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O papel do algoritmo no disputado mercado de streaming

Chegada do Disney + ao Brasil abre uma nova corrida, que vai além da disputa pela carteira dos usuários, e envolve a oferta de experiência baseada em UX e insights

Luiz Gustavo Pacete
17 de novembro de 2020 - 8h00

 

The Mandalorian, série derivada do universo Star Wars é uma das apostas do Disney +

O dia 17 de novembro de 2020 ficará marcado para a história do mercado de streaming brasileiro. Nesta data, chega ao Brasil o Disney +, plataforma que, nos últimos anos, se tornou protagonista na chamada guerra do conteúdo on-demand. Junto com Netflix, Prime Video, HBO Go e Globoplay, o Disney + passa a disputar a carteira da audiência brasileira. Mas as disputas não param por aí, no bolso. O tão comentado algoritmo, conceito do uso de dados aplicado a melhorar a experiência dos usuários e ofertar conteúdo relevante, ganhapapel fundamental nessa disputa.

Omarson Costa, ex-diretor da Netflix e especialista em streaming, explica que este assunto, em si, possui muito mais variáveis do que se parece. “É importante começar esclarecendo que a Netflix funciona 100% na nuvem da Amazon. De certa forma, muitas características de ambos os serviços possuem a mesma infraestrutura por trás. No entanto, a Netflix possui um sistema de recomendação mais sofisticado, devido ao maior uso de metadados para esta função.
A Amazon se destaca pelo maior uso de metadados em cada cena e de cada conteúdo exibido (função xRay)”, diz Costa.

“O serviço da Disney ainda não possui um sistema mais robusto de recomendação pois a estrutura de interface é dividida por suas franquias (marcas) como Star Wars, Marvel e outros. Portanto, o sistema da Disney é mais orientado a franquias estabelecidas com o consumidor o que torna tudo previsível e formatado, sendo que desta forma não há a necessidade de um sistema de recomendação mais elaborado”, afirma Costa.

Neste contexto, completa Costa: o sistema mais sofisticado de recomendação no momento é o da Netflix. “Mas não vejo isto como um diferencial que influencie o consumo. São pequenos detalhes como por exemplo, passar o trailer ao selecionar o conteúdo (Amazon e Disney não possuem este recurso). No entanto, isto apenas ajuda a escolher (ou confundir) mais rápido. É neste ponto que a Amazon ainda está atrás de ambos. A interface Amazon parece mais pobre e simples dificultando mais ao consumidor escolher seus conteúdos. Mas pensando em longo prazo, a Amazon será a única que poderá oferecer um sistema de voz que possa recomendar e apresentar algo ao consumidor, baseado em suas preferências”, afirma.

Ricardo Cavallini, consultor e fundador do Makers Brasil, pondera que é difícil dizer qual plataforma se sai melhor que outra. “Porém, como todas as plataformas usam machine learning, então é possível entender quem tem vantagem baseado na lógica dos dados. Obviamente, informações dos títulos também são uma fonte de dados rica e isso todas as plataformas têm acesso. Mas o principal é baseado no que nós assistimos, levando em conta o título, o horário, dia da semana, quanto tempo, em que frequência, quantas vezes, em que aparelho e até nossa avaliação sobre o conteúdo. E para montar esse modelo de recomendação, leva vantagem quem tem maior volume de assinantes, maior volume de horas assistidas e maior volume de títulos. Desta forma, podemos dizer que a Netflix tem a melhor base de dados para criar a melhor ferramenta.”

Ainda de acordo com Cavallini, o algoritmo tem uma importância maior na manutenção do que na aquisição. “Se não temos o que assistir, ficamos pouco tempo na plataforma e começamos a ver menos valor nela. Mas para assinar, títulos blockbusters e novas séries me parecem ter um efeito mais efetivo. Com o catálogo antigo e novos títulos como The Mandalorian, a Disney abocanhou mais de 60 milhões de assinantes em um curtíssimo espaço de tempo. Quando olhamos para todas as formas de consumir conteúdo e entretenimento, o algoritmo hoje é responsável não apenas pelo o que você está assistindo mas também ao que está sendo produzido para você assistir”

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