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Como implementar um programa de inovação?

A busca pelo novo, dentro de empresas como Magazine Luiza e IBM, agrega valor a produtos e serviços e auxilia na construção de processos, cada vez mais, eficientes

Victória Navarro
6 de janeiro de 2021 - 7h30

Segundo mapeamento da assessoria de negócios Altivia Ventures, divulgado em 2020, no Brasil, há 87 grandes empresas com programas de corporate venture, ou seja, ações de inovação aberta para o desenvolvimento de novos negócios, seja em parceria com startups, seja por meio de iniciativas internas. Entre as companhias com esse tipo de ação, a maior parte (56%) é de capital estrangeiro. Bayer, Facebook, Positivo, Itaú, O Boticário, Magazine Luiza e IBM são alguns exemplos de empresas que apostam em programas de inovação.

 

De acordo com a Altivia Ventures, no Brasil, há 87 grandes empresas com programas de corporate venture (crédito: reprodução)

O surgimento de programas do tipo veio para acompanhar os avanços tecnológicos, a concorrência acirrada e a necessidade de atender clientes, cada vez mais, exigentes. O intuito de promover o novo, desde sempre, tem o poder de agregar valor a produtos e serviços, bem como de construir processos mais eficientes. Os programas de inovação permitem que empresas identifiquem tendências, abracem novas oportunidades de negócios, explorem mercados, atraiam parceiros estratégicos, retenham talentos e, consequentemente, incitem seu crescimento.

Para Vinicius Porto, diretor de pesquisa e desenvolvimento do Magalu, o primeiro passo para implementar um programa de inovação é entender que, justamente, inovação não é um programa isolado, conduzido por um time específico. “Pessoas de todos os níveis devem ser estimuladas e incentivadas a pensar diferente e a resolver problemas aproveitando oportunidades de maneiras criativas”, afirma. Já, de acordo com Ana Paula Appel, cientista de dados mestre da IBM Research no Brasil, inicialmente, o contato com pesquisa científica é extremamente importante, seja in-house ou via parceria com instituições: “A pesquisa traz esse pensamento científico que é inerente da inovação e busca por conhecimento”.

Na sequência, Vinicius ressalta a relevância de apresentar uma proposta de valor realista e factível. “Obter apoio da alta liderança e deixar claro que todos podem colaborar, para que iniciativas estejam alinhadas ao direcionamento estratégico da empresa, é indispensável”, explica. Entretanto, para que tudo isso aconteça, é necessário a capacitação contínua das pessoas, porque, fala Ana, não adianta o contato com novas tecnologias ou métodos, se as pessoas envolvidas no processo não forem capazes de absorver todo esse conhecimento novo.

A definição de um processo ágil e simples, junto de resultados tangíveis, não fica atrás na implementação de um programa de inovação. “Isso é importante para poder atuar de maneira ágil e autônoma, com respostas rápidas e com a possibilidade de promover diálogos que levem sugestões e provocações. O mercado exige resultados que possam ser facilmente mensurados e acompanhados”, pontua o diretor de pesquisa e desenvolvimento do Magalu.

Ana ainda afirma que, para o desenvolvimento de um programa de inovação, caminhe bem é preciso investimento em questões como pessoas e recursos. “Mesmo que não seja uma porcentagem alta, dificilmente uma empresa conseguirá ter inovação sem nenhum investimento”, afirma. Ademais, é preciso relacionar-se com parceiros, fornecedores, institutos, universidades e organizações, a fim de estar em contato direto com outras realidades, diz Vinicius, “para além do core da empresa, o que ajuda a fomentar todo o ecossistema de inovação”.

A tolerância ao erro também é importante, já que toda ideia nova e experimental está mais suscetível ao erro. “Ter a possibilidade de experimentar é importante, até para que esse passo seja bem acompanhado e o mesmo erro não seja repetido, resultando na evolução das pesquisas e projetos”, explica Ana. A inovação não é imediata e nem rápida.

Em busca do novo
Na Magazine Luiza, a inovação é uma forma contínua de trabalho. “Desde a alta liderança até o pessoal de ponta nas lojas ou centros de distribuição, todos tentam, de alguma maneira, aprimorar processos, ferramentas e ambientes”, diz Vinicius.

Em 2011, a empresa criou o Luizalabs, sua área de tecnologia e inovação. Com o tempo, o setor passou a assumir a gestão e operação de toda a tecnologia do grupo, com mais de 1.300 colaboradores. Recentemente, foi estruturada a diretoria de pesquisa e desenvolvimento, com a missão de desenvolver iniciativas com visão de médio e longo prazos. “Assim, temos condições de conduzir tanto melhorias e inovação incremental quanto elaborar propostas de serviços e de negócios visando o futuro”, afirma. Porém, destaca, o grande fator de inovação da companhia está em entender reais necessidades de clientes e de estarmos atentos a oportunidades para melhorar operações e gestão e vendas.

A IBM, por sua vez, conta com diversos meios de promover o novo. A empresa, por exemplo, conta com a área IBM Research, que possui laboratórios de pesquisa espalhados em diversos países, incluindo o Brasil. “Estes laboratórios são responsáveis por idealizar e desenvolver tecnologias futuras que vão impactar a sociedade. Dele, saíram grandes projetos, incluindo o Watson, plataforma de serviços cognitivos da IBM”, afirma Ana.

Além disso, por meio do programa IBM Open Ventures, iniciativa de inovação aberta que visa a identificar e integrar scale-ups com soluções que promovem a resolução de desafios urgentes de negócios em projetos para diferentes indústrias, a empresa atua próximo à aceleradoras e outras organizações. “O intuito é encontrar empresas com potencial inovador e que usem tecnologia de ponta para somar à expertise da IBM e serem integradas em novos projetos para empresas brasileiras nos principais setores”, conta.

*Crédito da foto no topo: Pixabay/Pexels

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