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Pix e fintechs: concorrência e foco no usuário em perspectiva

O mais novo meio de pagamento amplia a busca por novas soluções e posiciona o modelo banking as a service no mercado

Victória Navarro
16 de novembro de 2020 - 8h00

Neste 16 de novembro, o Banco Central determinou o início da operação do mais novo meio de pagamento, o Pix. O sistema, que promete realizar transferências em até dez segundo sem a interferência de intermediários, promete facilitar transações e, até mesmo, o recolhimento de impostos e taxas de serviços. O Pix não só chega para impactar o dia a dia de grandes bancos como também de fintechs, empresas que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro. Se, por um lado, a competitividade entre os players e a busca por novas soluções relacionadas ao sistema devem aumentar, por outro, o usuário passa a se concentrar, ainda mais, no centro de estratégias em prol de resultados assertivos.

Para Diego Perez, diretor executivo da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e cofundador da SMU Investimentos, o mais novo meio de pagamento fornece oportunidade de crescimento às fintechs, uma vez que possibilita a chegada de novos entrantes e fomenta a competição do mercado: “O Pix passa a fazer parte do dia a dia do brasileiro comum. Quando as fintechs oferecem esse tipo de solução, a empresa passa a dar ao usuário uma opção eficiente, inovadora e digital. Toda competição, no final do dia, é benéfica para o usuário final”. A carteira digital PicPay, por exemplo, encara o sistema como um complemento de sua operação, ao acelerar, ainda mais, as transações entre pessoas físicas e jurídicas e incitar a criação de novos serviço. De acordo com Phillip Klien, vice-presidente de growth & marketing da fintech, o Pix também “vai impulsionar o comportamento de uso de pagamento pelo QR Code, uma inovação que o PicPay aposta há oito anos”.

O usuário de bancos ou fintechs é capaz de determinar como pretende combinar a utilização do mais novo meio de pagamento com serviços até então já disponíveis. Os executivos ressaltam que o Pix é uma funcionalidade, uma nova estrutura, logo, não chega para substituir qualquer empresa e pode ser considerado como um potencial parceiro de negócios. O sistema é aberto, acessível e disponível para os mais variados portes de instituições financeiras.

 

No Pix, o número de chaves cadastradas já supera a marca de 30 milhões (crédito: Andrea Piacquadio/Pexels)

Estimulando concorrência
Ao igualar a capacidade de processamento de pagamentos para qualquer entidade, o Pix permite que novas empresas tenham o mesmo acesso a infraestrutura de uma grande instituição financeira. Neste quesito, explica Diego, as fintechs saem na frente: “Essas empresas são muito maleáveis. Possuem estruturas leves e enxutas, para poder desenvolver novos produtos e serviços com mais velocidade que grandes instituições financeiras, que precisam passar por diversas camadas de aprovação no seu corpo diretivo até conseguir lançar um novo produto, um novo serviço financeiro”. Para o diretor executivo da ABFintechs e cofundador da SMU Investimentos, o Pix abre portas à fintechs de nicho. “Pessoas com contas negativas, que não interessantes comercialmente para grandes instituições financeiras, podem, por exemplo, ser uma oportunidade para startups”, diz.

Com o Pix, o PicPay, junto a todo o setor de fintechs, passa a ter a chance de materializar diversas combinações de serviços financeiros para pessoas e empresas, de forma personalizada, a fim de garantir vantagens competitivas e, portanto, estratégicas para metas de curto ou longo prazos. “Para o PicPay, o sistema vai dar escala ao negócio, já que diversos estabelecimentos comerciais passarão a receber pagamentos de usuários nossos. Os usuários também vão se beneficiar por terem essa facilidade de usar o PicPay em diversos lugares, tanto com o Pix quanto pelo QR code do PicPay. E, eles vão querer fazer tudo isso no PicPay, por causa da experiência completa que nosso ecossistema promove – parcelamento de boletos, recarga de celular e etc, com a usabilidade de rede social”, explica Phillip.

Banking as a service
Por conta da não cobrança de tarifa para pessoas físicas e microempreendedores individuais, as fintechs preparam-se para ampliar suas receitas via produtos específicos para empresas. Para faturar, um banco, por exemplo, habilitado pelo Banco Central a trabalhar com o Pix, por meio do modelo banking as a service, pode vender sua tecnologia à empresas do varejo, que pretendem oferecer aos clientes a possibilidade de transferências e pagamentos via a mais nova solução de transação. Diego explica que isso acontece, porque as instituições financeiras já possuem uma matriz tecnológica capaz de realizar transações em conformidade com o Estado. “Essa infraestrutura privada particular pode ser sublocada, licenciada e emprestada para entidades não financeiras, para que elas possam oferecer serviços financeiros para seus clientes, sem necessariamente ser uma instituição bancária”, afirma. A parceria com uma instituição regular permite que marcas assumam a frente no relacionamento com o cliente, enquanto a operação fica nas mãos de empresas do setor financeiro.

O diretor executivo da ABFintehcs e cofundador da SMU Investimentos dá como exemplo um serviço de transporte urbano como prestador de serviços bancários. “Você pediu um carro para se locomover para ir a uma festa e, ao invés de pedir para o motorista parar no caixa eletrônico para sacar dinheiro, é possível sacar dinheiro direto com o motorista”, fala. Nesse caso, o Pix vai permitir que o usuário faça a transação a qualquer hora do dia, qualquer dia da semana. Se um serviço, como o Uber ou 99, quiser oferecer essa funcionalidade para o seu passageiro, a empresa ganha uma vantagem competitiva, capaz de aprimorar a experiência do usuário.

Os gargalos
Entre os desafios de aderência ao Pix por parte das fintechs, Diego aponta o fato de que apenas empresas com, no mínimo, R$ 1 milhão como patrimônio, podem ser elegíveis a se plugarem no sistema. “Isso acaba coibindo as fintechs que acabaram de nascer, que ainda estão buscando investimento ou que ainda não tem um número relevante de usuários para ofertar esse serviço”, diz. “Porém, entendemos que isso é necessário para superar questões de capacidade tecnológica, segurança cibernética, proteção de dados, procedimentos de combate à lavagem de dinheiro e prevenção a fraudes”, adiciona. Outro desafio, diz, é aderência de usuários. Espera-se que o Pix tenha uma adoção efetiva já nos seus primeiros meses de uso, porque o número de chaves cadastradas já supera a marca de 30 milhões. Entretanto, algumas pesquisas, fala o diretor executivo, afirmam que a população ainda não sabe direito no que se baseia o novo meio de pagamento.

*Crédito da foto no topo: Skitterphoto/Pexels

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