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Realidade aumentada: interações promovem vendas

Marcas, como Nike, Gucci, Extra e Tintas Coral, notam o potencial de engajamento e interação da tecnologia

Victória Navarro
29 de janeiro de 2021 - 6h00

O amplo e crescente papel da tecnologia na vida das pessoas tem levado a, cada vez mais, profissionais investirem em marketing digital. Nesse contexto, diversas agências e marcas notaram o potencial da realidade aumentada. Seja pela acessibilidade tecnológica em criar experiência, seja pela integração do físico com o digital, a união de elementos ou informações virtuais a visualizações do mundo real, por meio de uma câmera e sensores de movimento como giroscópio e acelerômetro, criou novas formas de engajamento. Em 2016, por exemplo, o universo gamer viu o alto faturamento do jogo Pokémon Go. O game, apenas com uma semana de lançamento, valorizou as ações da Nintendo em US$ 7,5 bilhões e, em menos de cinco meses, atingiu 100 milhões de downloads.

Segundo Renato Zandoná, diretor executivo de criação (ECD) da AKQA, as experiências digitais, além de serem mais democráticas, criam interações únicas. “No caso da realidade aumentada, essas interações são entretenimento puro, quebrando qualquer barreira que o consumidor tenha com uma marca que quer vender algo”, diz. Ao inserir o público dentro de um storytelling, a realidade aumentada transforma o relacionamento entre anunciantes e público. “A experiência deixa de ser passiva e torna-se ativa. Você convida o consumidor a esse novo mundo, mas o jeito que ele vai interagir com a experiência é personalizada por ele mesmo, criando para a marca infinitas possibilidades com uma única experiência”, explica o profissional.

Execução de um trabalho de realidade aumentada atrelado a campanha ou ação de marca, afirma Renato, é longa. “Depende de um bom time de tecnologia, design e user experience. É preciso tirar todos os obstáculos da frente do usuário. Se possível, a experiência deveria acontecer com um só clique, com as ferramentas que todo mundo já tem no celular”, diz. Para Fabio Brito, vice-presidente de atendimento da Leo Burnett Tailor Made, o importante é promover uma interação simples e bem feita, a fim de gerar engajamento com produtos e serviços: “Todo mundo tem um celular na mão. Poder apontar para qualquer coisa e entender mais sobre aquele produto em uma experiência imersiva é inovador”.

Uma vez que a tecnologia permite que o cliente conheça melhor um produto, bem como suas propriedades, as marcas conseguem diminuir custos com produção e envio de amostras. Outra vantagem é poder expor mercadorias em tempo real, usando parâmetros dos quais o usuário define de maneira personalizada. É necessário que a apresentação do produto seja muito rica em termos de interação, de forma que assim, o cliente se sinta uma parte muito importante do que está utilizando. No entanto, existem as desvantagens da realidade aumentada, como processo de criação complexo, já que depende de recursos humanos, software e hardware especializados. Além disso, a tecnologia funciona melhor quando as mercadorias requerem interação muito intensa com o usuário. Produtos que dependem, por exemplo, do olfato, não se dão muito bem com a realidade aumentada.

 

Em aplicativo, usuários podiam experimentar tênis da Gucci (crédito: reprodução)

Experiência de marca
À exemplo, em maio de 2020, a Nike lançou uma plataforma digital em realidade aumentada, a Nuvem Air Max. Por meio da solução, responsável por trazer à tona conteúdos interativos que celebram o rap e o funk, o usuário, ao apontar o celular para o céu, podia ver duas nuvens. A primeira, a Air Max 2090, desbloqueava o clipe inédito de “Não Sei Rezar”, presente no disco mais recente de Djonga, o “Histórias da Minha Área”. Já a Nuvem Air Max 90 dava acesso ao clipe de “Quebra Tudo”, parceria entre NGKS e a rapper MC Soffia. A campanha, criada pela AKQA, buscou conversar com os jovens que querem transformar o futuro. “Por meio da tecnologia da realidade aumentada, os consumidores puderam vivenciar uma experiência digital única”, diz Renato. A iniciativa contou com mais de 410 mil acessos à plataforma, mais de 440 horas de consumo de conteúdo, um aumento de dois dígitos nas vendas e todos os lançamentos esgotados, com modelos vendidos em menos de 30 minutos.

Em 2019, a Gucci também apresentou sua própria solução de realidade aumentada. O aplicativo, via câmera do celular e sistema inteligente, permitia que os usuários experimentassem versões digitais do modelo de tênis Ace, sobrepostos sobre os pés.

Além disso, durante o período de Páscoa de 2019, o Extra, ao lado da agência Leo Burnett Tailor Made, promoveu uma experiência de realidade aumentada, aliada a promoções exclusivas em todas as lojas da rede, por meio de aplicativo do programa fidelidade Clube Extra e do jogo Ache os Ovos. Por meio do app, os consumidores deveriam ativar suas câmeras do celular e buscar por tags premiadas, distribuídas pelas lojas. Ao encontrar o prêmio, o coelho da Páscoa Extra entregava um banner com descontos exclusivos. “Nosso objetivo foi trazer um elemento lúdico para as gôndolas, oferecendo uma experiência diferente com uma oferta. Superamos todas as expectativas de vendas com a ação, tivemos feedback positivo dos clientes e ainda ganhamos um prêmio do Facebook pelo uso da tecnologia”, afirma Fabio Brito, vice-presidente de atendimento da Leo Burnett Tailor Made.

Mais antigamente, em 2014, a Tintas Coral apresentou o Coral Visualizer, um aplicativo de realidade aumentada que mostra como as paredes ficariam se pintadas de outras cores. Ao selecionar a área desejada, a pessoa consegue visualizar o resultado em tempo real, conforme se movimenta pelo espaço. A ferramenta conta com um detector de móveis e objetos, para que somente as paredes sejam preenchidas com a cor.

*Crédito da foto no topo: Torsten Dettlaff/Pexels

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