digital à concorrência direta com o Google

Comparador de preços da Naspers, que virou marketplace em 2017, foi adquirido pela Zoom junto com as marcas BondFaro, QueBarato e Modait

Luiz Gustavo Pacete
16 de maio de 2019 - 12h11

O comparador de preços Zoom anunciou, nesta quarta-feira, 15, que comprou o concorrente Buscapé, até então, de propriedade do grupo sul-africano Naspers. O acordo ainda inclui outras marcas do grupo como BondFaro, QueBarato e Modait. Com o negócio, o Zoom passa a concentrar o negócio de comparações de preço podendo chegar a uma receita de até R$ 5 bilhões em 2019, de acordo com o TechMundo.

Criado em 1999 pelos colegas de faculdade Ronaldo Takahashi, Rodrigo Borges, Mário Letelier e Romero Rodrigues, o Buscapé teve que vencer a resistência inicial dos varejistas físicos de fornecerem informações de seus preços para serem comparadas na internet. O Grupo Naspers comprou 91% da participação da empresa por US$ 342 milhões passando a ser acionista majoritário.

Na ocasião, Romero Rodrigues assumiu como CEO do Buscapé Company, holding que concentrava as empresas Bondfaro, Bcash, Brandsclub, Btarget, Moda it, E-bit, Lomadee, FControl, QueBarato!, SaveMe, Shopcliq, Hotmart, Recomind, Urbanizo, MeuCarrinho, Cuponeria e Navegg. Desde 2015, a Naspers já buscava um comprador para o Buscapé que chegou a ser oferecido por US$ 300 milhões.

Em maio de 2017, a empresa adicionou o marketplace ao seu modelo de negócios. Na ocasião, Sandoval Martins, CEO do Buscapé, afirmou ao Meio & Mensagem que a base de mais de 60 milhões de visitas ao mês dava ao site a possibilidade de transformar a comparação também em conversão de vendas.

“Resolvemos nossa crise existencial. O objetivo agora é converter vendas e atuar em uma área cada vez mais promissora em que o formato híbrido se sobressai”, explicou. Na ocasião, o executivo contou que esse movimento ocorreu em outras empresas da Naspers que, nos últimos anos, uniu operações de marketplace e comparadores que estavam separadas em várias regiões.

Eduardo Vieira, sócio-fundador do Grupo Ideal WPP e autor do livro “Os Bastidores da Internet no Brasil”, explica que o Buscapé foi uma das grandes e primeiras operações de e-commerce no País. “Foi uma ideia que deu super certo e que deu origem a um negócio que, em determinando momento, chegou a brigar com o Google como comparador de preços. A própria venda pra a Nasters foi significativa porque, naquela época nem se falava em unicórnio e foi um grande negócio envolvendo uma ex-startup brasileira”, analisa.

Sobre a venda para o Zoom, Vieira reforça que ela sinaliza uma mudança significativa no varejo brasileiro. “Há algum tempo, a onda foi o marketplace, muito explorado pelo Walmart e Amazon lá fora e o Buscapé foi nesse caminho, só que se trata de uma competição bastante acirrada”, afirma.

A venda do Buscapé ocorre em um momento movimentado para o e-commerce brasileiro. Na sexta-feira passada, o Walmart encerrou a operação de seu e-commerce no Brasil reforçando o foco em lojas físicas. No fim de abril, o Magazine Luiza fechou a compra da Netshoes por R$ 244 milhões e, em janeiro, a Amazon Brasil anunciou a expansão de suas operações passando a fornecer mais de 20 milhões de produtos de diferentes categorias no seu e-commerce e inaugurando um centro de distribuição na região metropolitana de São Paulo.

“Essa competição prova, por outro lado, que esse segmento é muito forte e competitivo, sobretudo por negócios recentes como a da Magazine Luiza comprando a Netshoes e outros movimentos”, afirma Vieira. A estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) é de um volume de vendas no e-commerce estimado em R$ 79,9 bilhões em 2019, alta de 16% em relação a 2018.

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